Revista "MUNDO e MISSÃO

Leigos

Ano internacional do
Voluntário

"O que VOCÊ FAZ BEM, pode fazer BEM PARA ALGUÉM"

O ano que vai mudar o mundo

Hélio Pedroso

A ONU escolheu 2001 como Ano Internacional do Voluntariado. Assim, ao mesmo tempo que presta uma homenagem a todos aqueles que, espontaneamente, carregam sobre si mesmos as necessidades dos outros, estimula e apresenta uma forma de solidariedade humana tão necessária aos nossos tempos

VOLUNTARIADO, uma mão estendida

O voluntariado envolve milhões de pessoas de todas as idades e classes, em todos os campos de atividade e em todos os países. Na Igreja, tem sido sempre uma marca, um sinal de caridade e amor ao próximo, mandamento fundamental do cristianismo. Mas não é só no âmbito religioso que vemos seu desenvolvimento: desde a década de 50, vem-se notando uma notável expansão desse espírito de abertura e escuta às necessidades dos outros, através da organização de grandes sociedades, pequenos grupos e até Ongs. Os campos de ação são os mais variados: desde a ecologia à assistência às pessoas marginalizadas em todo o mundo. O que, às vezes, nasce de um problema local acaba se tornando a causa de milhões de pessoas que, com um desinteressado ideal, decidem agir com o intuito de melhorar a sociedade humana e o mundo.

Quem é o voluntário?

Conforme as estatísticas, 70% desses milhões de pessoas engajadas seriam jovens com menos de trinta anos, na grande maioria, mulheres. Em geral, estão ligados a uma associação ou entidade e comprometem-se a dar algumas horas por semana ao serviço voluntário. Há também aqueles que se dedicam por um período mais longo, até por anos, engajando-se em missões ou em trabalhos mais específicos, atuando como médicos, enfermeiros, professores e técnicos ou ajudando nas calamidades e situações dramáticas.

Centro de Voluntariado de SÃO PAULO
Contato.: Maria Amália Muneratti
End.: Av. Paulista n.º 1313 - Sala n.º 460
São Paulo - SP - 01311-923
Tel.: 0XX-11-284-7171 / 288-9056
e-mail: cvsp@uol.com.br

Trabalham em todos os campos da marginalização social, como crianças abandonadas, aidéticos, deficientes, enfermos,migrantes e imigrantes, presos e pobres, mas também protegem o meio ambiente, divulgam a cultura e outras atividades.

O que faz o voluntário?

O voluntário diferencia-se dos profissionais que agem nos mesmos campos por uma especificidade fundamental: ele é uma pessoa que atua de maneira desinteressada, responsável e sem nenhuma remuneração pelo serviço prestado. É alguém marcado por um grande ideal de solidariedade, visto que a ação voluntária é realizada em benefício da comunidade e responde a uma precisa vontade de servir para melhorá-la, tornando-a mais digna, mais humana, menos carente e marginalizante.

A gratuidade de seu serviço brota de três anseios: ser autônomo diante da burocracia das organizações estabelecidas; participar da construção social e ser solidário com a sociedade e os indivíduos carentes. Nas ações do voluntariado, estão implícitos valores humanos, mas também realizações individuais importantes: o voluntário cresce pessoal e emocionalmente porque, enquanto ajuda a melhorar a vida dos outros, realiza-se como ser humano. Assim, o voluntariado, especialmente para os jovens, é uma verdadeira escola de vida e cidadania.

Voluntariado e Igreja

A Igreja, devido a seus valores e ao alto conceito da caridade, sempre foi um lugar privilegiado do voluntariado, com múltiplas possibilidades de serviço: catequistas, agentes da Pastoral dos Doentes, da Criança (entre tantas outras), aqueles que cuidam dos pobres, que acolhem os migrantes, que resgatam crianças nas ruas das grandes cidades, que recuperam os drogados, são também voluntários que se dedicam por amor ao próximo.

Nos últimos anos, também na Igreja houve uma mudança na maneira de fazer voluntariado, levando-a a abrir-se cada vez mais à universalidade das emergências da sociedade moderna, tanto que os voluntários a ela ligados estão, geralmente, nas primeiras fileiras desse trabalho.

O voluntariado religioso apresenta facetas diferentes do voluntariado civil. Há um voluntariado que está mais presente nas estruturas paroquiais, na catequese e nas obras de caridade; outro, que atua mais diretamente em questões sociais problemáticas, como migrantes, prostitutas, crianças abandonadas, moradores de rua, entre outros. Mas há também o voluntariado para as missões além-fronteiras em que a pessoa, querendo ser testemunho do amor cristão que não conhece limites geográficos, junta-se a instituições missionárias para ajudar no campo da educação e da saúde, entre outros. Essa nova forma de ser voluntário, mesmo em situações altamente problemáticas, tem atraído e empolgado muita gente, sobretudo os jovens.

Voluntariado no Brasil

No Brasil, o voluntariado não é novidade. Novidade é o fato de que, também aqui, ele está se espalhando e fazendo milhares de adeptos que atuam, de forma consciente e responsável, em iniciativas de combate à exclusão social e para a melhoria da qualidade de vida.

Como em todos os países, o voluntariado não quer fazer o papel do governo nem assumir suas competências, muito menos competir com o trabalho remunerado, mas apenas exprimir a capacidade da sociedade de assumir suas responsabilidades e agir por si mesma, sem deixar tudo para os políticos.

O voluntariado no Brasil também não se limita a uma ação meramente assistencial e de apoio às populações carentes e vulneráveis, mas inclui inúmeras iniciativas para que a sociedade melhore, progrida por si mesma e não fique refém de sua própria fragilidade e deficiências . É por isso que o voluntariado brasileiro destaca-se mais por iniciativas culturais, defesa de direitos humanos e meio ambiente.

Mesmo sendo ainda pouco visível, o serviço voluntário no País começa a se organizar melhor e quem quiser fazer a sua parte já tem onde buscar apoio e orientação. Uma das opções é consultar o site: http//www.programavoluntarios.org.br/oque.html

Objetivos da ONU para o Ano Internacional do Voluntariado

Os objetivos do Ano Internacional do Voluntariado foram resumidos em quatro itens:

  1. reconhecer o trabalho dos voluntários, sua importância como elementos de desenvolvimento das sociedades marginalizadas;
  2. desenvolver uma rede internacional com a participação de todas as forças sociais, como governos, Ongs, universidades e outras organizações que trabalhem para a promoção humana e sirvam de intercâmbio de experiências e conhecimentos;
  3. facilitar medidas de apoio que favoreçam as iniciativas em prol da sociedade;
  4. promover cada vez mais o voluntariado em todos os países.

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