Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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Descobrindo se Missionário Uma paróquia da capital de São Paulo decide viver o mês missionário, fazendo a experiência de sair de suas fronteiras e procurar o irmão, neste caso, meninas africanas que não podiam ir à escola A historia começou com a preocupação do conselho paroquial de preparar melhor a comunidade para o mês missionário. A duvida latente era: Como despertar , numa comunidade urbana de classe média, o desejo de sair das inúmeras "fronteiras" que a cercam? A idéia foi uma novena a ser realizada nos movimentos. Mas, e
aquelas pessoas que só vêm para a missa de domingo? Uma novena
não as excluiria? E isso não seria uma negação
do próprio espírito missionário que nos manda ir
" a todo mundo"? Criando um "clima" missionário O entusiasmo contagiou o grupo que, em meio a uma mar de idéias, selecionou algumas atividades: o terço missionário e a campanha pelas meninas de Suzana. O terço seria repartido nas cinco semanas do mês: cada domingo uma dezena, um continente e uma oração pelas missões elaborada na própria comunidade. Isso era facilitado por um folheto exclusivo que foi amplamente distribuído à entrada da igreja, nas duas primeiras semanas. Enquanto se rezava a dezena, eram projetados slides dos povos de cada continente, enfatizando o rosto, visto que, muitas vezes, o conceito de irmão fica diluído numa utopia abstrata e anônima, pouco convidativa ao compromisso. A campanha pelas meninas de Suzana foi lançada pessoalmente pelo pároco que motivou a comunidade em todas as missas do sábado e do domingo. Se a primeira etapa foi abrir as fronteiras paroquiais, lançando um apelo que escoava da longínqua África, a segunda foi comprometer a comunidade a doar. Para estimular, foram comprados mil terços missionários e revendidos - por infatigáveis "vendedores"-, com uma porcentagem de lucro que, cobrindo as despesas da compra, foi totalmente destinadas às meninas. "Foi emocionante ver adultos e crianças de terço na mão, empolgados com a idéia de ajudar uma comunidade tão distante e tão carente. A alegria foi contagiante", comenta a presidente do conselho paroquial, Marlúcia Gomes de Oliveira. Em poucos dias, os terços foram totalmente vendidos e outros mil chegaram. Antesda quarta semana, mais de 100 meninas,- agora "as nossas meninas" - já haviam sido adotadas. O irmão tem um rosto Um dos fatores responsáveis pelo sucesso da campanha e pela adesão da comunidade foi o fato de se apresentar um projeto concreto, com gente que tinha endereço e rosto, com o nome de seus responsáveis . Por conta disso, foi montado um painel com fotos das missões do Pime na Guiné Bissau, com o apoio e material de "Mundo Missão". Muitas vezes, as campanhas - por melhores que sejam suas intenções - caem no descrédito das comunidades porque parecem vagas, abstratas, demasiadamente gerais. A comunidade do Sumaré já provou que tem coragem para fazer campanhas de solidariedade ( em dois dias, levantou fundos para reconstruir um grande muro num centro paroquial da periferia), mas que prefere ver o rosto do irmão. E não se trata de desconfiança, mas de uma necessidade significativa de lutar contra uma massificação exagerada que não combina com o conceito de Deus Pai que tem nosso nome escrito na palma de sua mão. O final do mês missionário culminou com a visita do superior regional do Pime, pe. Severino Crimella, e do diretor de "Mundo e Missão", pe. Ernesto Arosio, à paróquia Nossa Senhora de Fátima, para receber, em nome dos missionários de Suzana, a doação que ajudaria as meninas da Guiné Bissau. Um pequeno passo, mas um grande estímulo ver que os continentes, na verdade, estão muito próximos, apesar dos milhares de quilômetros. Estes não se medem com instrumentos, mas com fraternidade. Paróquia Nossa senhora de Fátima
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