Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Ásia

Caridade x Proselitismo na
Indonésia

s missionários xaverianos chegaram à Indonésia, quando foram expulsos, em 1951, da China de Mao. Oito padres foram dar assistência aos cristãos chineses. Ainda hoje, os xaverianos trabalham em Jacarta, a capital, numa paróquia de chineses. Em seguida, foi-lhes confiado um extenso território na ilha de Sumatra, onde, praticamente, não existiam comunidades católicas. Em todo território havia uns 2.000 batizados. Em cinqüenta anos de trabalho, os xaverianos fundaram a diocese de Padang, onde, atualmente, há 30 mil católicos.

Sumatra é a província mais ocidentalizada e mais islamizada. Em Padang, mora Pe. Vicente Baravalle que afirma que o problema existente em todos os lugares onde há várias religiões é a “tolerância” e sua interpretação. “Para nós, ocidentais, tolerância é o respeito recíproco um do outro, das idéias e do direito de expressá-las. Para os muçulmanos, o conceito é diferente. Eles partem do preconceito que somente eles estão na verdade e que as outras religiões são uma mentira, mas toleram que sejam praticadas em particular.

Ser tolerante, portanto, para eles, quer dizer que, apesar de outro estar no erro, não será perseguido ou morto, mas não permitem que o erro se difunda. Não proíbem de ser católico, mas, se perceberem que a comunidade cristã cresce, é sinal que ela faz proselitismo, difunde o erro, e isso não é permitido e pode ser castigado com a morte”. Construir uma igreja neste clima torna-se difícil e a licença nunca chega. Se, ao contrário, o povo quer uma mesquita, o próprio governo a constrói.

Mas, uma vez que a igreja foi construída até sem licença, o governo fecha um olho. A palavra “trágica” entre cristãos e muçulmanos é “proselitismo”. Qualquer coisa que a Igreja faça fora do âmbito de sua comunidade é etiquetada como proselitismo. Se uma paróquia prepara um campinho de futebol para as crianças, isso é proselitismo. Se, em um desastre natural nas aldeias, a Caritas diocesana envia ajuda, roupas e mantimentos, isso é considerado proselitismo.

Se uma escola organiza algumas iniciativas de ajuda para as crianças e os pobres da aldeia, também, nesses casos, logo vem a acusação de estar fazendo proselitismo; assim, para evitar atritos, as ajudas devem ser entregues às autoridades locais, sem revelar a proveniência cristã. Pe. Aldo Laruffa (na Indonésia há mais de 45 anos) é diretor do hospital cristão mantido pela diocese de Padang, um dos melhores de Sumatra, com 150 leitos. Há uma parte para quem pode pagar, mas a maioria dos doentes, cerca de 70%, é pobre e, embora a diária seja equivalente a R$ 7,00, a maioria não tem como pagar ou paga somente o que pode.

O hospital, com 395 funcionários, é mantido pela caridade que provém de benfeitores fora do país. Sem isso, não poderia subsistir. Jacarta manda comissões para realizar inspeções severas em todas as repartições do hospital, mas nada encontra de suspeito. O governo central já fez vários elogios em reconhecimento, e até concedeu algumas esporádicas ajudas, visto que 80% dos doentes e 50% dos funcionários são muçulmanos. Além do hospital, funciona em anexo, um dispensário gratuito para uma região pobre.

“Não se pode absolutamente falar de Evangelho – desabafa Pe. Laruffa – o único testemunho possível é a nossa capacidade profissional e o nosso amor. Estamos sempre sob observação para controlar se acontecem conversões. Uma vez, tentaram fechar o hospital porque, dez anos atrás, uma enfermeira muçulmana tornou-se católica. De vez em quando, retomam esse fato, querendo provar que o hospital faz proselitismo”. Ao contrário, quando uma mulher cristã casa com um muçulmano ou se converte ao islã, os jornais e a rádio locais comentam amplamente o ocorrido. Se uma muçulmana se casa com um cristão ou se converte a Cristo, fato impensável, pode acontecer uma revolta popular feita pelos pobres, estimulados pelos grupos fanáticos.

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