Revista "MUNDO e MISSÃO"
Religião - Budismo
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O sorriso do Iluminado
Patrizia Bergamaschi Os lábios ligeiramente fechados, o esboço de um leve sorriso e os olhos semicerrados: assim deve ser a representação do Buda, tanto em imagem como em pintura. Os ícones que hoje se espalham pelo mundo todo não fizeram sempre parte da tradição budista que, no início, evitava qualquer representação do Buda em forma humana, provavelmente para valorizar a natureza transcendental do Iluminado. Na realidade, Buda não é um nome, mas uma forma de ser; é o estado de quem tem conhecimento direto da verdadeira natureza das coisas, ou seja, do dhamma, a verdade. Assim, podem ocorrer manifestações históricas de Buda, isto é, a natureza de Buda é assumida sob forma de uma vida humana e, portanto, passível de ser representada por um ícone. Tal representação, usada por todas as escolas do budismo, recebe o nome de Buddha-rupa e tem caráter devocional pois apresenta o Buda na forma (rupa) e com as características especiais próprias a todos os Budas. As primeiras representações iconográficas do Buda datam do século 2 e são originárias da Ásia central. Desde então, toda imagem de um Buda deve apresentar as 32 características que identificam um Iluminado para favorecer a meditação através da visualização. As orelhas compridas, o sinal na testa, a posição quase sempre meditativa são comuns em quase todas as estátuas, todavia, os gestos (mudra) representam acontecimentos da vida de Buda e aspectos da natureza da condição de Buda. Sem caráter sectário, as estátuas constituem uma inestimável forma de expressão artística que se espalhou por todo o mundo oriental. Neste ensaio, mostramos algumas das imagens de Buda do Sri Lanka, em templos e nas ruas, veneradas por um povo que ama as cores e mantém-se fiel às tradições de seus antepassados.
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