Revista "MUNDO e MISSÃO"
Religião - Islamismo
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A pequena grande Igreja do Marrocos Hubert Michon No Marrocos, existe uma Igreja minoritária que vive num mundo
totalmente islamizado, mas que tem liberdade e se esmera para ser testemunho
do Evangelho O Marrocos tem uma longa história. Colônia romana, invadida
pelos bárbaros, conquistada pelos muçulmanos nos séculos
7 e 8, passou por várias outras invasões e conquistas, tornando-se,
em 1912, protetorado francês e espanhol. Recuperou sua independência
em 1958, com o sultão Mohamed V, que implantou um estado muçulmano
bastante liberal. A Mohamed V sucedeu o rei Hassan II, falecido no ano
passado, e agora seu filho, Mohamed VI. Este, formado em escolas e universidades
européias, está abrindo o país às influência
ocidentais e modernas. Cristianismo Também o cristianismo tem uma longa história. Começou
logo nos primeiros séculos na faixa costeira do Mediterrâneo
e a Igreja do norte da África foi muito importante por sua santidade
e seus grandes teólogos. Na conquista muçulmana, no século
8, o cristianismo praticamente foi cancelado até da memória
histórica, juntamente com seus monumentos. Relacionamento com o islã O islã é a religião do estado, o rei-sultão é príncipe dos fiéis e vigia para salvaguardar a religião e a comunidade. Do ponto de vista da lei e da sociedade, o islã é o elemento fundamental para a identidade marroquina e abandoná-lo significa ser afastado da comunidade nacional. Todavia, diferentemente de outros países, não existe a sharia; o marroquino aceita os seguidores de outras religiões e a Igreja tem uma substancial liberdade de culto e de ação. No documento do Sínodo, realizado em 1995, a Igreja reconhece que, "vivendo no Marrocos, (os cristãos) são chamados a viver com o povo do Marrocos e é necessário gerir esse convivência: e isso se refere a todos. Por sua situação particular, a Igreja torna-se o lugar da conversão, a serviço do reencontro". Lugar de conversão Se os sacerdotes, os religiosos e religiosas foram para o Marrocos para testemunhar o Evangelho, a maior parte dos cristãos estão de passagem nesse país pelos mais diferentes motivos. Às vezes, eles ficam desconcertados por viver num mundo diferente nos costumes, na cultura e na religião. Apesar disso, eles têm a possibilidade de descobrir a presença e a ação de Deus e, principalmente, que todos os homens, até os não-cristãos, têm valores e uma espiritualidade. Esse conhecimento pode levar a uma conversão individual para uma verdadeira catolicidade, universalidade e solidariedade, descobrindo que o Espírito age na sociedade, na história, nos povos, nas culturas e religiões. O Reino de Deus se realiza não somente onde o homem foi batizado, mas onde o homem está engajado para descobrir sua verdadeira vocação ao amor, onde ele é amado ou procura amar o outro, onde os adversários se reconciliam e onde se promove a paz, a verdade, a beleza e tudo o que engrandece o homem. Esta é a vocação de ser semente de conversão da Igreja no Marrocos. Igreja do encontro As diferenças de linguagem, de cultura e de religião, para os estrangeiros de passagem, fazem com que as relações entre eles e os marroquinos sejam superficiais. A recente história de domínio francês é também fonte de incompreensões entre as várias culturas e a comunidade cristã. É na Igreja então que se encontra o denominador comum que reúne as pessoas que vivem a mesma fé e os mesmos valores cristãos. Assim, a Igreja pode se transformar no exemplo do verdadeiro amor e a Igreja do Marrocos fez desses encontros uma prioridade pastoral para os cristãos e também para os eventuais nativos que gostariam de experimentar esse amor cristão. Uma Igreja em diálogo A Igreja no Marrocos não quer ser estrangeira pelo fato de seus
membros serem quase todos estrangeiros: ela quer ser marroquina por eleição
e pela solidariedade. Ela participa da vida da sociedade e faz suas as
esperanças e as angústias do povo marroquino, especialmente
dos pobres. Assim, sacerdotes, religiosas e leigos juntam-se à
população local para viver a solidariedade, lutando nas
associações civis pelo desenvolvimento, na assistência
aos excepcionais, deficientes e meninos de rua e nas associações
femininas. Resumido da revista Spiritus, n.º 158. Hubert Michon, bispo desde 1983, é uma das figuras mais proeminentes e ativas da Igreja marroquina hodierna. Por mais de nove anos, além de vigário episcopal, exerceu a função de médico nos bairros pobres de Rabat e de Fez, até ser nomeado arcebispo da capital. |
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