Revista "MUNDO e MISSÃO"
Religião - Judaísmo
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Judaísmo: escolhidos pelo Eterno Walter Santangelo Revisão e atualização: Clara Costa Kopciowski CAMINHANDO DIANTE DE DEUS Por meio de Abraão, há quatro mil anos, Deus fez com o povo judeu uma Aliança que se per-petuará nos séculos. História do povo Judeu A história judaica inicia-se há quatro mil anos, com estas palavras de Deus dirigidas a Abraão: "Vá para a terra que eu vou te mostrar ... farei de ti uma grande nação ... e em ti serão ben-ditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12, 1-3). E mais tarde: "Seja íntegro e caminhe diante de Deus". Com essas palavras são firmadas as bases do judaísmo: a posse de uma terra, a unidade do povo e o dever não apenas de pôr em prática a vontade de Deus e de ser íntegro, mas também de ser o arauto, o seu porta-voz na difusão da sua palavra, caminhando diante dele para levar benção a toda a humanidade. Nessa benção está implícita a promessa da época messiânica, quando, sobre a terra, reinarão a paz e a harmonia porque todos os homens terão aceito a palavra de Deus e porão em prática o amor e a justiça para com o próximo. Deus estabelece com Abraão uma Aliança, prometendo que não o abandonará, nem sua família nem sua descendência; uma Aliança que se perpetuará de geração em geração através do ato da circuncisão, "sinal eterno de comunhão entre os judeus e Deus", sinal do pacto entre Deus e o seu povo. Assim, Abraão deixa Ur, na Caldéia, para ir a uma terra cheia de incógnitas, a terra de Canaã, habitada por povos politeístas, apoiado numa promessa que não prevê nem riquezas nem previ-légios, mas que faz do povo judeu um povo "escolhido" por Deus para cumprir uma missão. Como narra a tradição, Abraão rejeita os ídolos e a prática imoral dos politeístas, para buscar um único Deus de amor e de justiça, criador de toda a humanidade. Só quando Abraão o pro-cura, Deus, que é sumamente justo e não escolhe ao acaso aquele que deve difundir a sua pala-vra, "desce" para encontrá-lo e confiar-lhe a missão. Quando Abraão morreu, o desígnio divino, através de seus descendentes, continua a operar até mesmo durante o cativeiro no Egito. Deus, em virtude da Aliança, vela sobre seu povo e o liberta do cruel domínio dos faraós. Envia Moisés para livrar os judeus da escravidão e, sobre o Monte Sinai, renova com ele a Aliança estabelecida com Abraão. E todo o povo, num ímpe-to de confiança total, grita o seu consenso: "Nós faremos (o que Deus disse) e obedeceremos". Então, Deus deu a Moisés a Torah, o sinal da Aliança. O povo se dispersa Chegando à terra prometida, inicia-se a sucessão de êxodos forçados que levarão o povo judeu a dispersar-se por todo o mundo: inicialmente, no século VIII a.C., os assírios conduziram à escravidão dez das doze tribos de Israel (desse primeiro exílio, provavelmente, originaram-se as comunidades do extremo Oriente, da China e da Índia). Dois séculos mais tarde, é a vez dos restantes, que foram mantidos presos na Babilônia: o Templo de Jerusalém, onde se guarda a Arca da Aliança com as Tábuas de Moisés foi destruí-do. Contudo, exatamente esse será um dos períodos mais fecundos para a vida judaica. O povo deve encontrar o modo de viver a Aliança sem Templo, sem terra. Assim nasce o judaísmo, que não é apenas uma religião, mas, sobretudo, um modo de viver a centralidade de Deus, graças à oração, ao estudo, à Torá, à observância do sábado e de outras datas sagradas. Sem o Templo, passa-se a uma vida religiosa baseada apenas na Palavra de Deus: o culto na sinagoga substitui os ritos sacrificiais do templo, o rabino (mestre) toma o lugar do sacerdote. Cinqüenta anos depois (538 a.C), Ciro, submetendo o império babilônico, permite que os judeus voltem a seu país. Muitos, porém, permanecem na Babilônia: inicia-se, assim, o fenôme-no da diáspora (termo grego que significa "dispersão" e indica o fenômeno histórico que le-vou os judeus a se dispersaram em todo o mundo). O Templo foi reconstruído, mas os séculos seguintes ainda vêem os judeus