Revista "MUNDO e MISSÃO"

Religião - Islamismo

Egito:
prisão para
os convertidos

Enquanto, na Europa cristã, os muçulmanos reclamam da abolição de símbolos religiosos em lugares públicos em nome da liberdade de religião, nos países islâmicos, quem se converte do islã ao cristianismo é preso

Mesquita islã no Cairo – Vista parcial
da cúpula, torres, penáculo

 

m Alexandria, Egito, pelo menos 22 egípcios que se converteram do islã ao cristianismo foram presos pela polícia que estaria em busca de mais 80 pessoas recém-convertidas. A notícia foi confirmada pela agência de notícias americana da Igreja copta. As prisões começaram em 20 de outubro do ano passado, com a detenção de um casal. Yousef Samuel Makari Sulimam, cujo nome muçulmano era Muhammad Ahmad, sua esposa e suas duas filhas se converteram ao cristianismo e viviam a nova religião de maneira clandestina.

A constituição egípcia proclama a liberdade religiosa, mas a mentalidade islâmica não aceita a conversão de muçulmanos a outras religiões. Para aqueles que renegam o islamismo é previsto o desprezo da comunidade e até a morte. No caso de Yousef e sua família, a situação se agravou porque a prisão foi feita pela polícia do governo. O casal foi detido pelo cel. Taha Afify, da Unidade de Investigação Criminal, que depende do Departamento para os Negócios Civis da polícia de Alexandria.

Alguns advogados que visitaram o casal na cadeia afirmam que foi cometida violência sexual contra a mulher Mariam, com tentativa de estupro, e o casal foi vítima de espancamento. Em seguida às denúncias, o casal foi transferido de Alexandria para o Cairo, à delegacia de Al Muski, onde se abriu um inquérito para apurar os abusos e a violência policial. Após a prisão do casal, a polícia indagou sobre outras pessoas que o tinham ajudado a obter novos documentos de identidade, com nome cristão e religião de pertença.

No Egito, entre os dados do documento pessoal, está a religião que o cidadão professa. A agência copta americana afirma que a polícia, mediante tortura dos presos, conseguiu mais cem nomes de pessoas convertidas ao cristianismo que mudaram seus documentos por outros. Oficialmente, os 22 presos foram acusados de “falsificação de documentos”. De outro lado, o governo egípcio não protege os direitos legais dos novos convertidos.

A Associação dos Coptas Americanos suspeita que haja uma centena de prisioneiros convertidos ao cristianismo e Michel Meunier, seu presidente, comentou com AsiaNews que “é paradoxal que a constituição garanta a liberdade a todo individuo de mudar de religião, mas que, na prática, o governo egípcio, repetidamente viole a constituição, prendendo, torturando e perseguindo os convertidos, obrigando-os a abjurar a nova fé assumida.

Mais ainda: o governo não reconhece legalmente a conversão do islã ao cristianismo e a conseqüência é que os convertidos perdem seus direitos civis e legais, uma eventual herança e a posição social”. A mesma associação quer iniciar uma campanha para que o congresso norte-americano denuncie as repetidas violações aos direitos e à liberdade religiosa por parte do governo egípcio.

AsiaNews

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