Revista "MUNDO e MISSÃO
Leigos
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Um prêmio Nobel para o Brasil? A Pastoral da Criança é indicada para Prêmio Nobel da Paz de 2001 O Governo brasileiro oficializou, no dia 9 de janeiro, a indicação da Pastoral da Criança ao Prêmio Nobel da Paz de 2001. Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou uma carta dirigida ao Comitê Nobel da Paz, em Oslo, Noruega, na presença da dra. Zilda Arns Neumann, iniciadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança. Organismo de ação social da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -, a Pastoral da Criança será a única indicação oficial do ao Prêmio Nobel da Paz deste ano. Centenas de prefeitos, câmaras municipais, entidades de classe e religiosas já se manifestaram solidárias à indicação e mais de 600 mil assinaturas ratificam-na . O resultado deve ser anunciado em outubro deste ano. O que é a Pastoral da Criança? É uma rede de solidariedade que combate a desnutrição e a mortalidade infantil, buscando a melhoria da qualidade de vida das crianças brasileiras. Atualmente, ela já está presente em 3277 municípios de todos Estados brasileiros, atendendo gestantes e crianças carentes, independentemente de cor, raça, crença religiosa ou política. Conforme os dados do segundo trimestre de 2000, a Pastoral acompanha, em média, 76.732 gestantes e 1.571.393 crianças carentes menores de seis anos de idade, que vivem nos bolsões de pobreza e miséria rurais e urbanos. Em 31.929 comunidades, 1.061.459 famílias são envolvidas, por mês, em programas de ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania, em favor da criança e da gestante. Essas famílias e comunidades aprendem a valorizar e trabalhar com vigilância nutricional, identificando problemas de desnutrição, estimulando o aleitamento materno, mas também com alternativas alimentares, controle de doenças respiratórias e diarréia, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de acidentes domésticos, educação essencial e outras ações que propiciam o desenvolvimento integral da criança. Além disso, a Pastoral da Criança trabalha com ações de educação para a paz: desde outubro de 1999, com o lançamento da campanha "A paz começa em casa", seus líderes comunitários passaram a realizar ações de prevenção da violência contra a criança no ambiente familiar. Mais de um milhão de famílias são orientadas, mensalmente, sobre atitudes que ajudam a melhorar o relacionamento familiar e a construir uma cultura de paz. Os 145 mil líderes comunitários, que trabalham voluntariamente, são pessoas simples, em sua maioria mulheres, às vezes analfabetas, que vivem nas próprias comunidades e são treinadas e acompanhadas pelas coordenações da Pastoral em técnicas acessíveis de ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania que repassam às mães, familiares e demais interessados. Resultados A mortalidade infantil nas comunidades atendidas pela Pastoral da Criança está entre 12 e 17 óbitos, no primeiro ano de vida, para cada mil nascidos vivos. Segundo o relatório "Situação da lnfância Brasileira 2001", do Unicef, em 1999, a média infantil foi de 34,6 mortes, no primeiro ano de vida, para cada mil crianças nascidas vivas. Os dados da Pastoral da Criança são ainda mais significativos, se levarmos em conta alguns detalhes importantes: ela atua exclusivamente em bolsões de pobreza e miséria, onde a média de mortalidade infantil costuma ser até o dobro da taxa nacional. Entre outras conquistas, está a redução da desnutrição a 7% entre 1,5 milhão de crianças acompanhadas em todo o Brasil, contra uma média nacional que está em tomo de 16%. Esses números aproximam-se dos apresentados em países do primeiro mundo. A Pastoral da Criança ainda promove outros projetos complementares,
como Muito importante é a alfabetização de jovens e adultos, mas também os cursos destinados a líderes comunitários, famílias e membros das comunidades, com metodologia inserida no contexto das ações básicas de saúde, educação, vigilância nutricional e cidadania, no ambiente em que as famílias vivem. Atualmente, há 22.970 alunos matriculados no projeto de alfabetização. O projeto de comunicação social consiste na produção de vídeos e materiais educativos, impressos, um programa semanal de rádio, intitulado "Viva a Vida", de 15 minutos de duração, retransmitido por 1.235 emissoras em todo o País, e o Jornal da Pastoral da Criança, com tiragem bimestral de 220 mil exemplares. A REBIDIA - Rede Brasileira de Informação e Documentação
sobre a Infância e Adolescência - visa à qualidade
de informação para a implementação de políticas
públicas que assegurem o bem-estar e a qualidade de vida das crianças
e Custos Apesar desse enorme trabalho social, os custos totais da Pastoral da Criança para atender todo esse universo de pessoas, durante um ano, são comparados aos gastos que o governo tem com 108 dias de um único hospital federal. Equivale a menos de um real por criança ao mês. Os principais parceiros da Pastoral da Criança são o Ministério da Saúde, que arca com mais de 70% dos recursos utilizados pela entidade, e o Criança Esperança (Rede Globo- Unicef), que repassa anualmente à Pastoral 27%16 de toda a sua arrecadação. Fatos marcantes Milhares de crianças que chegam aos líderes comunitários em condição precárias - muitas delas em extrema desnutrição - e até mesmo desenganadas pelos médicos, pouco tempo depois, estão recuperadas. Os líderes da Pastoral da Criança presenciam verdadeiros milagres que ocorrem com freqüência nas comunidades. E tudo por uma questão de boa vontade, de atenção, de cuidados muito básicos. Mensalmente, todas as crianças acompanhadas pela Pastoral da Criança
são A Pastoral da Criança, através de sua fundadora e coordenadora nacional, dra. Zilda Arns já recebeu 34 condecorações de organizações como UNICEF, UNESCO, OPAS - Organização Pan-Americana de Saúde -, Lions Clube, Rotary Clube e outras entidades. Os primeiros passos Na década de setenta, o trabalho social nas paróquias, sobretudo naquelas do interior, já era intenso: padres, leigos e voluntários procuravam reunir forças e idéias para tentar melhorar a situação precária das famílias mais pobres. Foi nesse contexto que apareceu Zilda Arns Newmann, mais especificamente Florestópolis. Esse pequeno município paranaense sobrevivia em função da Usina de Açúcar de Porecatu e a maioria dos habitantes eram bóia-frias. Isso prejudicava muito as crianças: na safra, elas trabalhavam junto com os pais no corte da cana ou ficavam abandonadas em casa e, na entressafra, migravam com eles para outras cidades, em busca de trabalho que assegurasse a sobrevivência familiar. Alguma coisa precisava ser feita e não faltaram voluntários para enfrentar a situação, apresentando saídas não sofisticadas mas simples e ao alcance de todos. O trabalho da dra. Zilda foi organizar os voluntários e voluntárias, incentivando-os com ideais e descobertas eficazes, preparando-os para atuara de forma eficiente. Em muitos povoados e comunidades carentes, os voluntários da Pastoral da Criança são os únicos agentes de saúde que o povo conhece. A indicação ao Prêmio Nobel nada mais é que um justo reconhecimento do trabalho realizado pelos 145 mil voluntários. Uma verdadeira força de mudança na solidariedade brasileira. A sede nacional da Pastoral da Criança está situada em
Curitiba, à Rua Jacarezinho n.º 1.691 |
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