sucumbir sob os poderosos exércitos persa e macedônio (gre-gos). Nessa tremenda crise, em 168 a.C, em Modin, o sacerdote Matatias dá o sinal de revolta con-tra o rei da Síria, Antíoco IV, Epífanes, que procurava helenizar a Judéia. Refugiando-se entre as montanhas, reúne em torno de si aqueles que não aceitam o novo estado das coisas. Depois de sua morte, a guerrilha passa a ser dirigida por seu filho Judá, chamado macabeu, que provavelmente significa "martelo" (esse nome, depois, foi indevidamente estendido a toda a família). A revolta dos macabeus atravessa fases alternadas até que, com o último filho de Ma-tatias, Jônatas, a Judéia reconquista sua independência. Também nos anos seguintes, o poder permanece nas mãos da
família dos macabeus que fun-dam a dinastia dos asmoneus, até
a intervenção de Roma em 63 a.C. A independência,
então, está definitivamente perdida e a Judéia torna-se
província romana, apesar de duas tentativas de revolta: em 70 d.C.,
as legiões romanas conquistam Jerusalém e destróem
o Templo.. Os séculos da diáspora Os séculos da diáspora (a partir de VI d.C) caracterizam-se por uma relativa paz para as co-munidades que vivem nos países conquistados pelos muçulmanos. Na verdade, a não ser al-guns casos graves e esporádicos, as relações com a civilização islâmica foram, em geral, boas. As próprias comunidades judaicas partilharam o apogeu e a decadência do mundo muçulmano. No mundo cristão, as reações foram diferentes. Com o ano mil, declina definitivamente as escolas babilônica e palestina e surgem na Europa, dois novos pólos de cultura judaica. O primeiro grande centro forma-se na Espanha que se torna o berço do judaísmo sefardita e de toda uma herança cultural e espiritual que as comu-nidades sefarditas então possuem. Essa idade áurea do judaismo sefardita que vai, aproxima-damente, até 1942, ano em que os judeus são expulsos da Espanha, produz obras notáveis e revela homens excepcionais. O segundo grande centro surge na Renania (Alemanha), que se torna o berço do judaísmo ashkenazim e caracteriza-se pela prosperidade dos estudos rabíni-cos. Da Renania vai se estender a Alemanha e ao leste da França para chegar, no fim da Idade Média, à Europa centro-oriental, particularmente na Polônia. Em 1096, ano da primeira cruzada, inicia-se para os judeus um período muito difícil: persegui-ções, privação dos direitos civis mais elementares, expulsões e massacres contínuos. A barreira religiosa, por causa da estreita conexão entre religioso e civil, traduz-se numa barreira social, administrativa e econômica, influenciando sobre o papel do judeu na sociedade da época. Um exemplo: a proibição aos cristãos de emprestar dinheiro a juros faz com que os judeus se espe-cializem nas atividades econômica e mercantil. Por isso se, de um lado, os judeus são apreciados por sua indiscutível habilidade no campo econômico, de outro, são obrigados a compensar tudo o que para os outros é reconhecido como direito (direito de residência, de estabelecer-se numa parte da cidade, de exercer um tipo de comércio, etc). Nascem os guetos Do que acima foi dito é fácil compreender como a posição dos judeus fica instável: muitas ve-zes foram escorraçados de suas casas sem nenhum motivo e seus bens confiscados. Por causa dessa precariedade crônica, os judeus tentam reforçar os laços culturais, religiosos e comunitá-rios, criando bairros separados em que possam se sentir mais unidos e prontos a defender-se de todo tipo de perigo e de provocação: nascem assim os guetos. Mas, outra vez, o poder político e religioso transforma uma escolha voluntária em uma imposição que faz com que o gueto torne-se uma prisão socialmente controlável, difícil de ser evitada. Essa vida penosa e humilhante dura por muitos séculos. Só com o Iluminismo e a Revolução Francesa ocorre, ao menos formalmente, a equiparação dos judeus aos outros cidadãos. Nasce o sionismo A saída dos judeus do gueto produz, no seio do judaísmo, fenômenos interessantes: muitos judeus, obtendo finalmente os direitos civis, procuram todos os meios para integrar-se. Por