Revista "MUNDO e MISSÃO"
Jovens
|
Ir. Paola Grignani A triste realidade - uma zona muito pobre e com alto índice de criminalidade e de violência. As famílias, a maioria migrantes de outros estados, têm muitos filhos e sua baixa renda reforça a precariedade de suas condições. Em muitos casos, a mãe é a chefe de família, pela ausência da figura paterna. Cerca de 80% das mulheres, obrigadas a trabalhar fora de casa, gastam muito tempo na locomoção até o local de trabalho, às vezes de 3 a 4 horas, deixando seus filhos sozinhos, os quais passam a maior parte do dia na rua. Muitos adolescentes, entregues ao ócio forçado e por falta de lugares de encontro, entram no mundo da droga e da violência. Geralmente são vítimas de um sistema que os envolve no redemoinho do tráfico de drogas, como “mensageiros” dirigidos pelos traficantes. Numerosas são as meninas engravidadas entre os 13 e 14 anos. Além disso, um número crescente se entrega à prostituição, como meio para sustentar a família que vive na miséria. Podemos constatar facilmente a influência destrutiva da droga na vida das famílias e dos jovens. Quantos não chegam a ompletar 16 anos porque são assassinados, muitas vezes por uma dívida de poucos reais... Poucos freqüentam a escola; quase nenhum, a Faculdade. Procuram um trabalho que dificilmente encontram e, se o acham, é mal remunerado. Enfim, estima-se que a mais alta taxa de desemprego, dentro dos cerca de 1,6 milhão de desocupados na região metropolitana de São Paulo, é encontrada na periferia. As pesquisas apontam que perto de 44% dos desempregados estão na faixa de 15-24 anos de idade. Existe um oásis no Grajaú Desde 1995, uma comunidade religiosa das Irmãs Mestras de Santa Dorotéia vive e trabalha na região do Grajaú. Neste período, as irmãs, em colaboração com um grupo de mulheres, deram vida ao Centro de Convivência Santa Dorotéia. Esta instituição é um espaço educativo que acolhe hoje 130 jovens, de ambos os sexos, entre 10 e 17 anos de idade. Eles ocupam o tempo livre da escola em várias atividades: - artes plásticas, artesanato, dança, ginástica, capoeira, esportes (vôlei, futebol), crochê, pintura, dinâmica de grupo, música, educação religiosa e reforço escolar. Até 2004, o Centro funcionava num salão alugado. Graças à solidariedade de amigos, grupos, famílias, escolas, paróquias, foi possível comprar um terreno de 5 mil m² e construir salas, refeitório, cozinha, biblioteca, campo de esportes, para desenvolver as atividades mais adequadamente, abrindo as portas a um número maior de jovens. A finalidade da obra é tirá-los da rua e das mãos dos traficantes, oferecendo-lhes espaços e oportunidades. Ir. Anna Maria Di Placido é a responsável pela condução da instituição, contando com a colaboração de 30 voluntários, entre educadores e monitores, que se alternam durante o dia. O Centro proporciona café de manhã ou lanche aos jovens (as padarias da região oferecem pães gratuitamente, uma vez por semana, em sistema de rodízio). Os materiais necessários à elaboração dos trabalhos são obtidos através da colaboração de alguns comerciantes do bairro, das doações de benfeitores e da venda de objetos fabricados na própria instituição. Os pais colaboram com doação de produtos de limpeza e alguns mantimentos e se responsabilizam pela limpeza dos ambientes. O Centro funciona de 2a a 6a feira, das 7h30 às 17h, recebendo os jovens antes ou depois do seu horário regular de aula. Há sempre uma demanda de participação que fica pendente por falta de recursos de toda espécie... A iniciativa é apenas uma gota d’água no oceano, mas é reconfortante enxergar a luz da esperança nos olhos dessa juventude que experimenta o caminho do crescimento positivo e que se torna testemunha de uma vida alternativa àquela que destrói tantos companheiros... (No dia 30 de abril, comemorou-se um ano de inauguração oficial da nova sede) Contato |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]