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Mensagem final do VIII EPA
Pastoral Afro-Americana - Salvador - BA, 04 a 09 de setembro de 2000
Tocam os atabaques... É o VIII EPA.
Seu toque convocou homens e mulheres de diferentes países da América
Latina, Caribe, Estados Unidos e Europa. Estivemos reunidos no Brasil,
na cidade de Salvador, Bahia, terra do Senhor de Bonfim, terra de encanto,
beleza e negritude.
Os atabaques que acompanharam o encontro do início ao fim deram
seu testemunho. Os atabaques são velhos companheiros de caminhada.
A longo dos anos testemunharam nosso pranto e dor, nossa indignação
e rebeldia. E novamente seu som nos reúne para escutar as histórias,
compartilhar as opressões, feridas abertas e a algumas curadas.
Foi um toque triste que anunciou a morte de milhões de negros e
negras, jovens e crianças antes da hora, vítimas das guerras
provocadas pelos poderosos. Os atabaques denunciaram a violência
e tocaram em protesto contra a exclusão que sofrem nossa comunidades.
Ao som do atabaque também nos alegramos, e relatamos as pequenas
e grandes vitórias da caminhada. Contamos histórias de solidariedade
dos projetos alternativos que alimentam a vida e esperanças da
comunidade negra. Resgatando ao auto-estima promovendo a formação
em todos os níveis a inserção no mercado de trabalho
e o seu protagonismo na consolidação do desenvolvimento
e a solidariedade em toda a América. O atabaque nos moveu e nos
animou. O poder e o encanto desse instrumento ancestral provocou no corpo
o movimento a dança e a ginga. Mas o ritmo dos atabaques bate com
o ritmo do coração tocando o mais profundo da nossa humanidade
negra. A espiritualidade negra com gestos e símbolos resgatados
de nossas culturas foi uma riqueza do encontro.
Tocaram os atabaques! Profundidade e transcendência... Seu som nos
levou ao encontro das raízes da fé, que alimentam e renovam
a vida da comunidade fortemente expressa nas celebrações
litúrgicas. O atabaque falou dos segredos do Deus que se revela
no meio dos pequenos e das pequenas.
O toque dos atabaques e nosso canto se uniram a milhões de vozes
e gritos dos excluídos do Brasil e toda América Latina.
São gritos insistentes por liberdade, pão, paz e cidadania.
Os atabaques também nos desafiaram para:
- descobrir toques fortes e afinados que rompam com a falsa harmonia
da globalização da exclusão;
- continuar na caminhada atrevida de compromisso com novos ritmos, arautos
da solidariedade globalizada a serviço de uma sociedade com lugar
para todos e todas; solidariedade que exige a queda dos muros do racismo,
do sexismo e de todo tipo de discriminação.
Concretamente nos animaram a:
- criar um grupo de articulação não só para
o próximo EPA mas para fortalecer a organização
das comunidades afro-americanas, aplicando eficazmente os propostos
assumidos;
- escolher como tema principal "Mulher e sua participação
na vida da América no campo religioso-político-social
econômico";
- lutar incansavelmente contra todas e qualquer forma de rejeição
do Dom de Deus, presente na negritude, globalizar a solidariedade dos
pequenos e das pequenas já existente no continentes. O Deus Pai,
Filho e Espírito Santo, pela gloriosa intercessão de sua
e nossa Mãe Maria Santíssima, que nos acompanhou desde
o inicio, abençoe e realize nosso justo e honesto sonho de vida
em abundância. Axé.
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