isso, no século XIX, muitos judeus participaram ativamente de vários movimentos de indepen-dência nacional. Todavia, se, de um lado, essa assimilação provoca, muitas vezes, o abandono de seu patrimônio tradicional, de outro, não acaba com as discriminações e perseguições. É o caso da Rússia, onde os pogrom ou matança de judeus empurram as massas à emigração, es-pecialmente para os Estados Unidos e contribuem para o nascimento do sionismo. Em 1897, realiza-se na Basiléia o primeiro Congresso Sionístico Mundial, que funda um mo-vimento político, organizado para a criação de um estado nacional judeu. Vinte anos depois, quando já muitos colonos judeus provenientes da Rússia, Polônia e Lituânia, começaram a comprar e preparar as terras incultas da Palestina, a Declaração Balfour (1917), na qual a In-glaterra se empenha para instituir na Palestina uma sede nacional para os judeus, torna juridi-camente legítima sua aspiração de ter um estado (um "lar judeu", ou national home). Paralelamente à consolidação numérica e política da comunidade judaica na Palestina (jishuv), na Europa, aparecem sinais trágicos às vésperas da Segunda Guerra Mundial. O drama da Shoah Com a difusão da tempestade nazista, assiste-se a uma verdadeira caça aos judeus, da qual poucos conseguem escapar. Ao final da guerra, seis milhões de judeus, entre homens, mulheres e crianças, foram exterminados nos campos de concentração. Um período que passou triste-mente para a história com o nome de Shoah (extermínio). Essa dramática experiência com o conseqüente complexo de culpa das grandes potências e a constatação de todo o trabalho desenvolvido pelos pioneiros judeus para bonificar e cultivar os terrenos antes áridos e improdutivos, levam à declaração da ONU de 29 de novembro de 1947, com a qual se criam, na Palestina, dois Estados: um árabe e um judeu. No dia seguinte, os árabes, que consideraram absurda essa decisão, rejeitam-na e desencadeiam a guerra. Em 14 de maio de 1948, David ben Gurion, logo no começo da guerra, declara, em Tel Aviv, o nascimento do Estado de Israel. Características fundamentais Até aqui, vimos como os judeus têm testemunhado sua fidelidade à Torá, através de quatro mil anos de história. Isso foi possível, conservando intactas suas tradições e, sobretudo, mantendo uma confiança inabalável na própria Torá. Vejamos agora, brevemente, em que consiste a fé do judeu e como ele a testemunha na vida. Existe Deus, existe um povo, existe uma Aliança: a história desses três elementos é a história dos pressupostos doutrinais do judaísmo. O Deus da fé judaica é um Deus que falou a Israel através de seus profetas. É o Deus Único que, além de ser transcendente, é também imanente, sendo parte ativa na história e nos fatos da humanidade. Deus estabeleceu um pacto com Israel que se concluiu, parcialmente, com a entrega da Torá. Com esse gesto, Deus indica ao povo judeu o meio concreto para ser-lhe fiel e aquilo que ele deseja de seu povo. Mas, a eleição de Israel e o dom da Torá estão sempre ligados à posse da terra. A condição para tal posse é a fidelidade à Torá. Eis por que se chama "terra prometida": promessa "em troca da fidelidade". Por isso a vida tende a desenvolver-se no estudo e na prática da Torá: com esse ensinamento, profundamente orientado para a ação, exclui-se a idéia de mistério e de dogma; o judaísmo é uma lei de vida, mais do que uma especulação filosófica sobre um dado revelado. Lei de vida que se manifesta no estudo e na observância que regulam o comportamento religi-oso do judeu. Uma lei de vida No que diz respeito à moral judaica, há uma concepção profundamente otimista e unitária do homem, porque Deus só pode tê-lo criado livre e responsável. Mas a relação homem-Deus pode ser rompida: isso é o pecado, que é visto como traição, e a única condição que se impõe para o perdão é a conversão do coração (ou Teshuva, o retorno a Deus). São bem interessantes os capítulos da moral judaica referentes à família, ao matrimônio, ao papel da mulher na sociedade. O que, porém, distingue a moral judaica é a sede e fome