Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - Ásia
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da saúde em
Em 1999, Mundo e Missão publicou uma entrevista com a irmã Isabel Patuzzo, das Missionárias da Imaculada, que estava de volta ao Brasil, depois de permanecer três anos em Hong Kong. A entrevista apareceu com o título "Como é difícil o meu chinês" e nela irmã Isabel dizia ter passado seus três primeiros anos em Hong Kong só aprendendo a língua chinesa. Novamente no Brasil, a irmã falou-nos de sua atividade missionária, agora que já domina o idioma
Irmã, como está agora o seu chinês? Sente necessidade de continuar estudando a língua? Agora que se sente mais livre porque já
domina a língua, imagino que deva ter uma atividade fixa. Fale
de seu trabalho em Hong Kong O nosso trabalho é acompanhar os doentes em suas necessidades espirituais e emocionais. Até os médicos sentem hoje a importância do nosso trabalho. Eles falam de uma abordagem "holística": o paciente tem não somente necessidades físicas e psicológicas, mas também espirituais e deve ser atendido, considerando-se esses três aspectos. Eu passo oito horas dentro do hospital: tenho meu escritório onde posso falar com os familiares dos doentes que lá estão internados. E passo o dia inteiro acompanhando os familiares e os próprios doentes. Há uma equipe paroquial que trabalha comigo no hospital. Tivemos um curso intensivo de quatro meses, com um supervisor, para nos prepararmos para esse trabalho. É um curso de "formação clínico-pastoral" em que a gente aprende a lidar com o doente, com os familiares dos doentes e a não se deixar envolver emocionalmente com eles, para dar-lhes a ajuda de que precisam e a continuar a estar bem consigo. Que significa "não se envolver com
o doente?" Esse tipo de assistência em Hong Kong
é comum? Vocês estão em contato com doentes
de todas as religiões? Como você se apresenta? Como cristã,
como religiosa cristã, ou como uma leiga sem dizer de que religião
é? Muitas vezes, encontro pacientes que têm interesse em conhecer o cristianismo. Muitos nos questionam como é a nossa fé, como encaramos a morte. E muitos me perguntam: "Será que Deus está me punindo? Eu tenho a impressão de que não fiz nada de grave". Eu também digo: "Eu não tenho a sua religião, mas eu também acredito em seu Deus". Lembraria algum fato interessante que aconteceu
durante esse trabalho?
Ela foi atendida pelo pessoal da paróquia. Depois de um ano e meio veio ao meu escritório em sua cadeira de rodas, dizendo que queria se batizar. Eu expliquei para ela que deveria fazer a mesma caminhada que os outros, isto é um catecumenato de dois anos. Ela começou com muito boa vontade e demonstrou muito interesse em conhecer a Bíblia. No dia do batizado todos se envolveram: o pessoal da comunidade, o pessoal do hospital, deram-lhe a possibilidade de vestir-se como ela queria, de vermelho, pois o vermelho é uma cor muito importante para os chineses. Nesse dia nós pedimos o testemunho dela, que nos dissesse porque se tornou cristã. Ela nos disse que tinha passado por tantas coisas, que tinha chegado ao ponto em que nada tinha mais sentido para ela. Começou a sentir de novo a vontade de viver quando descobriu duas coisas: um Deus de misericórdia e o amor do pessoal da comunidade, os catequistas e o pessoal da pastoral da saúde. Há pouco tempo a diocese de Hong Kong
realizou seu sínodo. Foram dadas novas orientações
para a pastoral da saúde? Especialmente o problema do aborto, que na China de hoje é muito atual e se apresenta com muita freqüência a quem trabalha na saúde. O Estado já o liberou totalmente. Por causa da lei que proíbe às famílias de ter mais que um filho, muitos pais recorrem a essa prática com facilidade, por exemplo quando aparece uma segunda gravidez ou quando desejariam um menino e algum médico avisa que o primeiro filho será uma menina. Por causa disso, já existe em muitos lugares uma defasagem entre o número de meninos e meninas. Numa certa região se constatou que para cada 100 crianças do sexo masculino existem só 87 do sexo feminino. Por isso, o governo recorreu a duas medidas: liberou totalmente a prática do aborto e proibiu aos médicos que revelem aos pais o sexo da criança que irá nascer. |
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