Revista "MUNDO e MISSÃO"

Missão Urbana

s grandes centros urbanos parecem desprovidos da possibilidade de missão. É como se as cidades se bastassem por si sós, como se os serviços públicos e a tecnologia fossem suficientes para prover todas as necessidades. Porém, essa idéia é irreal; existe uma carência humana e espiritual que assola os grandes conglomerados. Os hospitais estão cheios de pessoas que necessitam mais do que cuidados médicos e remédios. Precisam de alguém que lhes dê atenção, carinho, esperança e consolo espiritual.

Muitos habitantes de favelas estão à margem da sociedade, não conhecem direitos e deveres. Não sabem de sua condição de cidadãos e de filhos de Deus, necessitam de orientação. As crianças, abandonadas à mercê da própria sorte, carecem de educação, alimento, roupa, família e amor. Muitos idosos são descartados, sem o devido reconhecimento pelo trabalho que já fizeram, são colocados de lado, como um peso, quando necessitam de assistência afetiva e familiar, atenção, paciência, lazer e cuidados.

INICIATIVAS

Felizmente, toda essa carência missionária começa a ser percebida por muitas pessoas. Principalmente por leigos que, movidos por sentimentos de solidariedade, procuram vivenciar uma espiritualidade para responder à vocação a que foram chamados. Os institutos religiosos têm se preocupado em atender as pessoas que buscam um aprofundamento espiritual para servir melhor. Um exemplo são os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, voltados a profissionais de várias áreas: saúde, educação, direito, bem como aos agentes de diversas pastorais. Na área da educação também já se sente um despertar para a formação da consciência missionária urbana nos alunos, com os projetos de voluntariado e experiências de fraternidade, desenvolvidos em diversos colégios. Nas universidades também. A São Camilo, de São Paulo, oferece um curso de mestrado em bioética e pastoral da saúde.

As conferências vicentinas, fundadas pelo leigo Frederico Ozanan, mantêm diversas entidades assistenciais pelo Brasil adentro. Surgem também iniciativas particulares: movidas pelo desejo de fazer o bem, muitas pessoas se propõem a trabalhos voluntários. As irmãs Sonia Maria e Salete de Cássia Piovesani, donas de casa, são típicas missionárias urbanas. Dedicam dois dias da semana para servir às crianças carentes e com câncer no núcleo da Santa Casa de São Paulo. Uma trabalha no Centro de Assistência à Criança Carente com Câncer e a outra, na Santa Casa. Ambos têm como finalidade levantar fundos para manter as crianças e suas famílias necessitadas materialmente. Virginia Pilastro é profissional, secretária executiva, mãe de família e missionária na Pastoral da Criança, projeto da Dra. Zilda Arns. Pelo menos dois sábados por mês, dona Virginia dedica-se à orientação de mães e gestantes.

Os exemplos se sucedem em todas as grandes cidades. Centenas de jovens brasileiros dividem seu entusiasmo e alegria com crianças, em creches e em orfanatos. Partilham o tempo, o carinho e o pão com presos, doentes, excluídos, idosos. Seus olhos brilham quando explicam seus gestos. “Afinal – dizem –, foi Jesus que nos ensinou a fazer isso!”. Perguntei a Pedro Rivas e sua esposa Regina, que também desenvolvem um trabalho missionário, se é possível um trabalho meramente humano. Responderam-me: “Sem fé e amor não existe trabalho voluntário. Sem Deus no coração nada pode ser feito”. Há muito o que se fazer no campo eclesial. As pastorais paroquiais necessitam de pessoas disponíveis. Os ministérios pastorais são instrumentos do amor evangélico de Jesus Cristo, que quer alcançar todos os corações.

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