de justiça que satisfaça as exigências do homem. Outro elemento essencial no judaísmo é a esperança. Para os judeus, crer na vinda do Messias é esperar que virá um tempo chamado em hebraico "os dias do Messias", em que reinarão a paz, a justiça e a fraternidade. Esses dias serão uma benção para todas as nações. Jerusalém será o centro espiritual do universo, no qual se erguerá "uma casa de oração para todas as na-ções" (Isaías 56,7). Então, cessarão todas as formas de idolatria e, "naqueles dias, o Serhor será o único Deus e só o seu nome será invocado" (cf. Zacarias 14,9). O estudo da Torá é o primeiro de todos os mandamentos e vem até antes da oração. São os pais que, principalmente, têm o dever de ensinar a Torá aos filhos. Todo Israel - tanto os ricos como os pobres - devia "ocupar-se da Torá" e estudá-la durante toda a vida. Para essa atividade, o dia privilegiado é o sábado. Os preceitos religiosos (ou mizvot) são, no total, 613, dos quais 248 positivos e 365 negativos e provêm da Torá escrita e oral, sendo seu objetivo a santificação da vida até em suas manifes-tações materiais. Exemplo disso é a Mezuzá, um estojo que é aplicado nos batentes das portas e que contém uma faixa de pergaminho sobre o qual estão escritos trechos da Torá, simboli-zando a santificação da casa. De fato, a Mezuzá lembra ao judeu os próprios deveres seja ao "entrar" em casa, seja ao "sair"dela. A vida religiosa Para facilitar esta exposição, dividimos a vida religiosa do judeu em três partes: as etapas da vida, as manifestações religiosas cotidianas e as várias festas do ano. 1 - As etapas da vida O nascimento e a circuncisão: o nascimento de uma criança é uma grande alegria e represen-ta também uma obediência a um mandamento. Se a criança é um menino, ele é circuncidado no oitavo após o nascimento. Esse sinal na carne faz com que ele entre na Aliança de Abraão e na comunidade de Israel. A cerimônia do Bar Mitsvah: aos 13 anos, o rapaz entra na maioridade religiosa. A partir desse momento, o judeu torna-se membro da comunidade e está sujeito aos direitos e deveres religiosos e sociais derivados da Torá. O casamento: também o casamento é um Mitsvah (mandamento) em resposta à palavra de Deus: "Não é bom que o homem esteja só" (Genêsis 2,18). Os noivos são colocados sob um dossel, símbolo de seu lar. Depois da leitura do ato de casamento, recitam-se as sete bençãos nupciais. Depois o esposo quebra um copo, no qual bebeu com a esposa, lembrando a destrui-ção do Templo. A morte: porque Deus é o Senhor da vida e da morte, é com uma benção que se anuncia o falecimento: "Bendito seja o Juiz da Verdade!". Diante do túmulo, recita-se o Kaddish, trecho em que se proclama a santidade do Nome de Deus. A partir daí, observa-se uma semana de luto fechado. Para a primeira refeição depois do sepultamento, deve-se preparar para os paren-tes de luto um ovo cozido. O ovo é o símbolo da vida: é redondo, não tem portanto um ponto inicial ou final, assim como a vida que, depois da morte da pessoa, continua e deve continuar através de seus descendentes. Isso lembra aos que ficaram que a morte, mesmo com o maior respeito e com a lembrança do falecido, não deve representar um momento de ruptura e de desespero total, porque a vida continua neste mundo e na eternidade. 2 - As manifestações religiosas cotidianas A liturgia cotidiana do judeu compreende três orações:
a da noite, a da manhã e a da tarde. O objetivo da oração
é renovar a fé com um ato que confirma a identidade judaica
e a esperança em Deus. 3- Os eventos anuais As festas judaicas acontecem no ritmo das estações, principalmente na primavera e no outono, porque seu valor é histórico e agrícola, além de religioso. Seu início é sempre ao entardecer porque, no livro do Gênesis está escrito que, ao final de cada dia da criação, "foi noite e foi manhã", e a noite foi nomeada antes da manhã. A grosso modo, pode-se dividir as festas em três grupos, sendo os dois primeiros de origem bíblica e o terceiro de origem rabínica. a) As três festas de peregrinação A história judaica é singular: Abraão é o
