Revista "MUNDO e MISSÃO
Leigos
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Semeadora de dignidade Mônica Santana Minha história é uma vida de trabalho e luta para sobreviver e mudar a realidade. Sou a mais velha de uma família de cinco irmãos, nascida e criada na República Dominicana. Meu pai, operário, morreu quando eu ainda era criança. Minha mãe, de origem campesina, me ensinou desde cedo que para viver eu tinha que seguir em frente. Nasci em La Romana, uma região açucareira, cuja luta sindical do povo me marcou muito. Logo aprendi que a moral, o compromisso e a justiça devem sempre estar presentes nas nossas vidas e não são passíveis de negociação. Ainda na adolescência, a chegada de um padre italiano na nossa comunidade me ajudou a ver o mundo de forma diferente. Ele chegou trocando o latim e o órgão - que tocava uma música quase fúnebre - pelos tambores e pelo merengue. Mulheres campesinas - Começamos a ir aos bairros mais pobres, e eu descobri que muitos jovens não sabiam ler, que muitas famílias tinham me-nos do que a minha. Passei a sonhar em ser professora e, junto com o padre, montamos uma escola no bairro. O nosso primeiro trabalho foi de alfabetização, mas um compromisso foi trazendo outro. Até então, eu achava que as pessoas eram ricas ou pobres por sorte ou azar. Mas, a partir dali, fui percebendo uma realidade social, que a maioria do nosso povo vivia mas não decifrava. Culpava a Deus por algo que era responsabilidade apenas dos seres humanos. A mobilização foi aumentando e propus a criação de um sindicato de professores - a única organização existente era um grupo que se reunia, cada vez que um professor morria, para fazer a coleta do enterro. Continuei lá até os anos 70, quando me convidaram para trabalhar numa região rural no sul do país. Em seguida, fomos percebendo a realidade das mulheres e começamos a discutir com elas os seus direitos. Na época, por exemplo, elas não podiam ser titulares da terra, mesmo que os maridos tivessem morrido. Nasceu, assim, a primeira organização de mulheres campesinas no meu país, a Confederação Nacional de Mulheres Campesinas. Compromisso de todos - Com o decorrer dos anos, nos demos conta de outra questão essencial: a negritude. Meu país é predominantemente negro, mas não se reconhece como tal. Nossas famílias nunca nos falam da nossa Mãe África, mas apenas da Mãe Espanha. Começamos então a articular uma rede de mulheres negras da América Latina e do Caribe. Em 1992, aconteceu o primeiro encontro dessa rede. Foi um marco para o movimento feminista. Entretanto, alguns anos depois, meu país começou a viver um processo de desesperança, que também me afetou. Decidi viajar aos Estados Unidos para ver a situação de outro ângulo e, há sete anos, moro em Nova Iorque. Lá, acabei encontrando vários abusos e desigualdades contra os imigrantes. Decidi então voltar a participar da organização do meu povo e tenho me dedicado a diferentes campanhas pelos direitos dos imigrantes. Também acabamos de criar o Centro de Trabalhadores Latinos. Acredito que todos têm uma missão e eu assumi a minha:
lutar pela justiça e por um mundo melhor. Depoimento à jornalista Immaculada Lopez |
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