|
Por um mundo unido
Costanzo Donegana
Primeiro dos Movimentos eclesiais surgidos na Igreja nos últimos
decênios, o Movimento dos Focolares caracteriza-se por uma nota
fundamental: a unidade. Sua experiência é marcada por uma
abertura progressiva cada vez maior desde o âmbito da Igreja católica
ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e com pessoas de convicções
não-religiosas. Ao mesmo tempo, muitos de seus membros estão
inseridos na sociedade para a construção de um mundo unido.
O Evangelho na vida
Trento (Itália), 1943. Chiara Lubich, uma jovem de 23 anos, em
meio à tragédia da Segunda Grande Guerra, traz dentro de
si uma certeza: "O amor vence tudo!". Inicia, junto com outras
jovens, uma experiência inovadora: penetrar no Evangelho e trans-formá-lo
em vida. As palavras do Evangelho, que ela com as primeiras companheiras
lê nos abrigos antiaéreos à luz de uma vela, se iluminam.
Experimentam que o amor recíproco atrai a presença de Deus
entre os homens e realiza a unidade.
Desta experiência, nasce e se desenvolve um novo estilo de vida,
que hoje abraça milhões de pessoas. Adultos, jovens, crianças...
Um "povo" que fundamenta a própria existência em
Deus e sabe ressaltar os valores presentes em outras crenças ou
culturas.
É o Movimento dos Focolares: 17 setores, 111 mil membros e mais
de 4 milhões de simpatizantes espalhados em 198 países.
Nascido e aprovado no seio da Igreja Católica como "Obra de
Maria", é aberto a todos, reúne católicos, cristãos
de várias denominações, fiéis de outras religiões
e pessoas que não professam uma fé religiosa. Unidade entre
pessoas, classes sociais, etnias e povos. Este é o porque do Movimento
dos Focolares (em italiano significa lareira e, por extensão, lar,
ambiente de família).
Uma realização típica do Movimento são as
Mariápolis (Cidades de Maria), reuniões de pessoas de todas
as idades e classe sociais, que por alguns dias realizam uma convivência
cuja única lei é o amor recíproco. Há também
Mariápolis permanentes, cidadezinhas com casas, escolas, pequenas
empresas, que querem ser um esboço de uma sociedade renovada, cuja
base é o amor evangélico, a unidade. Nos cinco continentes
são 20 e no Brasil três: a Mariápolis Araceli, em
Vargem Grande Paulista, perto de São Paulo, a Mariápolis
Santa Maria, em Igaras-su (PE) e a Ma-riápolis Glória, em
Benevides (PA).
A Obra de Maria se expressa em movimentos, que respondem a exigências
da Igreja e da sociedade e que abrangem grande número de pessoas:
Humanidade Nova, Famílias Novas, Jovens por um Mundo Unido, Movimento
Juvenil pela Unidade e o Movimento Paróquias Novas. Novas porque
todos nutrem o desejo de renovar o próprio ambiente com a vida
do Evangelho. Atualmente o Movimento Humanidade Nova é membro consultor
do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC), com o nome de "New
Humanity".
Muitos rostos
No coração do Movimento encontram-se as focolarinas e os
focolarinos, que levam distintamente vida comum nos focolares. São
pequenas comunidades no meio do mundo, que procuram cultivar a unidade
entre seus membros, para manter sempre Jesus presente espiritualmente
entre eles. Os focolarinos formulam os três votos de castidade,
pobreza e obediência. Ao focolare pertencem também, com plenitude
de compromissso e de participação, segundo seu estado, pessoas
casadas que se sentem chamadas a uma doação total a Deus.
Desde 1956 existem os voluntários e voluntárias, leigos
que querem viver o Evangelho no mundo, para reproduzir hoje a vida dos
primeiros cristãos.
A partir de 1967, foi-se delineando a "geração nova"
(Gen) do Movimento dos Focolares: os e as Gen 2, jovens comprometidos
de forma radical a viver o Evangelho, para construir um mundo mais unido.
