Revista "MUNDO e MISSÃO"
Política
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A HISTÓRIA DA CORÉIA DO NORTE A história do país tem muito a ver com a da antiga Alemanha Oriental. A Coréia nunca foi um país dividido. A partir de 1910, foi ocupada pelo Japão e se tornou parte do império nipônico. No fim da Segunda Guerra Mundial, começou a ser invadida pelos russos, a partir do Norte, e pelos americanos, a partir do Sul. Os dois exércitos se encontraram no paralelo 38, que até hoje constitui a fronteira entre os dois países, e assim começaram a se formar as duas Coréias. A divisão parecia provisória, destinada a durar pouco, pois a vontade dos coreanos era de viver num só país. Mas nem sempre é a vontade popular que resolve as questões. Havia muitos interesses políticos por trás de cada uma das duas Coréias: cada uma já estava ligada a uma das duas superpotências de então, a URSS (com a China) de um lado, e os EUA do outro. Cada uma dessas superpotências tentou convencer e até ofereceu armamentos para que um dos dois países ocupasse o outro. Começou assim, em 1950, a guerra que terminou só em 1953, sem vencedores nem vencidos, com um armistício que selou o paralelo 38 como a divisão definitiva entre os dois países. A partir da divisão oficializada entre os dois países, cada um seguiu rumos diferentes: a Coréia do Sul começou com governos autoritários, mas, aos poucos, evoluiu para os modelos das democracias ocidentais. Nas últimas décadas, conheceu um desenvolvimento econômico e social excepcional. A Coréia do Norte seguiu o caminho dos países de orientação marxista, com economia coletivizada, que nunca chegou a decolar e nunca permitiu que o país se tornasse autônomo, precisando sempre de ajuda em gêneros alimentícios que vinha da União Soviética. O sistema político da Coréia do Norte caracterizou-se pelo culto da personalidade. O chefe de Estado foi Kim Il Sung, que ficou no poder de 1947 a 1994; depois de sua morte, sucedeu-lhe o filho, Kim Jong Il, que governa até hoje. FOME, CARESTIA E MORTE
Nem a indústria, à exceção da bélica, nem a agricultura coletivizada deram certo. Quanto à produção de alimentos, uma seqüência de acontecimentos não previstos precipitaram ainda mais a situação já precária. Além das ajudas da URSS que pararam de chegar, por motivos óbvios, uma série de fenômenos climáticos adversos, como secas e inundações, deixou o país numa situação de fome extrema, com perigo de morte para muitas pessoas, caso não chegassem alimentos de outros países. Calcula-se que o país tenha perdido, desde 1995, cerca de 2,5 milhões de habitantes, mortos por causa da fome ou emigrados para os países vizinhos, especialmente a China. Só os mortos de fome teriam sido cerca de 300 mil.
Em 1998, a ONU forneceu à Coréia do Norte 600 mil toneladas de grãos, suficientes para alimentar 7,5 milhões de pessoas. Não se sabe quantos desses alimentos chegaram à destinação. De acordo com os depoimentos de muitos refugiados, teriam sido destinados especialmente ao exército e aos membros do partido e do governo. Na mesma época, foram gastos mais de 100 milhões de dólares para os festejos de aniversário de Kim Jong Il, confirmado no poder como presidente, justamente em 1998. Com o mesmo dinheiro teria sido possível comprar 500 mil toneladas de grãos. UM EXÉRCITO PODEROSO E BEM EQUIPADO Entre os países asiáticos, a Coréia do Norte possui um dos exércitos mais bem armados, cujos soldados estão entre os mais bem treinados. Um milhão de soldados do exército, 82 mil pilotos e 46 mil marinheiros. O serviço militar dura de 5 a 8 anos. 11% do orçamento são destinados às despesas militares. Mas o que preocupa não são tanto essas cifras e sim a possibilidade de que o país tenha, ou venha a ter em breve, armas nucleares.
Durante o período da Guerra Fria, não havia esse temor pois, se de um lado os EUA mantinham ogivas nucleares na Coréia do Sul, a URSS mantinha seus mísseis apontados sobre o mesmo país. Era o famoso "equilíbrio do terror" que funcionou durante mais de quarenta anos e garantiu a coexistência pacífica dos dois países, apesar de algumas ameaças que nunca chegaram a preocupar. Mas, já no fim de 1990, quando começava a derrocada da URSS, a Coréia do Norte quis garantir sua proteção. Começaram os primeiros rumores de que o país estava preparando a construção de suas bombas atômicas. A questão se prolongou por alguns anos. Os EUA decidiram retirar suas armas nucleares táticas da Coréia do Sul; a Coréia do Norte ameaçou sair do Tratado de Não Proliferação, em seguida, ameaçou não permitir aos inspetores da ONU que vistoriassem suas instalações, até que se chegou a um acordo. Ela resolveu renunciar a suas tentativas de usar a energia atômica como arma, e os Estados Unidos assumiram o compromisso de criar um consórcio internacional para financiar a construção de dois reatores para produção de energia elétrica, a um custo de 4 bilhões de dólares. Até que esses reatores não entrassem em funcionamento, a Coréia do Norte teria recebido gratuitamente 500 mil toneladas de petróleo por ano, para produzir energia elétrica. Era esse o objetivo do país quando ameaçou construir a bomba atômica? Existiam rumores, contudo, de que os estudos e as pesquisas para produção de armas nucleares, de fato, nunca teriam parado. A administração Bush comunicou sua intenção de rever os acordos com a Coréia do Norte, pois tais rumores precisavam ser esclarecidos. O ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 precipitou a situação. O presidente americano incluiu a Coréia do Norte entre os países do "eixo do mal"; o governo norte-coreano acusou os EUA de tê-lo obrigado a retomar os experimentos nucleares; os Estados Unidos suspenderam o fornecimento de petróleo para a produção de energia elétrica e o governo norte-coreano assumiu, abertamente, os planos de construção da bomba atômica. Nessa perigosa brincadeira nuclear de gato e rato, é esta a situação
a que chegamos nos últimos dias. No próximo número falaremos da situação da Igreja na Coréia do Norte. |
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