Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Ásia

s 35 Bispos da Conferência Episcopal da Indonésia estão em visita ad limina. São os representantes de uma Igreja que, embora seja uma exígua minoria (6.5 milhões de católicos) no país muçulmano mais populoso do mundo (220 milhões de habitantes), é ativa, vital, conscientemente missionária. O porta-voz do grupo, Mons. Martinus Situmorang, Bispo de Padang, na ilha de Sumatra, explica num colóquio com a Agência Fides: "Desta visita esperamos uma renovação da nossa fé pessoal e experimentar um forte sentido de unidade com a Igreja universal. Além disso, ela é uma oportunidade para nos reunirmos ainda mais estreitamente entre nós como Bispos, Pastores da Igreja na Indonésia. Trazemos as realidades específicas da Igreja indonesiana aos vários Dicastérios da Santa Sé e ao Santo Padre, para nos sentirmos mais unidos, a fim de que também as dificuldades e problemas pastorais que experimentamos, sejam compartilhados pela Igreja inteira".

O número de católicos na Indonésia oscila entre 6,5 milhões (soma dada pela Igreja) e 10 milhões (segundo estatísticas do Governo). O porquê dessa diferença é explicado pelo Mons. Situmorang: "Os católicos batizados são cerca de 6,5 milhões. Mas há 2 a 4 milhões entre catecúmenos e simpatizantes que já se definem católicos. Deve ser notado que na Indonésia há a obrigação de declarar a própria religião (entre as 5 reconhecidas pelo Estado: islã, hinduísmo, budismo, catolicismo, protestantismo), portanto diversas populações que conheceram Jesus Cristo se declaram católicos, mesmo sem terem recebido o batismo. O dinamismo da comunidade católica é bom, embora ainda haja muita estrada a percorrer e sejam muitas as pessoas que ainda esperam a Boa Nova. As nossas atividades religiosas, educativas e sociais são muito apreciadas pelas pessoas em geral. Não as usamos para fazer proselitismo, mas para darsinais tangíveis da caridade cristã". "Em Papua, por exemplo - observa Mons. Laba Ladjar - temos tribos, onde vigora a poligamia, que se autodefinem católicas, mas não têm acesso aos Sacramentos". Nas ilhas Molucas, ao contrário, o número dos católicos está crescendo

após o conflito porquê - explica Mons. Petrus Canisius Mandagi, Bispo de Amboina - "durante a guerra, os católicos defenderam a pessoa humana para além da religião, sem se aliarem às partes de protestantes ou muçulmanos, e trabalhando pela reconciliação. Graças a este testemunho, hoje muitos estão se interessando pelo catolicismo". Os Bispos estão na Itália, enquanto explodiu a guerra no Iraque e temem que o conflito possa provocar na Indonésia um aumento de extremismo. Mons. Situmorang afirma:

"Haverá, sem dúvida, um ressurgimento do fundamentalismo islâmico, mas não creio que isto poderá influir negativamente sobre o diálogo inter-religioso, porque criamos relações de amizade muito estreitas entre os chefes religiosos, que há poucas semanas levaram uma mensagem de paz ao Santo Padre. Graças a este testemunho dos líderes, em nível popular não haverá um conflito aberto entre fiéis muçulmanos e cristãos". "Na Indonésia - acrescenta Mons. Mandagi - os grupos fundamentalistas são pequenos mas são sustentados por redes internacionais, como ocorreu nos conflitos das Molucas. Existem, de fato, grupos e partidos que entendem instrumentalizar o islã para os próprios interesses políticos".

"É muito fácil - observa o Bispo Laba Ladjar - identificar os americanos com os cristãos e o Iraque com os muçulmanos, apresentando o combate como guerra de religião. A Igreja deve reafirmar, como fez o Santo Padre, que esta guerra não tem nada a que ver com a fé. É preciso dizê-lo claramente, com manifestações e declarações políticas dos líderes, que cheguem até o povo em geral".

Fonte: Agência Fides

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