Em seguida surgiram os adolescentes (Gen 3), as crianças (Gen 4)
e os pequenos (Gen 5), todos animados pelo mesmo ideal da unidade.
Ao redor dos focolarinos casados, em 1967, formou-se o Movimento Famílias
Novas, que abrange dezenas de milhares de famílias com relacionamentos
novos entre cônjuges e entre pais e filhos. Ele promove a reconciliação
de casais divididos a abertura aos problemas da família na sociedade
como adoções. Em torno dos voluntários desenvolveu-se
o Movimento Humanidade Nova, que anima com o espírito de Cristo
as realidades humanas e sociais: economia, trabalho, saúde, educação,
arte, política, comunicação etc.
Em volta dos gen floresceram o Movimento Jovens por um Mundo Unido e o
Movimento Juvenil pela Unidade, com dezenas de milhares de jovens.
Também fazem parte da Obra de Maria sacerdotes diocesanos. Em torno
deles nasceu o Movimento Sacerdotal, o movimento Gen's para os seminaristas
e o Movimento Paroquial. Desde o início, o espírito do Movimento
penetrou entre os membros de muitas Congregações e Institutos
religiosos masculinos e femininos; também aqui acolhido pelos jovens
em formação (Gen Re).
Mais de 600 bispos do mundo inteiro, amigos do Movimento, pela espiritualidade
da unidade mantém viva "a colegialidade efetiva e afetiva"
entre eles, com os demais bispos e com o papa.
De muitas destas expressões da Obra de Maria fazem parte pessoas
de outras igrejas cristãs e também de outras religiões.
Assim, por exemplo, há focolarinos/as luteranos, da igreja reformada,
anglicanos, ortodoxos; o mesmo entre os voluntários, gen, sacerdotes,
bispos, etc. Há também voluntários e gen muçulmanos
e budistas e alguns focolarinos dessas religiões.
A espiritualidade da unidade
A espiritualidade proposta por Chiara Lubich traz uma novidade: é
comunitária, baseia-se no amor recíproco e na unidade. Ela
tende a realizar o desejo supremo de Jesus: "Pai, que todos sejam
um" em todos os ambientes e situações, nas igrejas,
nas religiões e na sociedade através do mandamento novo
de Jesus: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Pessoas
de todas as vocações, de qualquer idade, raça, sexo,
língua, classe social ou cultura procuram viver este estilo de
vida que faz de todos um único "povo" - parte do grande
Povo de Deus que é a Igreja - espalhado no mundo inteiro.
Ao descobrir Deus como Amor, nasce o desejo de corresponder a esse amor
fazendo a cada momento a sua vontade. As palavras do Evangelho tornam-se
palavras de um Pai, que iluminam todas as situações, revelando-se
Palavras de Vida. Para "evangelizar" totalmente a vida, no Movimento
se escolhe a cada mês uma frase da Sagrada Escritura e se procura
vivê-la: é a prática da Palavra de Vida.
O amor a Deus se exprime também no amor ao próximo, no qual
se entrevê a presença do próprio Cristo. E o amor
se difunde espontaneamente e atrai a reciprocidade, que, conforme a palavra
de Jesus, gera a presença dele entre dois ou três unidos
no seu nome (cf. Mt 18,20), isto é, que estejam prontos a dar a
vida um pelo outro.
A medida máxima desse amor é testemunhada por Jesus na cruz,
no seu grito: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".
O seu amor chegou a esse ponto. E é em Jesus crucificado e abandonado
que os membros do Movimento dos Focolares encontram razão e força
para não recuar diante das dificuldades. É ele a chave da
unidade. É a ele que encontram em todas as situações
de dor, nas dificuldades, nas tragédias, nos problemas pessoais
e da sociedade e é ele que os impulsiona a dar a própria
contribuição para resolver esses problemas.
