Revista "MUNDO e MISSÃO"

Jovens

Durante cinco dias do mês de agosto, a cidade de Colônia, na Alemanha, acolheu milhares de jovens de 193 países. Um milhão de jovens participaram da 20a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), uma iniciativa criada por João Paulo II em 1986. Era um mar de barulhentos mochileiros, um sorriso franco no rosto e o coração cheio de esperanças, acomodando-se em praças, parques e calçadas.

A 20.ª Jornada marcou a primeira viagem apostólica de Bento XVI que, ao desembarcar no país, no dia 18, agradeceu a Deus por iniciar as suas viagens apostólicas em sua terra natal e lembrou João Paulo II, que havia marcado aquele encontro com a juventude

“Sinto-me feliz de estar entre os jovens, de apoiar sua fé e animar sua esperança. Ao mesmo tempo, estou seguro de receber algo dos jovens, sobretudo de seu entusiasmo, de sua sensibilidade e de sua disponibilidade para enfrentar os desafios futuros”, declarou.

Em navegação ao longo do rio Reno, Bento XVI instigou os jovens:

“Convido-vos a comprometer-vos sem reservas a servir Cristo, custe o que custar. O encontro com Jesus Cristo permitir-vos-á saborear interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para depois testemunhá-la à vossa volta”.

“DEIXAI-VOS INFLAMAR PELO FOGO DO ESPÍRITO”

Na catedral de Colônia, o Pontífice conclamou os jovens aos desafios dos tempos: “Agora estais aqui, jovens do mundo inteiro, representantes daqueles povos longínquos que reconheceram Cristo através dos Magos e foram reunidos no novo Povo de Deus, a Igreja, que acolhe homens e mulheres de todas as culturas. A vós, caros jovens, cabe hoje a tarefa de viver o sopro universal da Igreja. Deixai-vos inflamar pelo fogo do Espírito, a fim de que um novo pentecostes possa realizar-se entre nós e renovar a Igreja. Através de vós, os que têm a vossa idade, de toda parte da Terra, chegam a reconhecer em Cristo.

A verdadeira resposta aos seus anseios e se abrem para acolher o Verbo encarnado, que morreu e ressuscitou, a fim de que Deus esteja no meio de nós e nos dê a verdade, o amor e a alegria que todos desejamos”. A Igreja entende que é preciso ensinar aos jovens, que não testemunharam os horrores das guerras, a condenarem toda forma de discriminação entre os homens ou perseguições perpetradas por motivos de raça, de cor, de condição social ou de religião. E isto se torna mais urgente, “uma vez que hoje, infelizmente, emergem novamente sinais de anti-semitismo, de fundamentalismos e várias formas de hostilidade generalizada contra estrangeiros”, frisou o Pontífice.

VIGÍLIA EUCARÍSTICA

Novamente com os jovens, durante a longa vigília eucarística do sábado, dia 20, Bento XVI, perante o Santíssimo Sacramento, refletia sobre a visita dos Magos ao recém-nascido: “Caros amigos, esta não é uma história distante, acontecida muito tempo atrás. Esta é presença. Aqui, na Hóstia sagrada. Ele está diante de nós e no nosso meio. Como outrora, esconde-se misteriosamente em um santo silêncio e, como outrora, justamente assim revela o verdadeiro rosto de Deus. Por nós Ele se fez grão de trigo, que cai na terra e morre, e transforma-se em fruto que leva até o fim do mundo. Ele nos convida à peregrinação interior que se chama adoração. Coloquemo-nos a caminho para esta peregrinação e peçamos a Ele que nos guie”.

O papa insistiu que quem descobriu Cristo deve levá-lo aos outros: “Uma grande alegria não se pode reter para si. É preciso transmiti-la”. A enorme multidão de jovens que acorreu à 20a JMJ demonstrou que também tem sede de espiritualidade. Cabe à Igreja desenvolver uma pedagogia adaptada a este universo idealista, criativo, generoso.

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