Revista "MUNDO E MISSÃO"
Igreja no Mundo - América
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Atualmente, um dos países latino-americanos que merece maior atenção por parte da entidade é o Peru. Com cerca de 28 milhões de habitantes, sendo 84% católicos, o país enfrenta o grande desafio de conter a emigração, resultante da recessão econômica e das constantes epidemias que acometem a população (depois da África do Sul, a Amazônia peruana é a região mais afetada pelo vírus HIV). O Peru já foi considerado um dos países com maior risco para investimentos em todo o mundo. O governo ganhou a luta contra a hiperinflação ao longo dos últimos anos, mas o nível de desemprego continua apresentando taxas elevadas. Mesmo com um prognóstico positivo junto à economia mundial, com 5% de aumento no produto nacional bruto (PNB), a maior parte do povo peruano vive excluído da riqueza e do poder e sobrevive abaixo da linha da pobreza. Em maio deste ano, Xavier Legorreta, diretor da AIS, responsável pelos projetos de auxílio à América Latina, visitou 17 dioceses no Peru. Ele esteve nas três regiões distintas e com peculiares culturas, que caracterizam a geografia do país: - o litoral desértico, onde se concentra a maior parte das cidades e das indústrias; o altiplano da cordilheira dos Andes, marcado pela agricultura; e as selvas da Amazônia peruana, na região leste. CARÊNCIA FINANCEIRA E FALTA DE INFRA-ESTRUTURA Após doze horas de viagem em estradas de terra e a 3.500 metros acima do nível do mar, Legorreta encontrou os altiplanos andinos, mais precisamente a diocese de Huamachuco, do bispo dom Sebastián Ramis. A maioria do clero é constituída por estrangeiros e a adaptação em região tão remota transforma os trabalhos pastorais em verdadeiros desafios para os religiosos. “Nós passamos a noite em uma paróquia sem água, sem eletricidade e sem qualquer serviço básico. Esta experiência me fez entender o porquê dos primeiros cuidados do bispo Ramis serem direcionados aos padres”, disse Legorreta. Em Pisac, uma paróquia de Huamachuco, a igreja espera por um telhado, evidenciando a enorme carência financeira e a penúria da região. Nas montanhas, o preço da gasolina é duas vezes mais caro, o que torna impossível, por falta de verba, a utilização de carros pelos sacerdotes, comprometendo o atendimento nas aldeias mais distantes. Constantemente, a AIS envia auxílio financeiro, através de intenções de missas, para os sacerdotes no Peru. Sem elas, os padres não teriam condições para garantir, sequer, o próprio sustento. Porém, a carência é tanta que uma efetiva ajuda ainda se faz urgente e necessária. PROMISCUIDADE, DESINFORMAÇÃO E VALOR DA FAMÍLIA Há abusos contra os direitos humanos em nome do planejamento familiar ou do controle populacional. O governo admitiu que 300.000 mulheres índias foram esterilizadas à força pela campanha de controle populacional durante o governo Fujimori. Os religiosos enfrentam o desafio de resgatar as famílias da secularização e preparar as mulheres para se defenderem contra a manipulação e contra o aborto. Em cada diocese visitada existe a pastoral da família, liderada por um casal “Eles organizam workshops e seminários para conscientizar os pais de que tudo começa com uma boa formação junto à juventude. Os jovens têm de estar preparados para o casamento. Se eles não forem promíscuos, poderão evitar divórcios, abortos e a proliferação da aids”, comentou Legorreta. Durante o mesmo período da visita de Legorreta ao país, aconteceu a reunião do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que discutiu os rumos da Igreja no Peru. O encontro foi aberto com uma mensagem do Papa, que recomendou um “cuidado pastoral com a família, assediada por graves desafios (...) que minam os fundamentos do matrimônio e da família cristã”. Bento XVI destacou, na referida mensagem, a urgência de se promover “uma positiva e correta visão do casamento e da moral conjugal” e ainda enfatizou a importância da família como núcleo da religião católica, “sementeiro de abundantes e santas vocações”. VOCAÇÕES “Através das cartas enviadas pelos bispos e também pelos relatos de religiosos peruanos que visitam a sede da AIS, em Königstein, na Alemanha, percebo que existe uma necessidade imediata na formação de seminaristas e catequistas”, insiste Legorreta. A AIS entende o típico problema do país, já que um terço dos que professam o catolicismo possui uma postura um tanto sincretista, pois segue ritos e superstições tradicionais, embora, exteriormente, revista-se da roupagem do cristianismo. O apostolado tem sido difícil, em função da falta de religiosos e de sacerdotes treinados, razão pela qual o sincretismo, ligado às crenças tradicionais, tem crescido. Por tudo isso, há a necessidade de um profundo discernimento para selecionar as vocações verdadeiras. Atualmente, existem cerca de 1.800 seminaristas no Peru. O seminário em Lima, uma casa com capacidade para 35 jovens, já está abarrotada de candidatos. Lá residiam, no início do ano, 88 seminaristas, sendo que 21 novos nomes aguardavam para ingressar. Neste momento, o número deve ter aumentado para mais de 100. Um novo seminário, com capacidade para abrigar 120 pessoas, acabou de ser construído, em Santa Eulália, Chosica. Os padres pedem ajuda para que possam mobiliá-lo, e também montar uma biblioteca e um auditório, fundamentais na formação de bons sacerdotes. PROLIFERAÇÃO DE SEITAS As dificuldades enfrentadas pelo povo peruano têm despertado um tremendo interesse no cristianismo e desencadeado um processo de crescimento nas igrejas evangélicas. Legorreta afirmou que, “na principal rua de Lima, quatro cinemas, com capacidade entre mil e duas mil pessoas, foram convertidos em salas para cultos de seitas e já atraem cerca de 10 a 15% da população”. A Igreja no Peru e sua população católica confiam na Providência divina e depositam suas esperanças junto aos benfeitores da AIS, para que possam ser auxiliadas nas suas necessidades mais prementes. Contato |
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