Revista "MUNDO E MISSÃO"
Igreja no Mundo - América
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por Ernesto Arosio
A importância desse encontro, organizado pelo Departamento das Missões, pelo Secretariado da Pastoral Afro e pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), está principalmente no fato de que, pela primeira vez, os bispos latino-americanos reuniram-se para assumir, como episcopado, a pastoral afro latino-americana. Essa pastoral já tem mais de vinte anos de caminhada, mas, somente há quatro, o CELAM organizou um secretariado especificamente encarregado dela. Na reunião, estavam presentes bispos, sacerdotes, religiosas e leigos que se distinguiram no acompanhamento dessa pastoral. Houve missa celebrada com abundância de símbolos provenientes da cultura afro de todo continente sul-americano, palestras e testemunhos de vida cristã e de evangelização inculturada. PRESENÇA NEGRA: A presença negra no continente é fato reconhecido: fala-se de cem milhões de afros, mas a raça continua ainda relativamente ignorada e desprezada. Lembramos que ainda permanecem traços da discriminação racial em relação aos negros. A consciência desta realidade varia muito de lugar para lugar, mas, até poucos anos, mesmo entre os descendentes de africanos, tentava-se esconder o termo "negro", considerado como sinal de desprestígio e substituído por "moreno" ou "pardo". De um tempo para cá, a comunidade começou a sentir orgulho da cor da própria pele e do fato de ser afro-descendente. Pe. Toninho A. da Silva, teólogo afro-brasileiro, explica claramente essa mudança ideológica. "Se muitos latino-americanos se orgulham dos seus ascendentes que vinham da Espanha, Itália, Alemanha, porque nós não devemos nos orgulhar dos antepassados?". Quantos negros existem no continente? A pesquisa é difícil por vários motivos: primeiramente, não é fácil reconhecer a origem racial porque, nas Américas, houve uma grande miscigenação entre as raças que aqui vieram, provenientes de todas as partes do mundo. Em geral, as pessoas preferiam optar pela raça do antepassado não africano ou não lhe davam importância, por não se sentirem discriminadas.
Em outros países do continente, o fato de perguntar a alguém qual era sua pertença já soava como uma forma de racismo, o que não acontecia em relação aos brancos. Por todos esses motivos torna-se difícil ter um número exato dos afro-descendentes na América Latina, mas presume-se que estaria ao redor de cem milhões de pessoas, mais trinta milhões nos Estados Unidos. Conforme a concentração de afros, os países dividem-se em grupos: os de maioria negra, como o Haiti (95%), Jamaica, Bahamas, Granada, Belize e Trinidad e Tobago (80%). Em Cuba, a descendência negra seria de 50%. Em outros países, embora não seja majoritária, a presença negra é significativa. É o caso do Brasil: segundo o censo 2000, há 76.419.233 negros, isto é, 45,3% da população. Em Honduras, calcula-se que formem a quarta parte da população. No Panamá, de acordo com uma pesquisa do CEPAL, em 1997, eram somente 14%, mas, pelos dados apresentados na reunião de Quito, chegariam a 70%. Isso demonstra a dificuldade de ter estatísticas confiáveis. A Colômbia reconhece 12 milhões de afros (26%); na Venezuela haveria 3 milhões (12%); a República Dominicana teria 11% de negros, provenientes do Haiti, enquanto a maioria dos dominicanos se reconhece como mestiços. Entre os países considerados brancos, a Bolívia teria uma comunidade negra de 31 mil pessoas; em Costa Rica, ela representaria somente 2,5% da população; na Guatemala, 2%; no Paraguai, seriam 51 mil. No Peru, haveria dois milhões, mas parece um número exagerado. No Uruguai, estariam ao redor de 5 %, enquanto, na Argentina e no Chile, não há dados sobre a população negra, porque as autoridades civis e religiosas acham que não se deveria dar demasiada importância ao problema das raças, embora na Argentina haja negros, especialmente caboverdianos. A PASTORAL AFRO Os bispos reconhecem, no documento final do encontro, a importância e a vitalidade dos afros na América latina e a necessidade de considerar seriamente a riqueza espiritual e humana desta cultura que marca, com suas peculiares e ancestrais características, a celebração da vida e do culto, na alegria e na solidariedade. O encontro de Quito apresenta a redescoberta de uma oportunidade que a Igreja não pode perder para colocar-se verdadeiramente a serviço dos negros. São eles que mais sofreram e continuam sofrendo as injustiças, na marginalidade e na pobreza. INSTITUTO DO NEGRO PADRE BATISTA
Foi criado em 20 de novembro em 1987, pelo pe. Batista de Jesus Laurino, com o objetivo de estudar o perfil do negro na sociedade brasileira, o Instituto do negro. Em vista disso, o Instituto dedicou-se à educação do afro-brasileiro, à luta contra a discriminação e a exclusão. Com o trabalho de voluntários e profissionais de diversas áreas, o Instituto desenvolve projetos de caráter socio-econômico, realiza eventos, cursos e palestras, presta assessoria psicológica e jurídica à população mais carente e às vitimas da discriminação racial. Durante as reuniões mensais, trabalha também as questões litúrgicas que envolvem a cultura afro-brasileira. O Instituto possui uma biblioteca especializada em religião, sociologia, literatura, antropologia e também um acervo de catálogos, teses, cartazes e periódicos. Em 1991, o Instituto do Negro, após a morte do pe. Batista, adotou o nome de seu fundador, mantendo suas propostas e ideais. Para contatos: telefone: (11) 3106-7051 e www.inpb.com.br |
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