Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Asia

Coréia do Sul O dinamismo de uma Igreja missionária

Alberto Garuti

Com um número reduzido de fiéis, se comparado ao das outras religiões, a Igreja da Coréia do Sul é muito estimada junto ao povo e influente, especialmente em política. Jovem e dinâmica, vive sua missionariedade atuando em várias frentes

Embora minoria, os católicos da Coréia do Sul formam uma comunidade atuante e têm presença marcante em seu país. Abalada por uma crise econômica e por sucessivos escândalos por corrupção que levaram à prisão dois ex-presidentes, a Coréia enfrentou as eleições em dezembro de 1997 decidida a iniciar um caminho de renovação moral, econômica e política. Nesse momento crucial para a história do país, os dois candidatos mais votados foram dois católicos: o eleito Kim Dae-jung, que conseguiu 40,3 % dos votos e seu principal rival, Lee Hoi-chang, que obteve 38,7% dos votos. Uma foto, publicada num dos principais jornais, mostrava os dois candidatos, poucos dias antes da posse do novo presidente, lado a lado, na catedral, recebendo a comunhão das mãos do cardeal arcebispo de Seul.
O sucesso dos católicos foi assegurado nas eleições para deputados realizadas seis meses após as presidenciais, onde eles, que representam somente 7,7% da população, conquistaram 14,5% das cadeiras no Congresso.
O número dos católicos aumentou muito depois da Segunda Guerra Mundial, especialmente graças à liderança do cardeal Kim Sou-hwan, que foi um dos personagens principais da passagem da ditadura militar à democracia. A catedral de Seul tornou-se o lugar simbólico dos combates dos coreanos pela justiça social e pelos direitos humanos. Nos anos 80, as conversões de adultos chegavam até a 150 mil por ano. Embora as conversões tenham diminuído ultimamente, a Igreja católica coreana conservou sua imagem altamente positiva entre ao habitantes do país.
Ela continua manifestando muita vitalidade e um grande dinamismo missionário.

Uma Igreja aberta ao mundo

É assim que se pode descrever a Igreja da Coréia: uma Igreja que não se fecha em si mesma, embora não se possa negar que existam graves problemas internos, como por exemplo o fato de ser ainda minoria, não somente em relação às religiões tradicionais do país, como também em relação aos próprios protestantes (7,7% contra 22,3%).

Abertura à Coréia do Norte

Desde 1948, a Coréia é um país dividido: o Norte, comunista, ateu e o Sul, democrático, depois de ter passado por ditaduras militares. O anseio de todos os coreanos é a reunião das duas num só país. A Igreja católica da Coréia do Sul exerce um papel muito importante para a reunificação das duas Coréias.
A Igreja católica já pensou sua estratégia para facilitar a reunião: o primeiro passo a ser dado é de ajudar o povo do Norte que vive em condições de extrema miséria. O bispo auxiliar de Seul que, recentemente, fez uma viagem à outra Coréia, disse numa entrevista que a evangelização daquele país deve passar através da ajuda humanitária e que a Igreja deve mostrar - através de atos concretos - espírito de reconciliação, unidade, amor e preocupação pelos outros.
Em seguida, é preciso preparar os futuros missionários, pois, há mais de meio séculos, os habitantes da Coréia do Norte vivem num regime de doutrinamento marxista, ateu e de idolatria do antigo presidente Kim Il-Sung. Cerca de sessenta sacerdotes da arquidiocese de Seul declararam-se dispostos a ir evangelizar o Norte do país, tão logo seja possível. Para isso foi formato um comitê pastoral responsável pela formação e pelo preparo desses padres.

Abertura à China e ao Japão

Os católicos coreanos estão ajudando financeiramente os seminários chineses, dizendo que essa ajuda é um modesto sinal de gratidão, pois os chineses ajudaram na formação dos primeiros padres coreanos no início do século XIX.
Quanto ao Japão, há um passado de dominação e de exploração desse país sobre a Coréia, que deixou sentimentos de rivalidades, rancores e inimizades entre os habitantes das duas nações. A Igreja católica da Coréia do Sul está na vanguarda de um movimento de aproximação e na formação de um novo espírito, de unidade e amizade entre os dois povos. Para isso, está estimulando a realização de encontros de jovens dos dois países, uma vez no Japão, outra na Coréia. Conforme o testemunho de um seminarista coreano que estuda em Tóquio, "os jovens católicos japoneses não estão acostumados ao diálogo franco e aberto, e ficam muito impressionados quando, na Coréia, vêem o dinamismo dos jovens católicos coreanos. Esta experiência causará certamente um impacto muito forte e dará um impulso novo à fé desses jovens quando retornarem ao Japão".

Abertura ao mundo

A Igreja católica da Coréia também está aberta aos problemas do mundo inteiro: em pouco tempo se transformou de uma Igreja que recebe numa Igreja que doa. Com pouco mais de 3 milhões de católicos, ela já tem mais de 200 missionários atuando em várias partes do mundo.
A missão além-fronteiras tornou-se a prioridade neste ano: em 1999, de janeiro a maio, já foram enviados 33 missionários ao exterior.

Um país que está conseguindo sair da crise

Kim Dae Jung, que desde 24 de fevereiro de 1998 tomou posse da presidência da república da Coréia do Sul, irrita-se quando lê a palavra "triunfo" em artigos que falam dele, mas editorialistas de importantes jornais estrangeiros, como o japonês The Japan Times ou o chinês Hong Kong Standard não encontram outros termos para caracterizar os incríveis sucessos que o novo presidente conseguiu no primeiro ano de seu mandato. Ele recebeu um país em grave crise econômica, fruto do vendaval que se abateu sobre todos os chamados "tigres asiáticos". Mas, como escreve o Japan Times, são poucas as pessoas que sabem tomar as decisões certas no momento certo, especialmente quando as decisões a serem tomadas são tremendamente desafiadoras.
No caso da Coréia do Sul, a economia parou de crescer, chegando a atingir uma queda de 5,5%. O desemprego alcançou os 9%. Diante da possibilidade da paralisação total da economia, o presidente não teve dúvidas e pediu enormes sacrifícios a todos os coreanos. Aos empresários pediu reformas e modernização de suas fábricas para poder continuar a enfrentar a concorrência externa; aos sindicatos, que aceitassem a dispensa de empregados onde isso fosse necessário para reestruturação da empresa; ao sistema financeiro já obsoleto, reformas radicais. Agora a economia já deu sinais de recuperação: o crescimento para este ano está previsto entre 2 e 4 % e, para o ano que vem, em 5%.
O país já tem uma reserva de 55 bilhões de dólares, de maneira que pode pagar com facilidade sua dívida contraída com o Fundo Monetário Internacional.
A terapia foi constrangedora e fez sofrer muita gente. Nenhuma cirurgia é agradável, mas se faz necessária, quando o doente corre sério risco de vida.

CORÉIA DO SUL


SUPERFÍCIE: 99.500 km2
POPULAÇÃO: 45 milhões
CAPITAL: SEUL (10,5 milhões)
RELIGIÕES:

  • Budistas: 36,3%
  • Confucionistas: 24,4%
  • Protestantes: 22,3%
  • Católicos: 7,7%
  • Outros: 9,3%

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