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ROGAI ao SENHOR da COLHEITA
Sergio Bradanini
Em sintonia com o Projeto Rumo ao Novo Milênio, este novo espaço
aberto quer apresentar por etapas (de modo que no fim seja possível
ter uma visão de conjunto) e com muita simplicidade, algumas reflexões
e questionamentos a respeito da missão, a partir do evangelho de
Mateus.
Nada melhor do que levar em consideração o texto de Mt 9,35-11,1
em que o evangelista trata da questão, apresentando, num solene
discurso, as características essenciais da figura do missionário.
Trata-se do segundo dos cinco grandes discursos que marcam o ritmo do
evangelho de Mateus. (Pressupõe-se a leitura de alguma introdução
a este evangelho). Este é o menos conhecido de todos. No entanto,
para a nossa finalidade o discurso missionário de Mateus é
extremamente importante para redescobrirmos certas dimensões da
missão que, muitas vezes, ficam um tanto na sombra. É claro
que, como em todos os outros discursos, o tema central é o Reino
dos Céus, mas aqui se trata do Reino, assim como deve ser anunciado
ao mundo pelos discípulos (Igreja toda), expressamente enviados
por Jesus.
Podemos então iniciar a primeira etapa, lendo o texto de Mt 9,35-38.
É possível notar logo que o evangelista apresenta um resumo
da missão de Jesus (cfr. Mt 4,23), o qual, após ter proclamado
por palavras (Mt 5-7) e atos (Mt 8-9), o Reino dos Céus, agora
quer associar seus discípulos à sua própria missão.
Um elemento salta aos olhos: o evangelista quer deixar claro que a figura
do Pai é importantíssima no âmbito da missão.
Com efeito, é a ele que devem ser dirigidas as orações
e súplicas (Mt 9,37-38), não só porque ele está
na origem de toda missão, mas, principalmente, porque ele está
envolvido na história humana e quer oferecer a todos a salvação.
Por este motivo fundamental, o Pai toma a iniciativa da missão,
enviando seu Filho Jesus. Esta dimensão paterna aparece claramente
na atividade pública de Jesus (Mt 9,35), mas, sobretudo, na sua
compaixão (Mt 9,36), diante da necessidade e da miséria
das multidões (=humanidade). Com efeito, a imagem das ovelhas sem
pastor é tirada da história bíblica (cfr. Nm 27,17;
1Rs 22,17), para mostrar o envolvimento e a solicitude divina em relação
a seu povo. Pode-se dizer então que, se a missão nasce da
compaixão de Jesus que revela o amor do Pai para com todos os seus
filhos, ela deve terminar no amor de todos os filhos para com o Pai e
entre si. Isso, porém, não é tão simples como
poderia aparecer.
De fato, diante da constatação de que a colheita é
grande, mas poucos os operários, Jesus indica a seus discípulos
a primeira atitude necessária para a missão: Rogai ao Senhor
da colheita, que envie operários para a sua colheita (Mt 9,37-38),
pois existe uma grande desproporção entre a grandeza da
colheita e a escassez de operários. Trata-se de uma situação
que pode suscitar duas tentações: a primeira nos levaria
a fazer uma campanha para arrebanharmos operários; a segunda nos
levaria a lançar mão de todas as energias possíveis
para realizarmos o trabalho. No entanto, Mateus afirma que o importante
não é fazer, mas rezar: a comunhão com o Pai, na
oração, é a fonte da missão eclesial, é
o primeiro e o mais eficaz instrumento apostólico.
Será que diante das dificuldades e das misérias da humanidade,
é suficiente rezar? É claro que não! Aqui o evangelista
quer simplesmente evidenciar o fato de que o Pai é e continua sendo
sempre o Senhor da colheita (Mt 9,38); os discípulos e a Igreja
serão sempre só servos/operários. A oração
é fonte que ilumina e exige a atividade missionária, como
veremos em seguida.
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