Revista "MUNDO e MISSÃO"
Papa
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por Márcio Martins
O papa fala fluentemente alemão, inglês e italiano (mas também se comunica em outros sete idiomas), além de possuir sete doutorados honorários. É o oitavo sumo pontífice alemão do Vaticano e já conta com um site em sua homenagem, o “Ratzinger boys” (jovens seguidores do cardeal) www.ratzingerpapa.splinder.com. Joseph Ratzinger adotou o nome Bento XVI em alusão à data de seu nascimento, 16 de Abril de 1927 – dia de São Bento, que foi o grande Bento de Núrcia, o fundador, no século 5, da ordem monástica dos beneditinos e santo padroeiro da Europa; e, especialmente, em reverência à figura e à vida do italiano Giacomo della Chiesa, o último papa a adotar o nome Bento. Giacomo della Chiesa foi Bento XV, entre 1914 e 1922. Em seu pontificado, dedicou-se a reorganizar a administração da Igreja Romana, a estimular as missões e, sobretudo, a negociar a paz na Primeira Guerra Mundial (empenho que lhe valeu o título de “papa da paz”). “Eu recordo o papa Bento XV, aquele corajoso profeta da paz, que guiou a Igreja através dos tempos turbulentos de guerra. (...) Seguindo seus passos, eu coloco meu ministério a serviço da reconciliação e da harmonia entre os povos”, disse Bento XVI. O papado de Bento XVI deverá ter o mesmo teor missionário de seu antecessor, com a conotação de reconquistar terrenos onde a fé católica esteja, de alguma forma, ameaçada e pretende dedicar sua liderança ao que chamou de busca pela paz. Diante dessa perspectiva, a AIS recebeu a escolha de Bento XVI como uma notícia maravilhosa, além do fato de o novo pontífice ser um homem que sempre demonstrou interesse para que haja um efetivo avanço nas questões que envolvem as campanhas de auxílio junto à Igreja perseguida e que sofre ao redor do mundo. Um dos diretores da AIS, Neville Kyrke-Smith, afirmou: “Na condição de ter pregado o Evangelho de geração para geração, Bento XVI tem uma especial conexão com aqueles que sofrem por acreditarem em Cristo”. O novo pontífice é doador da AIS, há 15 anos, e declarou, em junho de 2002, que a entidade é uma das mais importantes obras de caridade, com serviços prestados em diversos países. Na época, o cardeal Ratzinger disse: “a Obra fundada pelo padre Werenfried é um presente de Deus para nossos tempos”. “Nosso mundo está faminto e sedento para testemunhar o renascimento do Senhor, através dos homens que pregam a fé e que ajudam os mais necessitados”, acrescentou o cardeal. Ratzinger sempre buscou um fortalecimento da fé cristã, pois somente assim acredita que as injustiças e as diferenças possam ser definitivamente resolvidas. A POSSÍVEL UNIÃO ENTRE CATÓLICOS E ORTODOXOS Atualmente, a AIS mantém projetos de auxílio às necessidades da Igreja em cerca de 130 países espalhados pelos cinco continentes. Tais projetos não chegam somente a países católicos, mas atingem também países muçulmanos, protestantes e até países que não aceitam, sob hipótese alguma, a Igreja Católica e a autoridade papal, como a China. A Igreja ortodoxa da Rússia também recebe efetivo apoio da AIS, pois a entidade se mantém confiante numa futura aceitação da Santa Sé por parte dos ortodoxos russos. Neste prisma, o pontificado de Bento XVI aponta uma real perspectiva para que a unidade entre católicos e ortodoxos finalmente aconteça. Ratzinger foi, durante 23 anos, o guardião da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano (voz da ortodoxia católica), que substituiu o Santo Ofício e defende os valores da tradição católica. E isto o torna bem visto aos olhos dos bispos ortodoxos russos. Em uma mensagem enviada à agência de notícias ZENIT, o bispo Hilarion Alfeyev, representante da Igreja ortodoxa russa diante das Instituições européias, considerou que Joseph Ratzinger poderá ser o papa da unidade. “Talvez seja Bento XVI que cumpra com a histórica missão de unir católicos e ortodoxos em defesa do cristianismo frente ao desafio do secularismo militante”, reconheceu o ortodoxo. Alfeyev insistiu “na necessidade de que católicos e ortodoxos na Europa formem uma frente comum e criem uma aliança pan-européia do cristianismo tradicional para defender os valores espirituais”. Sua surpresa foi enorme ao saber que o escolhido é precisamente um defensor destas idéias. Durante a missa na basílica de São Pedro, antes do conclave, o ainda cardeal Ratzinger declarou: “Nós estamos nos dirigindo em direção à ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que tem, como seu maior valor, o ego e os desejos de cada um. (...) Nós devemos nos tornar maduros na fé, devemos guiar o rebanho de Cristo nessa fé”. Este pronunciamento se justapõe ao que os ortodoxos russos esperam de Roma: “Primeiro, que a Igreja Católica siga preservando seu ensinamento tradicional doutrinal e moral; e segundo, que o novo pontificado se caracterize por um grande avanço nas relações entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas e que aconteça o encontro do papa de Roma com o Patriarca de Moscou”, afirmou o bispo ortodoxo. Por sua parte, o patriarca ortodoxo Alexis II enviou uma mensagem a Bento XVI para felicitá-lo e espera que seu pontificado “experimente um desenvolvimento nas relações amistosas entre nossas Igrejas e um fecundo diálogo entre ortodoxos e católicos”. “Creio que é uma das tarefas mais cruciais da cristandade. Nossas Igrejas, com sua autoridade e influência, devem unir seus esforços para pregar os valores cristãos à humanidade moderna. O mundo secular, ao perder seus pontos de referência espirituais, experimenta uma necessidade sem precedentes de nosso testemunho comum. Desejo que o serviço de Sua Santidade contribua para o cumprimento desta tarefa”, acrescentou o ortodoxo Alfeyev. A AIS apóia a unificação entre ortodoxos e católicos e confia plenamente no pontificado de Bento XVI, fiel colaborador dos diversos projetos que a entidade apóia no mundo inteiro, inclusive os destinados aos irmãos ortodoxos. Por testemunhar, durante 15 anos, o auxílio concreto do então cardeal Ratzinger junto aos que mais necessitam, e por conhecer a seriedade e a devoção do seu trabalho em servir ao Senhor, a AIS faz questão de ressaltar que após o grande João Paulo II, o papa Bento XVI intensificará, ainda mais, o chamado para um diálogo de verdade e de ajuda mútua entre todas as pessoas e crenças. Um diálogo em busca da paz! Faça parte você também deste chamado, e assim como Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, colabore com os projetos da AIS para os mais necessitados. Sites: AJUDA
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