Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja

São Paulo - Amazonas

Costanzo Donegana

Todos falam de missão na Igreja do Brasil. Missão é a catequese nas paróquias, missão é cuidar dos excluídos, missão é entrar em contato com os cristãos que abandonaram a prática religiosa, etc. Está tudo certo. Mas, muitas vezes, o raio dessas ações é curto, porque acontecem dentro do âmbito da comunidade ou pouco mais. Há outras experiências que estão nascendo entre nós, que testemunham uma abertura nova da comunidade católica na linha da missionariedade.
Pe. Lício de Araújo Vale, subsecretário do Regional da CNBB Sul 1 (São Paulo), e Ir.Nair Paschoalini, secretária administrativa do Sul 1 e encarregada do Projeto Missionário Sul 1 - Norte 1, contam como as Igrejas do Estado de São Paulo estão entrando concretamente na dimensão ampla da missão.

Ir. Nair: O Projeto Missionário nasceu em 1994 quando, na Assembléia Geral dos bispos em Itaici, foi feito um forte apelo em favor da Amazônia como região de muitos desafios missioná-rios e carente de recursos humanos em nível de evangelização e de formação. O nosso Regional se reuniu, estudou a questão e dom Eduardo Koaik, então presidente, fez a proposta de o Regional Sul 1 assumir o Norte 1 (AM, RR, RO, AC). Nascia o Projeto Missionário Norte 1 - Sul 1.

Pe. Lício: Inicialmente, convidamos a CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) de São Paulo e nasceu a primeira comunidade missionária (1996), composta por quatro irmãs de quatro congregações diferentes, que assumiram a paróquia São Pedro em Manaquiri, Arquidiocese de Manaus, com a matriz e 25 comunidades ribeirinhas.

Ir. Nair: Em seguida, tivemos o apelo do seminário de Porto Velho e enviamos um padre de São João de Boa Vista para dar aulas de antropologia religiosa. Ele ficou um mês. Há também o movimento no outro sentido: um padre de Manaus veio para fazer o curso de comunicação do Sepac, em três etapas. Em seguida, recebemos um diácono, que ficou três anos, freqüentando o curso de liturgia na faculdade Assunção de São Paulo.
No início de 1997, mandamos a primeira leiga do Projeto, da cidade de São Paulo, atendendo a um pedido de dom Mário Clemente Neto, da Prelazia de Tefé, AM. Ela foi para a cidadezinha de Uarini, com muitas comunidades ribeirinhas e um povo muito necessitado. Ela ficou um ano, sozinha, porque no momento da saída a pessoa que iria com ela teve que desistir por problemas de família. Nosso Projeto, porém, não contempla o envio de pessoas sozinhas.

Pe. Lício: Em 1997, o Projeto deu um passo para frente com o envio dos primeiros padres. A pedido da diocese de Ji-Paraná, RO, foi enviado um sacerdote da diocese de Piracicaba. Seis meses depois, chegou o pedido da diocese de Guajará Mirim para Corumbiara, RO, onde houve o massacre dos sem-terra. Era uma paróquia grande, com 42 comunidades rurais, numa região com conflitos de terra e há dois anos sem padre. Foi enviado um padre de Osasco.
Como se vê, o Projeto foi crescendo lentamente, sobretudo graças à divulgação que fazemos de maneira simples, mas que se revela eficaz.

Ir. Nair: Falamos do Projeto em dioceses onde somos convidados, nós o apresentamos em encontros do COMIRE (Conselho Missionário Regional), dos COMIDIs (Conselhos Missionários Diocesanos), em entrevistas pela Rede Vida e através do folder que preparamos. Desta maneira, chegamos a atingir vários lugares, embora ainda representem uma parte pequena do nosso Regional. Apesar disso, muitas pessoas têm ligado para nós, realmente interessadas no Projeto, vendo-o como uma resposta a um anseio que carregavam dentro de si há muito tempo. São pessoas maduras, engajadas seriamente na Igreja e isso é importante, porque uma condição fundamental pa-ra participar do Projeto é que a pessoa tenha uma experiência na pastoral ou na área social.
Assim, em 1998, tivemos um grupo com um padre, um casal, duas religiosas, quatro leigos que, de acordo com os pedidos das dioceses do Norte 1, foram distribuídos pela região. Um padre de Bragança Paulista, o casal e um rapaz de Americana foram para Apuí, na diocese de Humaitá. Apuí é um município de 5 mil habitantes, mas a paróquia tem mais de cem comunidades rurais, à beira da Transamazônica, e ribeirinhas. O grupo foi preparado em 98 e enviado no início de 99. Junto com eles foram enviadas duas religiosas para Manaquiri em substituição de duas da primeira expedição e dois jovens para Uarini, um de São José do Rio Preto e outro de Campo Limpo e uma leiga de Divinópolis, que é Igreja-irmã de Tefé.

Pe. Lício: Como é feita a preparação? Nós fazemos uma reunião mensal com os candidatos, a manhã inteira de um sábado, sobre um tema de estudo ligado à área de missiologia. Todos participam do curso de janeiro promovido pelo CCM (Centro Cultural Missionário) da CNBB para os missionários que vão fazer missão dentro do país. Durante a experiência missionária são acompanhados por nós: a Ir. Nair visita normalmente as comunidades onde há mais presença feminina e eu mais as masculinas. Visitamos uma vez por ano.
Ultimamente, no Projeto, aconteceu um fato muito positivo. Havia um grande pedido para professores do seminário de Porto Velho, RO. Em lugar de caçar professores para dar aula, vimos que podíamos pedir a centros de formação teológica para que assumissem missionariamente aquele seminário. A idéia prosperou e o Instituto de teologia da PUC de Campinas está assumindo missionariamente o seminário de Porto Velho. No segundo semestre deste ano, irão três professores. O contrato prevê um compromisso de quatro anos. Também professores de Porto Velho poderão se reciclar teologicamente no Instituto de Campinas no espírito de propiciar a formação de sacerdotes da própria Amazônia.

Ir. Nair. Nossos grupos missionários na Amazônia estão cheios de entusiasmo e atuam em vários âmbitos: evangelização, catequese, círculos bíblicos, organização das comunidades, mas também, rádio, saúde, ensino e ecologia. Em Borba, estão empenhados com a comunidade para defender um grupo de famílias que o prefeito quer despejar para construir uma praça.

Pe. Lício: Um dos grandes frutos do Projeto é o crescimento da consciência missionária no nosso Regional. Estamos muito preocupados com a evangelização aqui e ter entrado em contato com a Amazônia fez com que o Regional Sul 1 descobrisse e revigorasse sua vocação missionária, porque a Igreja, por vocação, é missionária. E o Projeto é isto: evangelizar e ser evangelizado.

Ir. Nair: Terminando, faço um apelo: precisamos das orações do povo e também da ajuda material para sustentar o Projeto. Podem entrar em contato conosco.

CNBB REGIONAL SUL 1
Projeto Missionário Sul 1 - Norte 1
Rua Prof. Sebastião Soares de Faria n.º 57 - 5º andar
01317-010 - São Paulo - SP
Tel: (0XX)-11-288.0289

Para dar sua colaboração:

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
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Conta n.º 04.000552-9

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