A Eucaristia é vista como fonte dessa unidade e Maria, como cristã
perfeita, modelo de vida para quem deseja gerar Cristo espiritualmente,
hoje, no meio da humanidade.
"Esta espiritualidade comunitária - afirma Chiara Lubich -
não está ligada necessariamente ao Movimento dos Focolares:
é universal, e portanto pode ser vivida por todos. Através
dela tiveram início diálogos fecundos com todos os homens.
(...) Por meio dela, hoje, homens e mulheres de quase todos os países
do mundo, lentamente mas com decisão, estão tentando ser,
onde se encontram, germens de um povo novo, de um mundo mais unido, de
um mundo de paz, mais solidário principalmente com os "menores",
com os mais pobres".
A ATRAÇÃO DO TEMPO MODERNO
Eis a grande atração do tempo moderno: atingir a mais alta
contemplação e se manter misturado com todos, ombro a ombro.
Diria mais:
perder-se no meio da multidão,
para impregná-la do divino,
como se ensopa um naco de pão no vinho.
Diria mais:
partícipes dos desígnios de Deus sobre a humanidade,
traçar sobre a multidão recamos de luz e, ao mesmo tempo,
dividir com o próximo a injúria, a fome, os golpes, as alegrias
fugazes.
Porque a atração do nosso, como de todos os tempos,
é o que de mais humano e mais divino se possa pensar:
Jesus e Maria, o Verbo de Deus, filho de um carpinteiro;
a Sede da Sabedoria, mãe de família.
Chiara Lubich
A Palavra é: diálogo
Tendo a unidade como fim específico, o Movimento dos Focola-res
carateriza-se por uma ampla e profunda experiência ecumênica.
Ele visa a sensibilizar e formar os católicos para a unidade com
os cristãos, para levá-los a uma experiência de comunhão
fraterna com todos os membros de outras Igrejas.
Os luteranos
Em 1960 Chiara se encontrava na Alemanha para falar a um grupo de religiosas
luteranas. Três pastores presentes se surpreenderam e ficaram admirados
pelo fato de que católicos falassem do Evangelho e o vivessem tão
intensamente. Logo a convidaram a transmitir a experiência do Movimento
a suas comunidades luteranas. Nasceu entre eles e a Obra de Maria uma
fraternidade franca e autêntica, porque baseada no amor e na verdade
nunca omitida.
Surgiu daí a idéia de fundar um Centro de vida comum para
católicos e luteranos em Ottmaring, na Baviera, Alemanha, com a
bênção do bispo católico, dom Stimpfle
e do bispo luterano, o doutor Dietzfelbinger. No discurso de inauguração
do centro, o cardeal Bea lembrou que, quanto mais os cristãos de
cada denominação viverem profundamente o Evangelho, tanto
mais se aproximarão entre si, porque assim se tornam semelhantes
a Cristo.
Os anglicanos
Alguns ministros anglicanos participaram por acaso de um encontro entre
católicos e luteranos. Ficaram tocados com a atmosfera calorosa,
na qual, pelo batismo, se reconhecem como irmãos, cristãos
por muito tempo separados. Em Londres, no dia 1º de julho de 1966,
no Lambeth Palace, sede do Primaz da Comunhão Anglicana, Chiara
Lubich teve uma audiência com o doutor Ramsey, Primaz na época.
Ele lhe disse: "Vejo a mão de Deus nesta Obra" e encorajou-a
a difundir o Movimento na Igreja da Inglaterra. Também o seu sucessor,
a arcebispo Coggan, e mais tarde o doutor Runcie bem como o atual doutor
Carey, continuaram incentivando muito o Movimento.
Os ortodoxos
Em junho de 1967 o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Ate-nágoras
I, tendo tomado conhecimento do Movimento, desejou encontrar-se com Chiara.
Seguiram-se outros encontros, que estreitaram uma unidade profunda de
Atenágoras com o Movimento, ao ponto de ele desejar ser, como sempre
repetia, um simples focolarino. Pelo seu impulso o Movimento dos Focolares
nasceu e se desenvolveu entre os ortodoxos no Oriente. O Patriarca Demétrius
I, seu sucessor, e o atual, Bartolomeu I, continuam na mesma linha.
Também os membros da igreja reformada na Suiça e na Holanda,
bem como em outros países, foram atraídos pelo Movimento.
São de 300 igrejas ou comunidades eclesiais os cristãos
que aderem ao Movimento. A linha característica da Obra de Maria
no ecumenismo é "o diálogo da vida, o diálogo
de um povo formado por várias igrejas e já unido na medida
do possível agora", como afirmou Chiara num encontro entre
cristãos de várias igrejas na Inglaterra em 1996.
Com as outras religioes
O início do diálogo inter-religioso no Movimento dos Focolares
é a outorga do Prêmio Templeton 1977 para o Progresso da
religião a Chiara Lubich. Naquela ocasião, ela comunicou
a sua experiência a líderes e fiéis de várias
religiões: judeus, muçulmanos, budistas, hindus, taoístas
e sihks.
Os budistas
Em 1981, Nikkyo Niwano, único observador não-católico
no Concílio Vaticano II, fundador do Movimento budista Rissho Kosei-kai,
com mais de seis milhões de aderentes, convidou Chiara a apresentar
a sua experiência cristã a 12 mil líderes deste movimento,
em Tóquio. A este acontecimento seguiram-se inúmeras ocasiões
de contato e colaboração em várias partes do mundo,
também no Brasil.
Em 1997 o Movimento entrou em contato com alguns eminentes representantes
do monasticismo tailandês, o Grão-Mestre Ajahn Tong - uma
autoridade intenacional na doutrina budista - e o monge Thongrattana Thavorn.
Eles passaram um breve período em Loppiano, uma Mariápolis
permanente perto de Florença, Itália. No convívio
diário com as pessoas dali intuíram a essência do
Evangelho e descobriram profundas consonâncias com a vida deles.
Adquiriram um conhecimento - que definiram como novo - do cristianismo,
de Jesus crucificado, do amor cristão, da unidade como fruto desse
amor, da paz interior, que eles compreenderam como análoga ao nirvana.
Quando voltou a seu país, Thongrattana comunicou sua descoberta
a um grande grupo de seus discípulos e a outros monges.
Foi assim que, em janeiro de 1997, Chiara foi convidada à Tailândia,
onde se encontrou com o Supremo Patriarca do budismo tailandês.
Em seguida, falou a 800 jovens da Universidade Budista de Chiang Mai e
dirigiu-se também a monges, monjas e leigos que queriam conhecer
seu testemunho cristão. Apresentando-a a este grupo, o Venerável
Ajahn Tong, declarou: "O sábio não é nem homem
nem mulher, nem criança nem adulto. Quando alguém acende
uma luz na escuridão, não se pergunta quem ele é.
Chiara está aqui para doar-nos a sua luz". Chiara Lubich concluiu
sua permanência em Bancoc desafiando católicos e budistas:
"Que a alegria deste encontro seja selada pelo pacto de sermos, juntos,
um testemunho de bondade para o mundo de hoje".
Os judeus
Existe um relacionamento muito cordial entre o Movimento e os judeus
em diferentes partes do mundo: Roma, Israel, França, Estados Unidos,
Argentina, Uruguay etc. Em 1995 Chiara Lubich recebeu da nação
judaica o prêmio "Uma Oliveira pela Paz", pelo seu esforço
em construir a unidade entre as diversas religiões. Em 1997 foi-lhe
concedido o doutorado honoris causa (um dos dez que lhe foram outorgados
por várias universidades no mundo todo) em Ciências Humanas
pela Sacred Heart University de Fairfield, EUA, proposto pelo rabino Jack
Bemporad, diretor do Centro para a compreensão judaico-cristã.
