Revista "MUNDO e MISSÃO"
Saúde
A China, a Ásia e, como sempre, a África: - eis o mapa onde se concentra a síndrome, mas o contágio não respeita as fronteiras e a ONU alerta os países ricos que compartilham um “incauto” otimismo a respeito de sua política de saúde: vocês são reféns da incapacidade dos países pobres para reduzir a infecção. Levantar barreiras, inclusive psicológicas, não serve para nada. A explicação tem o rigor de uma equação: “Os prazos de transferência internacional são inferiores ao de muitas doenças infecciosas; portanto, cada um dos 700 milhões de passageiros que anualmente transitam nas escalas de todo o mundo pode ser, sem saber, um portador da doença em escala global”. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a gripe dos frangos deixaram uma lição. Com a aids será pior, porque, apesar das inúmeras campanhas de informação, a doença continua a viajar com dois potentes aliados: o preconceito social e o abandono político. É o que ocorre na China. Oficialmente existem 840 mil soropositivos naquele país, mas as agências internacionais afirmam que o número efetivo seja muito mais alto. A ONU calcula que, em 2010, os chineses infectados pelo vírus serão 10 milhões. Recentemente, o primeiro-ministro Wen Jiabao admitiu que a situação é crítica e pediu “substanciais esforços para criar uma consciência pública sobre a questão e retardar o avanço da aids”. A agência Ásia News assinala que trágicas são as transfusões de sangue (20% dos doentes foram infectados por transfusão ilegal) e um aspecto mais grave ainda é o número de órfãos de pais mortos pela doença. Hoje, há 60 mil crianças órfãs. Em 2010, serão 260 mil. Mais de 80% vêm de famílias pobres e 50% não recebem ajuda adequada. O consumo de drogas é outro problema emergencial a ser resolvido. Calcula-se que 5 milhões de chineses sejam viciados. Os dados confirmam que 41,3% dos soropositivos contraíram o vírus com os tóxico-dependentes. Na China, como no resto do mundo, a entidade Save the Children assinalou que o contágio agrava mais a situação dos meninos, com graves riscos de discriminação social. Freqüentemente, de fato, eles são obrigados a abandonar a escola para trabalhar, levando comida para os irmãos e o pai doentes: eles não têm, portanto, a possibilidade de adquirir os instrumentos culturais para prevenir, ou enfrentar, a infecção. Mas todos os jovens correm o risco. Segundo a organização, são 700 mil os menores contagiados pela aids no ano passado. A cada minuto morre uma criança.
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