Revista "MUNDO e MISSÃO"
Religiosidade Popular
Acompanhando a procissão por Patrizia Bergamaschi É sexta-feira da Paixão. A cidade de Paraty, de fortes ecos barrocos, recebe turistas de todas as partes. Alguns vêm por causa do mar, outros, por conta do ambiente cultural e dos encantos da paisagem, e muitos, atraídos pelas manifestações populares em comemoração à Semana Santa. As ruas enchem-se de curiosos e de fiéis e respiram-se ares antigos, inexplicáveis, misteriosos. O clima místico envolve a cidade, evoca outros tempos, resgata a tradição quase esquecida e, silenciosamente, cria uma sensação coletiva de difícil definição. O que experimentam os que acompanham a grande procissão pelas ruas dessa pequena cidade está em sintonia com outras manifestações populares que acontecem em várias partes do mundo nessa época. Infelizmente, a mídia apresenta quase sempre as mesmas impressionantes cenas de cristãos asiáticos se fazendo crucificar, ressaltando subliminarmente um aspecto meio histérico dessas ações, ou a monumental e fantástica representação teatral da Paixão, que ocorre no Nordeste brasileiro, atraindo artistas de renome. Esquece-se, porém, de que ainda, por muitas ruas do mundo, milhares de pessoas acompanham procissões como já faziam seus ancestrais há séculos, repetindo, consciente ou inconscientemente, os mesmos gestos de purificação, seguindo os passos do Redentor ao ritmo imponente de tambores, dos cantos que se fiam da memória popular e se aprendem na hora. É sexta-feira da Paixão em Paraty e as tochas da procissão se insinuam pela noite.
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