Os muçulmanos
Os contatos do Movimento dos Focolares com o Islã começaram
em 1964, em Roma. Pouco tempo depois, alguns focolarinos se transferiram
para a Argélia a fim de dar continuidade àquele primeiro
contato. Atualmente há muçulmanos amigos do Movimento em
cerca de vinte países da África, do Oriente Médio,
da Ásia, da Europa e das Américas.
Um dos relacionamentos mais interessantes abriu-se recentemente com os
Muçulmanos afro-americanos dos Estados Unidos. Em maio de 1997
Chiara Lubich foi a Nova Yorque para encontrar-se, em Harlem, com W.D.
Mohammed, fundador do American Muslim Mission e, na Mesquita Malcolm Shabazz,
diante de três mil muçulmanos, ressaltou os pontos em comum
entre o islamismo e o cristianismo. Um momento forte de diálogo,
um encontro íntimo entre cristãos e muçulmanos, entre
brancos e negros. Com W.D. Mohammed estabeleceu um pacto: "Trabalhar
sem tréguas pela paz e pela reconciliação."
W.D.Mohammed assim comentou seus encontros com Chiara Lubich: "Sentimo-nos
realmente bem, vendo que essa grande senhora leu o Alcorão e afirmou
coisas sobre a nossa religião que eu mesmo poderia ter dito(...).
'Nós jamais entraremos no paraíso se não tivermos
fé, e jamais teremos fé se não vivermos o amor recíproco'(Alcorão):
essa é a religião".
Os "amigos"
O Movimento dos Focolares estabeleceu um diálogo aberto também
com pessoas de convicções não-religiosas. No respeito
recíproco, acima de qualquer diferença, trabalha-se juntos
pela paz e pela concretização dos direitos humanos, para
criar relacionamentos de fraternidade e de solidariedade, para promover
a civilização do amor.
Eis algumas declarações destas pessoas depois de congressos
específicos para eles.
"Este congresso representou uma etapa fundamental no processo de
diálogo entre 'amigos'. Agora tudo é muito mais simples
e se consegue conversar melhor. É o momento de não falar
mais de 'quem crê e quem não crê', mas de dizer apenas
'amigos' e basta" (Salvatore, Itália).
"É verdade que tomamos caminhos diferentes, mas o fato decisivo,
a motivação que nos impele é sempre a 'causa do homem'
e do amor ao próximo" (uma jovem alemã).
"Gostei muito quando Chiara disse que somos um único povo,
que o setor do diálogo e todo o resto do Movimento dos Focolares
não devem ser duas coisas separadas, mas devem ser uma única
coisa" (um jovem).
Os Focolares no Brasil
A participação de alguns brasileiros nas primeiras Mariápolis
da Itália nos anos Cinqüenta, uma viagem dos pioneiros dos
Focolares ao continente americano, um pouso de emergência na cidade
de Recife... são os elos iniciais da história do Movimento
no nosso país, que começa em 1959.
A semente germina e a Obra de Maria difunde-se por todo o território
brasileiro, contando atualmente com 34 focolares, presentes em 16 Estados.
Os membros do Movimento no país são cerca de 200 mil. No
seu empenho de construir um mundo unido e impulsionados pelo amor que
vai ao encontro dos mais pobres, eles deram vida a mais de 200 obras de
promoção humana.
Na Mariápolis Araceli encontra-se a sede da editora e da revista
mensal Cidade Nova, que visam difundir a idéia-força dos
Focolares: a unidade. No mundo o Movimento tem 33 editoras e 35 edições
da revista, publicadas nas mais variadas línguas.
Chiara Lubich veio várias vezes ao Brasil. A última visita
foi no ano passado. Além de vários encontros com membros
do Movimento, teve contatos significativos com a Igreja e a sociedade.
