Revista "MUNDO e MISSÃO"
Movimentos Eclesiais
|
Apostolicamente FEMININO Patrizia Bergamaschi Este ano, o Movimento está comemorando 100 anos. Luta, resistência, participação, solida-riedade e encontro são algumas das metas levadas adiante por mulheres que querem viver profunda e coerentemente o apostolado dos leigos
A Ação Católica Geral Femi-nina (ACGF) nasceu na França, em 1901, com o nome de Liga Patriótica das Mulheres, para protestar contra as leis leigas e anti-religiosas da época. Dois anos depois, com o crescimento do número de participantes, promoveu-se um encontro com o papa Leão XIII, fato que só voltou a acontecer em 1996, com João Paulo II. Acompanhando o processo histórico e não insensível às suas pressões, o Movimento discute o papel da mulher na sociedade e na Igreja, luta pelo voto e pelos sindicatos femininos, reflete sobre política e cultura, organiza encontros internacionais, engaja-se na recristianização do país. (Quem vê a França atual, não sabe da grande caminhada que as mulheres tiveram que fazer para conseguir seus direitos.) Durante a Segunda Guerra, posiciona-se firmemente contra o nazismo: Hitler não conta com as mulheres, com nosso bom senso, nossa coragem, nossa fé. Hoje, milhares de mulheres francesas e estrangeiras integram o Movimento que, cada vez mais, preocupa-se com a questão feminina no plano mundial. A conscientização e a partilha das experiências da caminhada não podem ficar dentro das fronteiras de um só país. De mulheres para mulheres Movimento católico de mulheres: assim se define a ACGF, cuja missão se insere na missão da própria Igreja, ou seja, partilhar a Boa Nova, indo ao encontro de todas as mulheres, suscitando uma palavra coletiva de mulher que seja ouvida e conhecida na sociedade e na Igreja. Seu âmbito de atuação tem sido importante para a promoção individual e coletiva feminina, sobretudo quando isso significa parceria entre homens e mulheres. Aliás, só em parceria é que se pode enfrentar os conflitos mundiais e mesmo os pessoais, considerando as múltiplas realidades da vida e respeitando os caminhos das pessoas. Para que isso aconteça, a ACGF propõe lugares de acolhida, onde à luz da fé em Jesus Cristo, todas as mulheres têm direito de expor sua palavra e buscar um sentido àquilo que estão vivendo, mas também oferece os meios para que esta palavra seja ouvida. É favorecendo a partilha, o confronto e a comunicação que o Movimento se dispõe a ser sinal de amor e comunhão. De modo global, a ACGF constitui grupos de trabalho para refletir sobre a vida e o papel da mulher nas diferentes realidades, através daquilo que as próprias mulheres dizem, não através da mídia. Assim, considera-se sua atuação no espaço rural, na vida familiar, profissional, política, mas também seu engajamento em muitas instâncias eclesiais e nas questões relativas à imigração (no final do século 20, havia mais de 1,7 milhão de mulheres estrangeiras vivendo na França, em condições leigas ou não, de várias confissões religiosas e exercendo as mais diversas ocupações).
Não se negligencia também a condição da mulher que vive só, assunto difícil de ser abordado num mundo que pede sucesso e independência. Mas como enfrentar a solidão imposta por um divórcio, uma morte e até pelo próprio celibato? Não é moderno dizer que mulheres nessas condições podem enfrentar graves dificuldades econômicas, mas é a realidade e a ACGF preocupa-se com sua qualidade de vida e inquieta-se com o silêncio que se quer fazer a respeito da questão. Palavra e partilha O conhecimento e a análise das realidades acontecem, em primeiro lugar, nas equipes locais. Este é o nome da reunião de 4 a 10 mulheres, de todas as idades, meios, condições sociais e religiosas, que se encontram, na casa de uma ou de outra, para partilharem e refletirem juntas, para descobrirem a solidariedade e a diferença, deixando-se interpelar pela Palavra de Deus. Essa é a marca essencial de que o Movimento não abre mão, ainda mais porque, acolhendo mulheres de todas as religiões, as reuniões são, para muitas, o único contato com a Igreja católica.
Por sua vez, a equipe local está ligada à ACGF que organiza dias de formação, encontros, peregrinações. As responsáveis assumem o Movimento que vive de seus próprios meios: cotizações, assinaturas das revistas que editam e outras publicações. Tudo o que é partilhado nas equipes locais e depois nas diocesanas é levado à Assembléia Apostólica Geral, que decide as orientações do Movimento. O discurso é teoricamente animador, mas só dá para entender essa dimensão de comunidade das diversi-dades, quando se participa do encontro. No decurso de uma reunião nacional em Paris, pude experienciar esse profundo sentido de respeito às diferenças de cada um, porque compreendidas como sinal de rique-za e crescimento. Representando uma revista missio-nária brasileira, minha visita inesperada foi uma festa e logo me senti entre amigas, ou melhor, entre amigos, visto que havia também padres, responsáveis, lado a lado, pela comunhão do grupo. Nada, portanto, de feminismo ensandecido ou de discursos, mas uma serís-sima caminhada de mulheres, atentas e preocupadas com seu tempo, com as grandes questões mundiais, mas também capazes de escutar uma voz mais fraca e fazê-la forte. |
||||||||
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]