fundador da estirpe, mas até o momento em que José chama
seus irmãos e seu pai para o Egito, no tempo da carestia, trata-se
apenas de uma famí-lia. O povo forma -se, portanto, no Egito, na
escravidão, unido apenas pela fé em um Deus único
e pela esperança de um retorno à terra de Canaã. b) As festas solenes Início do ano judaico (Rosh Ha-Shaná). É a primeira festa do ano, celebrada no outono. Lembra o momento em que teve início a criação do mundo. Nesse dia, cada um é convidado a refletir sobre o ano transcorrido e deixar o pecado para voltar-se a Deus, Criador, Juiz, mas, sobretudo Pai, que acolhe que faz Teshuvah, isto é, o retorno a ele. Na sinagoga, prevalece a cor branca, símbolo da penitência e da pureza. Toca-se o shofar (chifre de carneiro) repetidas vezes para incitar ao arrependimento. Nesses dias, Deus julga as ações feitas por todos as cria-turas no ano passado e decide, por conseguinte, seu destino para o ano que vem. Mas, nos dez dias de penitência, que vão do Ano Novo ao Kippur, o arrependimento do homem pode modi-ficar a sentença do divino Juiz. Expiação (Kippur). Dez dias após o
Ano Novo, é o dia do Kippur. A liturgia da sinagoga, que
dura todo o dia, contém a repetida confissão dos pecados,
as súplicas para obter a misericórdia de Deus e a narrativa
poética dos ritos que o Sumo Sacerdote celebrava no templo nesse
dia. Durante 25 horas, observa-se um rigoroso jejum. c) As festas menores Festa das luzes ou da dedicação (Chanukkah). É celebrada em dezembro e recorda a purifi-cação do templo de Jerusalém, depois da vitória dos Macabeus sobre os assírios (séc.II a.C). Festa das sortes (Purim). É celebrada entre fevereiro e março e lembra a salvação do povo judeu que, morando quase inteiro no império persa, foi atingido por um édito de morte emitido pelo rei. Nessa festa, presta-se homenagem às figuras de Ester e Mardoqueu que salvaram o povo. A oração para o judeu Oração particular Quando o judeu reza, mantém a cabeça coberta e se reveste com um xale de oração (tallith), que tem muitas franjas nos quatro ângulos (símbolo dos 613 preceitos que devem ser observa-dos). No braço direito e na testa traz os filactérios, pequenas caixas de pergaminho nas quais são enfiados rolinhos sobre os quais estão escritos trechos importantes da Bíblia. Oração pública A oração pública ocorre na sinagoga. Os ofícios
são presididos pelo rabino, mestre encarrega-do do ensino e da
pregação, e dirigidos pelo ministro oficiante (hazan).
Nem um nem outro têm caráter sacerdotal: o primeiro detém
uma autoridade magisterial e jurídica, enquanto que o segundo pode
ser qualquer judeu com mais de 13 anos, que saiba ler corretamente o hebraico
e que seja, possivelmente, afinado. Sábado (Shabbath) Há dois conceitos para o sábado: o repouso e a união
mística familiar. No sábado é proibido realizar qualquer
tipo de trabalho e acender o fogo: a comida, portanto, deve ser preparado
no dia anterior, antes do pôr-do-sol, para que as mulheres possam
aproveitar a festa. Páscoa (Pesach) Inicia-se no dia 15 de nissan (março-abril) e dura 7 dias
em Israel e 8 na diáspora. É, para os judeus, uma data especialmente
significativa: marca seu nascimento como povo livre, depois da escravidão
do Egito. É uma data de tanta importância que todo judeu,
durante a festa, "revive" a saída do Egito como se ele
mesmo tivesse sido libertado. Nos Estados Unidos e nos países do Leste Atualmente, há no mundo 14 milhões de judeus, destribuídos em 105 países. Examinaremos particularmente a situação do judaísmo americano e dos Estados formados com a dissolução da União Soviética. O judaísmo americano Os judeus dos Estados Unidos são uma das minorias mais integradas
socialmente. A história da imigração judaica nos
Estados Unidos inicia-se em 1652, quando os judeus sefarditas, expulsos
da Espanha e refugiados na Holanda, partiram para o Novo Mundo e precisamente
para Nova York, então colônia holandesa. Os judeus no Leste Alguns historiadoress dizem que a chegada dos primeiros judeus às
regiões do sul da Rússia remonta aos anos 500 - 400 a.C.
