Revista "MUNDO E MISSÃO"
Igreja no Mundo - América
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Carta do cardeal-arcebispo Senhor Presidente:
A reação é evidente: então, o que podemos fazer? Não existe nada que possa garantir a segurança de nosso povo? Claro! Mas é preciso saber a verdade sobre a ameaça. Sr. Presidente, o senhor não disse a verdade sobre o motivo de sermos o alvo do terrorismo, quando explicou por que iríamos bombardear o Afeganistão e o Sudão. O senhor disse que éramos o alvo do terrorismo porque defendíamos a democracia, a liberdade e os direitos humanos no mundo. É absurdo, sr. Presidente! Somos o alvo dos terroristas porque, na maior parte do mundo, nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos o alvo do terrorismo porque somos odiados e somos odiados porque fizemos coisas odiosas. Em quantos países agentes de nosso governo não cassaram os líderes em nome do povo, substituindo-os por ditadores militares, marionetes desejosas de vender seu próprio povo para grupos americanos multinacionais? Fizemos isso no Irã, quando os Marines e a Cia depuseram Mossadegh porque ele pretendia nacionalizar a indústria de petróleo. Nós o substituímos pelo xá Reza Pahlevi e demos as armas a sua odiosa guarda nacional, a Savak, que reduziu à escravidão o povo iraniano e o brutalizou, para proteger os interesses financeiros de nossas companhias petroleiras. Depois disso, é difícil imaginar que, no Irã, haja pessoas que nos odeiem? Fizemos isso no Chile, no Vietnã e, mais recentemente, tentamos no Iraque. Não somos odiados porque praticamos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Somos odiados porque nosso governo recusa essas coisas aos povos do Terceiro Mundo, cujos recursos são ambicionados por nossos grupos multinacionais. Essa raiva que semeamos volta-se contra nós e estamos assustados com o terrorismo e , no futuro, estaremos com o terrorismo nuclear. Devemos mudar nossas ações. Ao invés de mandar nossos filhos e filhas ao mundo para matar árabes, a fim de tomar posse do petróleo que existe sob sua areia, deveríamos reconstruir suas infra-estruturas, fornecer-lhes água potável e alimentar suas crianças famintas. Ao invés de sustentar a revolta, a desestabilização, o assassinato e o terror no mundo, deveríamos abolir a Cia e dar o dinheiro com ela gasto às organizações humanitárias. Em resumo, deveríamos ser bons ao invés de sermos maus. Quem iria, então, querer nos parar? Quem nos odiaria? Quem iria querer nos bombardear? É isso, senhor Presidente. É isso que o povo americano precisa ouvir. Trechos da carta do cardeal-arcebispo
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