Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - Ásia
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Liberdade
religiosa reduzida ao mínimo, missionários expulsos: por Alberto Garuti/fotos por Fábio Mussi
Depois da tomada do poder pelos generais em 1962, todas as instituições, como escolas, leprosários, asilos, tiveram que ser entregues ao governo. Foram mais de 100 as escolas que a Igreja cedeu porque o regime militar temia que as escolas particulares formassem cidadãos pouco "patrióticos". A Igreja católica sofreu um duro golpe em 1965, quando todos os missionários (mais de 500 padres, religiosas e leigos), chegados depois da Segunda Guerra Mundial, tiveram que deixar o país. "Pensávamos que não conseguiríamos enfrentar essa crise", continua o bispo, "mas a comunidade cristã se organizou e conseguiu o que parecia impossível. Agora, em todo o país, os padres são mais de 800 e as religiosas mais de 2 mil a serviço de 600 mil fiéis. Visto que as atividades sociais estão reservadas ao governo, concentramos todas as nossas energias no trabalho pastoral. A porcentagem de todos os cristãos, católicos e protestantes, subiu de 4,6% para 6,5%. A atividade pastoral foi tão intensa que muitos jovens optaram por se tornar catequistas. Agora temos um 'exército' deles a serviço da evangelização". Dom Sotero mostra sua preocupação pelo fato de ser negado à Igreja qualquer papel na vida da nação. "Por não termos nenhuma instituição, como escolas, por exemplo, somos obrigados a viver às margens da sociedade. Numa sociedade composta em grande maioria de budistas (89%), é difícil sermos conhecidos, pois muitas das nossas comunidades se encontram em áreas rurais, com pouco acesso aos meios de comunicação. Apesar de o país ter sido evangelizado inicialmente por missionários
católicos portugueses, a sucessiva dominação britânica
favoreceu as confissões protestantes. Os missionários católicos
foram assim obrigados a procurar as regiões mais distantes, habitadas
por etnias indígenas. Hoje, somos somente 600 mil, num total de
3 milhões de cristãos, metade deles de confissão
batista." "O governo deve reconhecer nossa capacidade de contribuir nas tratativas e de construir a paz." Apesar das restrições, a Igreja está procurando ajudar o povo em suas necessidades. Por exemplo, nas aldeias mais longínquas, as escolas se encontram a 10 ou mais quilômetros de distância, tornando impossível para as crianças freqüentá-las. A Igreja está tentando abrir nessas aldeias pequenas escolas para 60-70 alunos, empregando voluntários como professores. Mas há sempre o perigo de que o governo intervenha e proíba seu funcionamento, pois continua vigorando a lei que veta o ensino particular.
MÍDIA CONTROLADA Não existe mídia independente em Mianmar, nem impressa nem eletrônica. Os únicos dois diários existentes são controlados pelo governo. Qualquer comunicação está sob censura, mesmo Internet. Só poucas organizações têm acesso à rede, e ainda assim muito controlado. A maior parte dos provedores, como Hotmail e Yahoo, não podem ser acessados. Se alguém tentar, aparece a escrita: "Site proibido". As publicações da Igreja estão sob censura. As poucas publicações que saíram tiveram que conseguir o visto de um rígido "comitê literário". Esses "mandarins" são tão meticulosos que proibiram até uma mensagem de votos de Feliz Natal das Igrejas protestantes, que já tinha passado pela censura do Ministério dos Negócios Religiosos. O TRIÂNGULO DA DROGA NÃO TEM PAZ NEM DEMOCRACIA Um país esquecido, fechado dentro do "triângulo de ouro do ópio" que integra junto com Laos e Tailândia, isolado no plano internacional por um regime militar muito duro: é Mianmar, que não conheceu a paz nem a democracia, desde quando conseguiu a independência da Grã-Bretanha, em 1948. Desde 1962, é governado com "punho de ferro" pelo "Partido pelo programa socialista da Birmânia" (Bspp), orientado nos princípios do budismo e do comunismo, que tinha o apoio da junta militar. Um regime cruel, brutal com as minorias étnicas, privadas de qualquer direito e obrigadas à segregação e à luta armada há cinqüenta anos.
PASSAPORTE E VIAGEM SÃO UM LUXO
No início do terceiro milênio, somente poucas pessoas, em Mianmar, gozam do luxo de ter um passaporte regular. Um cidadão comum pode pedir o passaporte somente depois que um convite oficial, com visto da embaixada de Mianmar no país aonde ele pretende ir, tenha sido dirigido às autoridades. O processo para expedir o passaporte pode exigir muitos meses e uma série de autorizações, inclusive a do Ministério dos Negócios Religiosos. Tão logo a pessoa que viajou volte ao país, o passaporte é anulado. Assim, para todas as pessoas, as viagens ao exterior são um sonho. |
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