É, porém com Ivan, o terrível (séc.XVI) que
se inicia uma seqüência interminável de pogrom
que os leva, até o fim do império zarista, a uma condição
social e política sem esperança. Isso explica a participação
nos primeiros movimentos socialis-tas (1897: criação do
Bund, uma união operária; sionismo socialista) e sua adesão
à Revolução de Outubro. Nos primeiros anos do novo
regime, organizam-se escolas judaicas e publicam-se livros e jornais em
iídiche. Odiados e perseguidos O ódio pelos judeus é anterior ao cristianismo; esses,
muitas vezes, foram acusados por recusa-rem a religião e os costumes
pagãos, por odiarem o gênero humano. Quando a religião
cristã afirmou-se também oficialmente, desenvolvendo a partir
dos próprios princípios do judaísmo, os judeus foram
considerados como povo rejeitado por Deus e responsáveis pela morte
de Jesus. Pequeno dicionário judaico O Templo Terminada a vida nômade no deserto, durante a qual a presença de Deus era indicada pela ten-da do convênio, Salomão, filho de Davi, mandou construir, em Jerusalém, um Templo estável. Ali era guardada a Arca da Aliança, pequena caixa que continha as Tábuas da Lei entregues a Moisés. A Torah Os escribas judeus dividiram a Bíblia judaica (para os cristãos, Antigo Testamento) em três grupos:
Os profetas Os profetas marcam uma etapa determinante e extraordinariamente significativa
na vida do povo de Israel e da humanidade e representam um fenômeno
único na história do mundo. A sinagoga A sinagoga é a instituição mais importante da vida religiosa e civil judaica. Em hebraico cha-ma-se beth hakenesset (casa de reunião). Nasce durante o exílio babilônico e é o lugar onde os judeus se reúnem para estudar, rezar e estar juntos. A estrutura arquitetônica é particular. O exterior reflete, geralmente, a situação do judaísmo em relação às outras religiões locais (há uma tendência a fazer o edifício muito semelhante às casas circundantes); o interior é retangu-lar e caracterizado pela ausência completa de representações humanas e pela presença de um lugar reservado só às mulheres.
A língua hebraica A partir de 1948, a nova nação israelense era composta por gente vinda de mais de cem países diferentes. Um dos primeiros problemas que o Movimento Sionista teve que enfrentar foi o da língua. Descartou-se a hipótese inicial de adotar o inglês ou uma das línguas mais difundidas entre os imigrantes (o alemão, por exemplo) e decidiu-se, também com o apoio de escritores e pessoas que acreditavam na vitalidade da cultura judaica, fazer renascer a língua das Escrituras e da tradição. Contudo, havia a dificuldade de aprender a língua por parte dos imigrantes. Para facilitar o aprendizado, o governo instituiu escolas especiais em que se pode aprender ao me-nos os rudimentos da nova língua. Hoje, o hebraico é a língua oficial do Estado, falado por mais de 90% dos judeus israelenses. Os judeus no mundo Segundo as estimativas de 1991, há cerca de 14 milhões de judeus em todo mundo assim divi-didos:
Tentando sistematizar as crenças judaicas, o teólogo e filósofo Maimônides, no século XII, estabeleceu uma lista com treze "artigos de fé":
Para sua reflexão 1 - Repetidas vezes, e isso em todo mundo, cinema e televisão voltam ao tema do massacre dos judeus na Segunda Guerra. Exemplo disso são os filmes "Holocausto" e "A lista de Schin-dler". Haveria algum motivo para isso? Alerta ou remorso? Discuta com o grupo. 2 - Muitas das inúmeras prescrições judaicas dizem respeito à higiene. Pergunte a um professor de biologia por que não era conveniente, por exemplo, que os judeus - vivendo no deserto - comessem carne de porco. Procure se informar com um judeu sobre outros costumes e analise-os do ponto de vista histórico. 3 - Israel tem sido constantemente alvo de atentados e cenário de violência e mortes. Neste momento, como está a situação naquele país? Por quê? 4 - Qual a importância de um "livro sagrado" para uma religião? 5 - Procure entrevistar um judeu praticante e peça-lhe que fale sobre seu povo e seus costumes. |
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