A
igreja que se
abre para o céu
texto e fotos por Ernesto Arosio
“A arquitetura
cria a possibilidade da espiritualidade, porquanto não deixa indiferente
o fiel, mas o envolve, suscitando-lhe profundas emoções
espirituais” (Richard Meier)
arquitetura
sacra é aquela que, cativando o orante, transporta-o à presença
do infinito e o eleva a uma experiência espiritual em contato com
Deus. As fotos que ilustram estas páginas testemunham de uma das
mais arrojadas obras arquitetônicas modernas. Dedicada a Deus Pai
das Misericórdias, a igreja-símbolo do Jubileu de 2000 foi
projetada pelo arquiteto norte-americano Richard Meier, de origem judaica,
e inaugurada em outubro de 2002, no bairro popular de Roma chamado de
Tor Tre Teste. Suas linhas ousadas, e o material luminoso empregado, estimulam
todas as experiências místicas do fiel e o convidam a se
abrir espontaneamente para o céu. Sob o ponto de vista técnico,
sua construção foi tão audaciosa que exigiu a pesquisa
e a descoberta de materiais mais leves, resistentes e antiacústicos.
Foram utilizadas novas tecnologias para se obter, a partir do material
inerte, o conceito dinâmico de velas infladas pelo sopro do vento,
e de conchas. As velas simbolizam a travessia da humanidade em caminho
para Deus e as conchas remetem o fiel ao início da sua vida espiritual,
expressando purificação pela água do batismo. Tudo
emerge de uma luminosidade clara, difusa, que provém do alto. O
arquiteto Richard Meier explica que o projeto foi inspirado em uma cúpula
seccionada verticalmente para a obtenção de enormes conchas,
expressando a idéia de uma igreja que se abre para o céu.
Arquitetonicamente, as cúpulas das igrejas tradicionais representam
“o Céu”; no projeto de Meier, é a igreja toda
que se abre para o infinito. Ela não tem cobertura aparente, permitindo
que intensa luz invada diretamente do alto, iluminando tudo.
A mensagem espiritual da igreja de Méier emana
de várias fontes: o branco dos materiais; as ousadas curvaturas
das paredes, que representam velas infladas e conchas; a intensa luminosidade
do interior; o céu que se entrevê no alto, intuindo a presença
mística de Deus.


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