Revista "MUNDO e MISSÃO
Leigos
Oito jovens, de ambos os sexos, após uma adequada preparação
com o Pime em Milão, quiseram dedicar suas férias de verão
à Índia, ajudando as irmãs da caridade de Madre Tereza. Parto para Calcutá. Não sei bem o que me espera e as poucas informações que tenho são fruto de leituras de livros de turismo e da biografia de Madre Tereza de Calcutá. Somos oito e nos encontramos no Pime de Milão, para nos prepararmos para a aventura. No começo, foi um verdadeiro pesadelo. O calor massacrante, a umidade insuportável, a poluição, os urubus que voam a um centímetro de sua cabeça, os cachorros vadios e sempre famintos, o esgoto a céu aberto, a sujeira e o lixo amontoado em todos os cantos, a monção que, a cada dez minutos, descarregava a sua fúria impetuosa. Porém, o que mais importa são as centenas de milhares de pessoas que vivem nas calçadas, que da estrada fizeram as suas casas e do lixo sua principal fonte de sustento.
Em seguida, conheço as irmãs de Madre Tereza, as missionárias da caridade. Os indianos as estimam muito e têm por elas um profundo sentimento de gratidão. Aí me convenço que não se pode ficar indiferente, porque a fé, a felicidade, a força e a doçura que delas emanam, desarmam qualquer um. Aconselhada pelo irmão Pascal e pelas irmãs, começo meu trabalho em Daja Dan, uma das casas de acolhida para crianças menores abandonadas e deficientes físicas. As tarefas são as de sempre e simples: dar-lhes banho, comida, vesti-las e ajudá-las a fazer exercícios de recuperação física. As irmãs são ótimas professoras e me ensinam como ajudar as crianças defeituosas. Para as crianças, eu me torno aunty, ou seja, tia.
Por três ou quatro tardes, vou a Nirmal Hriday em Kalighat. É a casa do moribundo, a primeira fundada por Madre Tereza. As pessoas que agonizam nas calçadas e são recusadas pelos hospitais, porque não têm como pagar, são recolhidas pelas irmãs e pelos voluntários que as trazem aqui para ter um mínimo de assistência. Muitas delas morrem depois de pouco tempo de permanência, por outras causas, como câncer, pneumonia, tuberculose, infecções e desnutrição. Outras conseguem se salvar e são liberadas. E é grande a alegria ao vê-las sair com as próprias pernas. Lições de humildade Aqui aprendo a fazer pequenos curativos com a supervisão dos médicos e a dizer algumas palavras em bengalês. A grande lição de humildade que recebo, nas duas casas e também nas ruas da cidade, leva-me a me questionar o tempo todo.
Assim entendo o que Madre Tereza repetia continuamente: Não grandes coisas, mas pequenos gestos feitos com amor, com muito amor. Nestes lugares, percebo que se vive esta grande verdade: amar indistintamente, livremente, simplesmente, no mesmo modo como Cristo nos amou e nos ama! Muito a levar para casa Chegou a hora de voltar para casa. A mala não está muito pesada. Lá estão algumas lembrancinhas para meus pais e os amigos. Mas o que está rico é o meu coração, que nunca poderá esquecer as mãos, os sorrisos, as vozes, os gestos, o modo deles de ser e de viver. Considero-me afortunada, porque levo muitas experiências positivas: entendi como deverá ser a minha vida no futuro, aquilo que um dia ensinarei aos meus filhos. |
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