Revista "MUNDO e MISSÃO"
Religião - Islamismo
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Diálogo com o Islã na África Eloi Messi Metongo O autor, padre dominicano de Camarões, doutor em teologia e história das religiões, coloca-se a questão: o estilo de convivência africano não poderia ajudar a renovar o diálogo islamo-cristão? Iniciado depois do Vaticano II pela Igreja católica, o diálogo religioso pode ser considerado como um sinal dos tempos. Não se trata de uma nova estratégia para conseguir conversões, mas de um convite a todas as tradições religiosas a tomarem consciência de suas responsabilidades históricas, num mundo dividido, e a contribuírem, com todos seus recursos espirituais, para educação para a paz, condição de sobrevivência da humanidade. No plano estritamente religioso, o diálogo permite a cada um dos participantes que aprofunde a mensagem da própria religião e integre os valores da religião do outro. Certa desconfiança Pode-se distinguir três tipos de presença muçulmana
na África negra: os países onde os muçulmanos são
grande maioria (Senegal, Niger, Nigéria, Chade...); os países
onde a comunidade muçulmana é numericamente igual ou um
pouco superior à cristã (Burkina Fasso, Camarões,
Costa do Marfim, Tanzânia...); os países onde os muçulmanos
são uma minoria (Gabão, Congo, Ruanda, África do
Sul...). Diálogo de vida O islã popular e o estilo de convivência africana favorecem
um diálogo de vida que não leva em consideração
a pertença religiosa. Muitos muçulmanos enviam seus filhos
a escolas católicas. Além dos laços de ajuda e de
solidariedade na vida de todos os dias, há também iniciativas
comuns de maior envergadura para lutar contra a seca, desenvolver uma
região, organizar atividades culturais entre jovens, etc. Acontece,
às vezes, que um pároco em visita pastoral a uma aldeia
não possa se hospedar decentemente, a não ser na casa do
chefe muçulmano. Em Camarões, um bispo fez 50 quilômetros
a pé para visitar uma aldeia perdida do interior. Os habitantes
se reuniram em volta dele e, entre outros problemas, lhe apresentaram
o da capela que devia ser construída. Um muçulmano deu cinco
chapas de zinco, dizendo: "O Senhor é o único que nos
visita. Aqui é necessária uma casa para Deus". Perspectivas O diálogo religioso supõe não só o conhecimento
e o respeito do outro, mas, em primeiro lugar, o aprofundamento da própria
religião. É importante que cristãos e muçulmanos
renunciem à arrogância e ao imperialismo. As melhores maneiras
de viver o diálogo são a presença, o diálogo
de vida, o serviço ao outro, a promoção humana, a
oração, a contemplação, a inculturação.
É preciso superar a concepção da missão como
implantação da Igreja. É importante também
exorcizar a desconfiança e o medo que persistem tanto do lado cristão
como do lado muçulmano. Concluindo O anúncio do Evangelho entre os muçulmanos não pode
ser um trabalho reservado a especialistas. É importante, portanto,
garantir a informação e a formação dos clérigos
e leigos engajados na evangelização, como está fazendo
a comissão para o diálogo islamo-cristão da Conferência
Episcopal da África do Oeste que preparou publicações
que visam ao conhecimento recíproco mais aprofundado das duas religiões.
É desejável que nas dioceses onde existem os muçulmanos
uma pessoa seja formada para o diálogo e nomeada responsável
dessa tarefa. Tradução e adaptação de Spiritus n.º 160, setembro 2000. |
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