Revista "MUNDO e MISSÃO"

Mulher

A Porta-voz
da identidade Curda

por Davi Costa

la foi libertada no dia 10 de junho passado, depois de quase 11 anos de prisão. É o símbolo da identidade curda na Turquia. Leyla Zana nasceu em 1961, em Bahce, uma aldeia do Curdistão. Hoje, essa aldeia não existe mais. Foi destruída pelo exército turco e seus habitantes migraram para outros lugares da Turquia ou do mundo. Leyla se casou muito jovem com Mehdi, o esposo escolhido pelo seu pai, conforme a tradição da aldeia. Mehdi, vinte anos mais velho do que ela, revelou-se uma pessoa culta e sensível, defensor dos direitos dos curdos.

Inicialmente, ele pediu a Leyla, até então analfabeta, que estudasse para poder sair da situação de dependência em que se encontra a mulher naquela cultura. Mudaram-se para a antiga capital curda, Diyarbakir. Leyla se formou, teve um casal de filhos e começou a lutar com o marido pela afirmação dos direitos das mulheres e de seu povo. Em 1977, Mehdi foi eleito prefeito da cidade. Três anos depois aconteceu o golpe militar na Turquia e ele foi destituído e condenado a 36 anos de prisão.

Foi anistiado em 1991, para voltar de novo à cadeia, pelo período de um ano, entre 1994 e 1995. Leyla, com os filhos, seguiu o marido em todas as cidades para as quais foi transferido. Neste período, converteu-se em porta-voz das mulheres que tivessem maridos, filhos ou irmãos na prisão. Nos anos 90, fundou uma das primeiras revistas em idioma curdo, que o governo turco fechou. Em 1991, abriu-se na Turquia um breve período de tolerância e o governo deu a possibilidade aos curdos de terem representantes no Parlamento.

Leyla Zana candidatou-se e foi eleita com 84% de votos do seu distrito. Mas, em 1994, a situação se endureceu e ela, com mais três parlamentares curdos, foram jogados na prisão, da qual saíram no último mês de junho. O Parlamento Europeu lhe outorgou, em 1995, o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.

Mulher, mãe e parlamentar

“Há nove anos, nosso país era um lago de sangue. Não havia diálogo. Havia os mortos, o sofrimento pelos mortos. E apenas um diálogo entre surdos e cegos. Nós chegamos ao Parlamento a partir desses sofrimentos. Nós queríamos deter o sangue que corria. Nós quisemos ser os representantes do amor e da fraternidade. Eu sou, em primeiro lugar, mulher; em segundo lugar, mãe; por último, sou uma ativista política. Meu coração bate primeiro para a mãe e os filhos.

Hoje nós precisamos muito da fraternidade. Nós queremos, em primeiro lugar, a fraternidade dos curdos e dos turcos. Só o amor pode curar as feridas da guerra, que durou quinze anos [...]. A beleza do arco-íris é que ele chega depois da chuva e que é rico em diferentes cores. Nós podemos dançar sob o arco-íris. Os direitos humanos são como a possibilidade de, todos juntos, dançarem com muitas cores diferentes”.

(Do discurso de Leyla durante o processo)

“Saímos de um caminho muito longo e difícil, que enfrentamos entre muitas dificuldades e com orgulho[...]. Começou um novo período para este país, é o período da fraternidade [...]. Se os povos se tornarem irmãos e se derem as mãos: curdos, turcos, árabes, circassianos poderão se unir com o mundo [...]. O caminho não acabou, pelo contrário, estamos só no início do percurso [...]. Deixemos de lado a amargura e trabalhemos pela paz e pela solução [...]. Trabalhemos, cada qual ciente do próprio dever de trabalhar pela paz, respeitando a igualdade de todos os cidadãos; cada um deve se esforçar para a reunificação social, de maneira a poder realizar o jardim do Éden [...].

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar