Revista "MUNDO e MISSÃO"

Jovens

por Márcio Martins

urante o período em que a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) acompanhou os projetos financiados em Pernambuco, um fato ficou evidenciado:

- a fundamental importância de garantir condições para que a juventude possa canalizar sua força e disposição a serviço de uma sociedade justa, firmada sobre bases religiosas.

Na paróquia de Rio Formoso, situada no litoral de Pernambuco, a AIS presenciou o grande trabalho desenvolvido pelo Pe. Sandro Rogério, pároco da cidade, trazendo de volta à comunidade uma vida religiosa bastante ativa e, principalmente, o seu monitoramento junto aos quatro grupos de jovens que formam o MEJ (Movimento Eucarístico Jovem). Um deles, o grupo Jovens em Missão (JEM), é o grande responsável por permitir que a comunidade do Alto da Bela Vista, um dos bairros mais pobres, afastados, abandonados e violentos de Rio Formoso, pudesse construir, com o auxílio da AIS, sua própria capela e reencontrar sua fé por meio de uma evangelização verdadeira, sem qualquer exclusão.

Fé adormecida


Pe. Sandro celebrando missa na matriz de Rio Formoso


Terra de antigos engenhos, Rio Formoso ainda hoje é a cidade dos canaviais. Mesmo estando no litoral, a população ainda sofre com o sistema escravocrata das usinas, dos senhores de engenho e da má vontade política. A cana-de-açúcar traz, ao mesmo tempo, o sofrimento da dependência econômica e do desemprego, porque se trabalha seis meses durante a colheita e os outros seis meses não há emprego.

A cidade faz parte da diocese de Palmares e, há três anos, recebeu o Pe. Sandro, desde então o único responsável por toda população católica de Rio Formoso. Com muita disposição, ele agregou novamente o rebanho e deu novo vigor à vida paroquial.

Pe. Sandro comenta que Rio Formoso se encontrava adormecido na sua fé. Até existia um trabalho pastoral, porém, o Pe. que o precedeu tinha de dividir seu tempo entre a paróquia de Rio Formoso e a da cidade vizinha, Tamandaré, comprometendo todo o trabalho por falta de tempo hábil. “A paróquia estava com um ritmo lento na sua vida pastoral. Foi necessária uma disposição muito grande, no início, para motivar as pessoas e reanimá-las em sua fé, em sua caminhada pastoral”, confessa o sacerdote.


Pe. Sandro com criança

Pe. Sandro tem uma preocupação especial em caminhar junto com o povo, visitando as famílias e participando do seu dia-a-dia. Sua presença efetiva na evangelização das comunidades trouxe uma energia maior na vida religiosa do município e já se pode contemplar um saldo positivo no resultado das ações junto às famílias e, sobretudo, entre os jovens.

“Nesses três anos, conseguimos dar uma força muito grande na catequização, principalmente junto à juventude. Nós temos hoje quatro grupos no Movimento Eucarístico Jovem, um grupo de coroinhas, e conseguimos reorganizar o coral de jovens da paróquia. Despertamos nossos jovens, adolescentes e crianças para a vida pastoral, para a vida eclesial”, confirma Pe. Sandro.

Projeto Alto da Bela Vista

Movidos pelo exemplo do Pe. Sandro, os jovens também se sentiram chamados a sair em missão. Narrada pelo próprio sacerdote, começa assim a história da comunidade do Alto da Bela Vista e a construção da capela Santo Expedito, financiada pela AIS:

- “O povo da periferia já é excluído social e politicamente.

Não dispõe de água encanada, esgoto, coleta de lixo, asfalto, educação e emprego. Ninguém visita essa gente, a não ser de quatro em quatro anos para apertar a mão e pedir um voto. Eles também estavam excluídos de qualquer atendimento religioso, porque os Pe.s não chegavam até eles. Não havia missão, não havia evangelização. Mesmo assim percebíamos que, na essência, eles eram católicos e isso está no coração deles. Vivem à margem da sociedade, são excluídos, mas, quando o Pe. chega, o povo também chega. Quando aparece alguém da Igreja, um evangelizador, um missionário, o povo chega perto.