Foi agraciada com o título de doutor honoris causa pelas Universidade
Católicas de São Paulo e Pernambuco, com a Medalha de Honra
ao Mérito pela Universidade de São Paulo (USP) e com a Ordem
do Cruzeiro do Sul da Presidência da República.
Na sociedade
Economia de comunhão na liberdade
O ano de 1991 marca uma nova etapa na história do Movimento dos
Focolares. Chiara Lubich veio ao Brasil e, penetrando mais profundamente
nas situações muitas vezes dramáticas do povo, lançou
uma proposta nova: a economia de comunhão na liberdade. Desde o
início do Movimento, a inspiração da unidade levou
à pratica da comunhão dos bens, no intuito de resgatar a
vida das primeiras comuidades cristãs, que "tinham tudo em
comum (...) e não havia necessitado entre eles" (At 4,32.34).
Quase 50 anos de experiência levaram a um novo estilo de vida, a
uma nova cultura, denominada a "cultura da partilha".
O quadro social brasileiro, com seus contrastes de opulência e de
miséria, provocou um salto de qualidade naquela comunhão
de bens. Chiara Lubich lançou um desafio: passar de uma comunhão
de bens em nível pessoal para uma comunhão de bens em nível
empresarial. Concretamente, os lucros produzidos pela atividade econômica
são colocados em comum e repartidos segundo três finalidades:
para ajudar os necessitados, para o reinvestimento na própria empresa
e para a formação de "homens novos", porque sem
homens novos não se faz uma sociedade nova. Atualmente são
mais de 700 as empresas, grandes e pequenas, de todo o mundo, das quais
99 estão no Brasil, que já aderiram à proposta da
economia de comunhão. Desse novo modo de agir econômico se
passou em pouco tempo a uma reflexão cultural com base na experiência
das empresas: 43 teses e monografias analisando a economia de comunhão
sob várias perspectivas já foram defendidas no mundo inteiro.
Congressos e seminários, pesquisas interdisciplinares nas universidades
demonstram o crescente interesse por essa novidade.
A economia de comunhão tem um alcance que extrapola a distribuição
dos lucros aos pobres e a formação de "homens novos":
ela desenvolve uma nova cultura da partilha e solidariedade. Surgiu um
movimento mundial de troca recíproca de dons, onde cada um compartilha
aquilo que possui - bens e necessidades -: empresários que comunicam
conhecimentos guardados ciosamente, trabalhadores respeitados na sua dignidade
e envolvidos nas decisões e nos objetivos solidários da
empresa, pobres que recomeçam a construir sua vida com suas próprias
capacidades.
Unidade na política
Em 1996 nasceu em Nápoles, Itália, a última realização,
o "Movimento da Unidade", que atua na política com a
finalidade de unir pessoas de diferentes partidos e forças políticas.
Seu objetivo não é fundar outro partido único, mas,
permanecendo fiéis às próprias opções
de atuação - procuram ajudar-se na tomada de posições
comuns para a salvaguarda dos valores do homem e do bem comum.
O "Movimento da Unidade" conta na Itália com mais de
200 pessoas eleitas (das câmaras municipais ao Parlamento nacional),
tanto na maioria como na oposição; outras mil estão
engajadas em todos os partidos. Mas a iniciativa não parou na Itália,
chegando a outros países europeus, às Filipinas, ao Brasil
etc. Está começando a realização de um sonho
de Chiara de 1959: "Amar a pátria do outro como a própria".
Também neste caso o Movimento dos Focolares procura, a partir do
carisma da unidade, servir a humanidade na construção de
um mundo unido. Pessoas e entidades significativas o estão reconhecendo:
o Prêmio Internacional para a Educação à Paz
(1996) da Unesco e o Prêmio Europeu pelos Direitos do Homem (1998),
do Conselho da Europa, conferidos ao Movimento na pessoa da sua fundadora,
Chiara Lubich, são testemunha disso.
|