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Faltam milhões de mulheres
Pelas projeções das estatísticas destes últimos
anos sobre a população mundial, estariam faltando 60 milhões
de mulheres e meninas, mortas pela violência doméstica, deliberadamente
ou abandonadas à mingua. Esse número corresponderia a pouco
mais de duas vezes a população do Estado de São Paulo.
Esses dados aparecem num relatório patrocinado pelo Unicef e publicado
pelo Instituto de pesquisa Inocenti de Florença, Itália,
em 30 de maio. Nele, afirma-se que a violência contra as mulheres
e as meninas já assumiu proporções de uma epidemia
mundial difícil de combater porque, geralmente, isso acontece dentro
da família e ninguém quer denunciar, mas, pelo contrário,
esconder.
O relatório foi preparado para constatar se houve um avanço
nos direitos da mulher, conforme recomendação da IV Conferência
sobre as Mulheres que aconteceu na China em 1995, tendo sido discutido
na Assembléia Geral da Onu entre os dias 5-9 de junho deste ano.
A conclusão, infelizmente, é pouco animadora e até
pessimista: a violência aumentou em quase todos os países.
As formas da violência exercida contras as mulheres são múltiplas:
aborto programado por lei (como na China, por causa da política
do filho único); aborto provocado quando se descobre que o feto
é feminino; abandono da recém-nascida para que morra de
fome, e outras maneiras de eliminação, práticas toleradas
em países paupérrimos, onde a menina, pela cultura tradicional,
é considerada mais um peso que uma ajuda para a família.
Fome, torturas, venda de meninas para a prostituição, proibição
para que sejam atendidas nos hospitais, exclusão das escolas, prostituição
forçada e trabalhos pesados acima das suas forças são
outros meios para eliminar física e psicologicamente as mulheres.
O relatório revela também que somente 44 países,
sobre 192, têm uma legislação que deveria punir os
agressores contra as mulheres, entre esses, 12 são latino-americanos.
No Brasil, embora haja numerosas delegacias da mulher, são poucos
os crimes que, de fato, conseguem ser punidos, inclusive porque as próprias
vítimas têm medo dos agressores e nem sempre são respeitadas
pelas autoridades policiais.
Outro dado é que a violência é comum em qualquer cultura
e não somente nos países pobres. Nos Estados Unidos, por
exemplo, 28% da população feminina declaram ter sofrido,
pelo menos uma vez na vida, uma agressão física. No Canadá,
29% também já foram vítimas de agressões em
particular na adolescência. Os números, porém, são
mais dramáticos em países como na Rússia, onde 25%
de 172 meninas entrevistadas - contra 11% de 174 meninos - sofreram violência
sexual entre 14-17 anos.
Algumas sugestões são apresentadas para amenizar a situação,
como a necessidade de uma legislação apropriada que todos
os países já deveriam ter; um maior e melhor contingente
de pessoas, em delegacias e tribunais, para amparar as mulheres vítimas
de violência; um pessoal especializado e multidisciplinar para atender
as várias necessidades das mulheres e meninas violentadas.
Tipos de violência contra mulheres e meninas
Fase da vida Tipo de violência
· Pré-nascimento aborto seletivo
· Infância infanticídio, abuso sexual, físico
e psicológico
· Puberdade casamento forçado, mutilação dos
órgãos genitais, abusos sexuais, incesto,
prostituição e pornografia
· Adolescência abusos sexuais, incestos, violência
sexual, prostituição, pornografia, tráfico de
mulheres, homicídio por parte dos familiares, torturas e mutilações,
raptos,
suicídios e trabalhos forçados
· Idade madura Suicídio forçado ou homicídio
das viúvas por causas econômicas; abusos
sexuais, físicos e psicológicos
Fonte: Violência contra a Mulher - Inocenti digest/ Unicef
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