Alicerce da Igreja Santo Expedito, na comunidade do Alto da Bela Vista

Então, aos poucos, a gente se aproximou deles, sem celebrar Missa, porque eu não chego e já vou logo celebrando Missa. Começamos realizando encontros de evangelização, levando religiosas para visitá-los, seminaristas, pessoal da Pastoral da Criança e o grupo de jovens. Passados seis meses, começamos a fazer a celebração da Palavra.

Finalmente, após um ano de preparação é que começamos a celebrar as Missas”, relata Pe. Sandro. Havia um senhor doente no Alto da Bela Vista que o grupo Jovens em Missão começou a visitar. Depois, o JEM realizou uma campanha e distribuiu cestas básicas naquela comunidade. “Aos poucos, era só a gente encostar o carro, que eles vinham até nós”, afirmam os jovens.

Ivan Cruz, membro do JEM, narra como se deu aquele início:

- “Este bairro era visto como violento, e as pessoas tinham medo de chegar até aqui.

Começamos fazendo visitas, e depois fizemos uma campanha que chamamos de Natal sem Fome. Com o passar do tempo, percebemos que um expressivo número de jovens necessitava de auxílio pastoral e iniciamos os trabalhos de catequese. Conseguimos atrair esse pessoal para a Igreja, que, de certa forma, contribuiu muito para que a fama de bairro violento fosse amenizada”.

A nova realidade do bairro é narrada por Roselaine Oliveira, moradora do Alto da Bela Vista:

- “Logo no início, quando tinha a celebração, o pessoal atirava pedra, passava gritando e perturbava bastante.


Ivan Cruz, membro do jovens em Missão

Agora todo mundo aceita e gosta, porque o JEM também visita a nossa comunidade e conversa com os jovens daqui. Tudo ficou normal. Depois que conheci o Pe. Sandro, o Ivan e a Igreja católica, eu me senti com mais harmonia interior, mais amor, mais alegria. Antes eu era evangélica e não experimentava nada disso”.

O Pe. Sandro percebeu o carinho e a abertura do povo e questionou:

- “Por que eles precisam ir lá para o centro da cidade, se têm vergonha de ir à Missa, uma vez que se sentem humilhados perante o pessoal da cidade? Por que não formamos uma comunidade aqui?”. Assim surgiu o projeto da construção da igreja Santo Expedito, no Alto da Bela Vista. “A construção dessa igreja não está sendo fruto da idéia de um Pe., mas de uma necessidade da comunidade querer se encontrar e celebrar sua fé”, relata Pe. Sandro.

Faça Parte deste Projeto

“A Ajuda à Igreja que Sofre desperta em nós o dom da solidariedade e isto faz com que possamos abrir o nosso coração. Se nós pudemos comprar material, se estamos construindo uma igreja, é porque pessoas que não me conhecem, que não conhecem o pessoal aqui da comunidade, colaboraram com aquilo que, talvez, tiveram de calcular direitinho para fazer a doação. Então, acho que isso abre o coração e a vida dessas pessoas para novos horizontes.

Elas nunca estiveram aqui em Rio Formoso, mas, por meio da doação feita à AIS, passaram a fazer parte deste lugar. Indiretamente, estão presentes na vida de cada homem, de cada mulher, de cada jovem e criança que foi carregar tijolo, areia e cimento. A AIS permite que as pessoas possam ajudar aqueles que mais sofrem, onde quer que estejam. E são muitos os que sofrem neste nosso Brasil”, conclui Pe. Sandro ao agradecer e convocar todos a vivenciarem os projetos da AIS.

AIS - Ajuda à Igreja que Sofre
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Tel.: 0800.7709927
www.aisbrasil.org.br

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