Revista "MUNDO e MISSÃO"

Indígenas

Povos indígenas
ameaçados

da redação

OS NÚMEROS

stima-se que haja, no mundo, entre 300 e 500 milhões de indígenas, divididos em mais de 5 mil tribos e culturas, falando mais de 500 línguas diferentes, em mais de 70 países. Na América Latina, haveria mais de 50 milhões, localizados, em sua maioria, na Bolívia, Guatemala, Peru e Alto Amazonas. Parte desses indígenas está sofrendo um processo de extinção devido à discriminação, redução dos seus territórios, esquecimento dos governos, assassinatos por policiais, jagunços e invasores de suas terras.

AMEAÇA DE EXTINÇÃO

Esses indígenas, em geral, não são protegidos pelos governos locais que, às vezes, os consideram até um estorvo para a expansão industrial, visto que eles ocupam vastos territórios ainda preservados. Contra eles, existe não só indiferença, mas perseguição direta: são vítimas de limpeza étnica, quase sempre subliminar, quando não são relegados a áreas tão reduzidas que não lhes permitem uma sobrevivência normal, conforme seus costumes ancestrais. No Brasil, jovens ianomâmis do Mato Grosso do Norte e do Sul usam o suicídio como maneira de protesto contra as dificuldades de sobrevivência.

Na Colômbia, estão em extinção os auás, embairás, catos, tucanos e outros das 85 etnias que ainda sobrevivem no país: todos são vítimas de violências de todo tipo. De janeiro a maio de 2003, seriam 73 as vítimas, conforme denúncia do exército, mas o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos recolheu uma lista bem maior de mortos e desaparecidos.
A Fundação Intervida do Peru denuncia que três em quatro indígenas vivem em extrema pobreza no Peru, Bolívia e Equador.

A evasão dos índios das montanhas desoladas para as cidades, em busca de sobrevivência, produziu mais um processo de segregação racial. Na América Latina, temos, porém, que indicar o aumento das associações de defesa desses grupos indígenas que conseguiram, a muito custo, fazer retroceder a marcha de seu desaparecimento. Permanecem, ainda, a desconfiança contra a morosidade dos vários governos para delimitar terras e defendê-las dos jagunços e a falha proteção aos índios, vítimas freqüentes de sadismo dos não índios.

Os índios no Brasil ainda são considerados um entrave, seja por parte dos governos como dos fazendeiros que cobiçam suas terras. Essa situação se repete em quase todos os países onde existem indígenas que são chamados de primitivos e, portanto, sem direitos civis, sociais e políticos, apesar das repetidas declarações da ONU sobre os direitos dos povos indígenas.

Lembramos algumas que, porém, estão quase esquecidas:

  • Em 1948, houve a Declaração Universal dos Direitos do Homem, com artigos próprios para os povos indígenas;
  • Em 1951, foi assinada a Convenção para a Eliminação do Genocídio;
  • Em 1957, houve a Convenção sobre a Proteção e a Integração dos Povos Indígenas tribais e semitribais;
  • Em 1969, houve a Convenção sobre a Eliminação da Discriminação Racial;
  • Em 1982, foi criado o Grupo de Trabalho das Nações Unidas para os Povos Indígenas que, em 1985, produziu uma Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas;
  • Em 1994, Ano internacional dos povos indígenas;
  • 10 de dezembro de 1994, Inauguração da Década Internacional dos Povos Indígenas.

Apesar dessas tentativas internacionais, os indígenas estão à beira da extinção.

BOSQUÍMANOS

A etnia com maior risco atual de extinção é a dos bosquímanos, que estão sendo particularmente perseguidos e dizimados, nos últimos anos de guerra na zona central da África. Eles apareceram cerca de 20 mil anos atrás, no Kalahari, onde permaneceram e se multiplicaram até a chegada dos colonizadores brancos que os denominaram "bosquímanos", porque viviam nos "bosques", nômades e muito primitivos.

Os vários milhões foram reduzidos a menos de cem mil pela escravidão, massacres, canibalismo das tribos circunvizinhas e pela colonização que os expulsou de seu habitat natural. Hoje, não possuem mais terras para a sobrevivência e, desde 1986, foram privados de qualquer direito sobre as terras dos ancestrais pelo governo de Botsuana, que iniciou uma luta de perseguição e genocídio, afastando-os das melhores terras para lugares que não lhes permitem plantar.

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