Revista "MUNDO e MISSÃO"
Indígenas
Essas mulheres corajosas e desprendidas estão presentes em comunidades espalhadas pelo Brasil afora. Em Maués (Amazonas), na paróquia Nossa Senhora da Conceição, a mais antiga da Diocese de Parintins, elas estão presentes desde 1969, quando iniciaram uma caminhada missionária junto ao povo. Desde então, sempre atuaram no setor da pastoral, na formação de lideranças, na catequese, no convívio com a juventude das escolas, na pastoral dos doentes, nas comunidades ribeirinhas da zona rural, às margens dos rios amazônicos, e entre os indígenas. Maués, a 267 quilômetros a leste de Manaus, tem aproximadamente 42.000 habitantes, assim distribuídos: - 24.000 na zona urbana e 18.000 espalhados em mais de 200 comunidades rurais. Atualmente, o município assiste a um franco desenvolvimento econômico. A maioria da população é formada por pescadores, comerciantes e agricultores. O funcionalismo público municipal é também significativo. Apesar de ser uma pequena cidade do interior do Amazonas, Maués, infelizmente, já enfrenta os mesmos problemas sociais das grandes cidades: violência, droga, gravidez precoce, prostituição, desemprego e doenças sexualmente transmissíveis etc, que assolam o povo mais pobre e desamparado. A extensa área geográfica da paróquia, somada às diversidades étnicas e socioeconômicas das populações, são os maiores desafios para os missionários, tanto do PIME como diocesanos, e para as irmãs que trabalham nessa realidade. Pastoralmente, a paróquia foi dividida em 8 setores na zona urbana e 125 comunidades rurais ribeirinhas. Apresentamos aos leitores o atraente testemunho da irmã Rosanna Marchetti, Missionária da Imaculada, italiana, que, ao chegar ao país, foi destinada à missão na paróquia de Maués. “Quando cheguei a esta Paróquia, em 1998, comecei a conhecer uma realidade completamente diferente da realidade italiana. O ambiente me dava medo, mas, ao mesmo tempo, questionava-me como missionária. Foi preciso que eu aprendesse a ouvir e a observar muito, para entender que estava num mundo fascinante, culturalmente diferente, com uma forte influência da cultura indígena Sateré-Mawé. Trabalhar no meio dos ‘caboclos’ me ajudou a perceber que precisava deixar a minha mentalidade italiana para assumir outros parâmetros, os quais eu não tinha o direito de julgar, mas o dever de amar e de acolher, deixando-me penetrar e conduzir por eles. Foi assim que comecei a minha atividade apostólica no meio dos ribeirinhos, viajando horas e horas de barco, visitando as comunidades ao longo dos rios com um padre diocesano e alguns leigos, conversando com as lideranças no meio do povo. Percebi que a realidade dos ribeirinhos é muito complexa. A influência do mundo moderno introduz exigências e desejos que não podemos satisfazer. Propõe contra-valores que abalam uma sociedade antigamente baseada no valor da partilha, da fé, da ajuda mútua, da convivência fraterna. A ganância favorece o individualismo e a sede de dinheiro destrói a vida comunitária. Se isso acontece comumente nas grandes cidades, sem que se perceba, é mais evidente e provoca danos maiores nas comunidades pequenas, ao longo dos rios. Onde a vida é fruto de uma luta comum para a sobrevivência de todos, viver no individualismo prejudica a vida dos mais fracos. O dinheiro, meio indispensável nas grandes cidades, alimenta o comodismo e a resignação nas áreas rurais e ribeirinhas, porque a preocupação não é mais plantar para a sobrevivência, mas plantar para ganhar dinheiro fácil e rápido. Se um produto não dá lucro, deixa-se de plantá-lo, mesmo sabendo-se que ele poderia servir à sobrevivência da família. A preocupação não é mais o auto-sustento e a própria subsistência, mas como ganhar e guardar dinheiro, porque a atual sociedade materialista valoriza quem mais possui bens. Os meios de comunicação alimentam sonhos e criam concepções irreais a respeito da vida urbana, despertando o desejo de abandonar o que se tem, para sair em busca de uma vida melhor nas grandes aglomerações. Ao fenômeno crescente do êxodo rural contribui também a falta de um sistema educacional e de saúde, adequados e satisfatórios. Desafiada pela modernidade, a Igreja precisa dar respostas, propor caminhos alternativos para favorecer ‘a vida e a vida em abundância’. Isso é o que tentamos fazer nas nossas visitas, nos cursos de formação para líderes da área rural, nas atividades em parceria com os órgãos municipais, preocupando-nos em conhecer os projetos propostos para as comunidades ribeirinhas, verificando com elas as vantagens e os meios adequados para uma melhoria nas condições de vida. Muitas sementes foram lançadas antes de nós. Vários sinais de esperança já aparecem no meio do povo. Eis porque precisamos continuar a nossa obra de evangelização para que a fé, a formação da consciência crítica, a organização comunitária, sejam os meios que, uma vez fortalecidos e reavivados, possam alicerçar novamente a vida das comunidades rurais para resistirem às ventanias modernas e pós-modernas. Antigamente era preciso ajudar, fornecendo remédios e auxílio material. Hoje precisamos ser pontes entre o mundo evoluído e informatizado e uma sociedade agrária, que necessita, cada vez mais, de profetas e pastores que saibam discernir, perceber e valorizar os sinais de Deus na história do seu Povo”.
MAUÉS MAUÉS (o município tem 39.675 km²) é conhecida como a cidade do guaraná, porque, mesmo os seus primeiros habitantes, os índios mundurucus e maués, já o cultivavam. O produto é, ainda hoje, muito cultivado na região. A cidade também dispõe de belas praias fluviais. Contato |
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