Revista "MUNDO e MISSÃO"
Pobres
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De pobre para pobre Giorgio Paleari O caminho da missão é construído na proximidade com o outro, na pobreza e na itinerância, calçando as sandálias do pescador. Há toda uma série de textos bíblicos que definem a fisionomia do discípulo. Um dos elementos é a essencialidade. "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6,33). A única preocupação do seguidor é a busca incessante do Reino, sem ter outras exigências e compromissos. Portanto, "não vos preocupeis com a vida, quanto ao que haveis de comer, nem com o corpo, quanto ao que haveis de vestir. (...) Considerai os lírios do campo, como não fiam, nem tecem. Contudo, eu vos asseguro que nem Salomão, com todo seu esplendor, se vestiu como um deles" (Lc 11,22.27; Mt 6, 25ss). Esta radicalidade de despojamento faz do discípulo um caminheiro que está preocupado somente com a busca do Reino de Deus. A essencialidade torna até secundárias as relações com pessoas familiares e queridas. Os pais, os irmãos e os amigos, até a própria vida, estão subordinados à busca do Reino de Deus (Mt 10, 37-39). A atenção constante à vontade de Deus (Mt 7,21) e o abandono nas mãos da providência (Lc 12,31) fazem do missionário alguém completamente desarmado, pobre e aberto ao futuro. Essa essencialidade traduz-se, depois, num estilo de vida pobre e despojado. "Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias pelo caminho (...). Em qualquer cidade em que entrardes e fordes recebidos, comei o que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei ao povo: 'o Reino dos céus está próximo de vós'" (Lc 10,4.8-9). Assim como o mestre, os discípulos não têm lugar para reclinar a cabeça (Mt 8,20). O evangelista Marcos enfatiza com mais força a necessidade de não levar nada e de confiar somente na força de Deus. O discípulo deve calçar as sandálias e não levar senão uma única túnica. (Mc 6,8-9). Como o mestre, o seguidor é perseguido (Mt 10,17), mas não deve temer quem mata o corpo (Mt 10,28) porque a busca do Reino vale muito mais do que a própria vida. O caminho da pobreza leva o missionário a percorrer o caminho com os pobres e os despossuídos. Pisa firme no chão das favelas e dos cortiços e torna-se a pessoa da solidariedade. Todos os seguidores serão julgados a partir da dedicação que tiverem pelos excluídos, famintos e sedentos. O juízo final, como o apresenta o evangelista Mateus, é um convite a caminhar e a dedicar a própria vida aos que não têm nada (Mt 25). Mesmo numa época em que a vida é circundada por tantas comodidades e a missão se faz difícil, a pobreza e o despojamento devem acompanhar a vida missionária. Só Deus é suficiente. A solidariedade na pobreza é parte integrante da espiritualidade missionária, apontando para o definitivo e para um reino de justiça e de fraternidade para todos. |
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