Revista "MUNDO E MISSÃO"
Igreja no Mundo - América
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Stefano Femminis entrevista O sacrifício de um bispo Quais as suas lembranças de dom Duarte? Os narcotraficantes foram freqüentemente
objetos das denúncias de dom Duarte que não poupava ninguém... É difícil, portanto, entender
o que está por trás desse assassinato? A morte do bispo foi uma advertência para
a Igreja? A impressão dos observadores estrangeiros
é que a Colômbia nunca mais se libertará desse caos
de corrupção, violência e droga. Por que o povo não
se revolta, apesar de delitos tão cruéis? Em que sentido? Mas os Estados Unidos não financiaram
o Plan Colômbia para erradicar o tráfico de drogas? Os Estados Unidos, após 11 de setembro, destinaram bilhões de dólares para vencer o terrorismo e trazer a paz ao mundo. Mas como querem conseguir esse objetivo? Produzindo armas e fazendo guerras. Pergunto se isso tem sentido do ponto de vista ético. Ficando na Colômbia, a droga produz essencialmente duas coisas: morte e dinheiro. Então, o fato é que nós, colombianos, contribuímos com as mortes, enquanto o dinheiro acaba nos bancos estrangeiros. Entrevista concedida a revista POPOLI |
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Colômbia: direitos humanos na estaca zero por Paula Erba |
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Execuções sem julgamentos, seqüestros, violência contra mulheres e crianças chegaram nos últimos anos a uma difusão epidêmica. O país tem uma taxa de homicídios entre as mais altas da América: 100 pessoas foram mortas diariamente nos últimos anos, 96% dos delitos permanecem impunes (conformes dados do próprio governo). Entre estes homicídios, muitos têm conotação políticas: nos últimos dez anos, foram 30 mil assassinatos políticos. Não é por acaso que a Colômbia detém o triste recorde de assassinato de sindicalistas, jornalistas e educadores. Tudo isso justifica a definição que afirma que Colômbia é "a mais perigosa democracia do mundo". Isso não é por causa do povo, geralmente vítima desta violência, mas porque o crime é incentivado ou, pelo menos, tolerado pelas altas esferas do poder. Conforme denúncia das ONGs que protegem os direitos humanos, os maiores responsáveis por esses desplazamientos forçados dos campesinos são os paramilitares da Autodefesa Unida da Colômbia - AUC. Os assassinatos e os seqüestros são divididos entre a guerrilha (Força Armada Revolucionária e Exército de Liberação Nacional) e os paramilitares. Conforme dados do governo, em 2001, foram assassinados 1 060 civis pela guerrilha e 1 028 pelos paramilitares. Uma trágica igualdade. Nessa situação incandescente, em 2000, inseriu-se o Plan Colombia, plano de luta contra a droga, proposto e financiado pelos Estados Unidos, pela União Européia e pela própria Colômbia. O plano foi acusado de aumentar a militarização da Colômbia, mais do que combater o narcotráfico. |
O FUTURO DO PAÍS Qual o futuro da Colômbia? As conseqüências podem ser graves: num conflito interno não existem "inimigos beligerantes", que podem ser convidados a tratar e depor as armas, mas grupos armados, bandidos, terroristas que devem ser exterminados. Isto seria mais um começo para um desfecho paramilitar: a guerrilha é comparada a um bando armado e o exército continua a sua convivência com os paramilitares. O caminho para a reconciliação começou mal. Se não se reconhecem "beligerantes", muito menos se reconhece à população civil o direito aos ressarcimentos das perdas e povo continuará a pagar o peso maior. De fato, 10% dos civis mortos nos últimos três anos foram vítimas de confrontos armados". A questão crucial, porém, não é a guerrilha, mas a impunidade dos crimes. Sempre conforme Gregório Dyonis, o "verdadeiro problema é a impunidade, a corrupção tremenda de uma classe política que permite que a Colômbia tenha uma dívida externa de 40 bilhões de dólares, uma economia que se financia com o narcotráfico, além de ser a maior produtora de coca e de heroína (100 toneladas/ano). É mais que evidente que essas toneladas de heroína pertencem à produção controlada pelos paramilitares. Todos sabem disso, até os Estados Unidos, mas procura-se polarizar a atenção mais sobre a guerra civil. O plan Colombia, além de não resolver o problema do narcotráfico, faz parte dessa propaganda de "imagem" para desviar a atenção dos elementos fundamentais da falência da sociedade colombiana". |
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