Revista "MUNDO e MISSÃO"
Teologia
Batismo, crisma, comunhão Apesar de repetidas alusões a catecúmenos, a prática atual é de administrar os três sacramentos: batismo, crisma e comunhão, de uma vez, ao recém?nascido. No batismo, a primeira coisa é dar um nome à criança, para não ingressar na Igreja como anônima. Ainda no vestíbulo, e não no templo, o batismo é administrado por tríplice imersão em nome da Santíssima Trindade. É o nascimento espiritual ou iluminação. A seguir, o sacerdote administra o sacramento da crisma pela unção com o óleo consagrado pelo bispo na Quinta-feira Santa, e pronunciando as palavras: “O selo dos dons do Espírito Santo”, de que todos necessitam para cumprir os deveres cristãos. A criança recebe a veste branca e a cruz no pescoço, como símbolos da dignidade cristã. Batizada e crismada, a criança é consagrada a Deus pelo corte do cabelo e entregue aos padrinhos na entrada do altar. Finalmente, a criança recebe a primeira comunhão, porque mais do que ninguém, dos pequeninos é o Reino. Penitência A penitência ou arrependimento, nobre ato humano, torna-se sacramento ou mistério do perdão divino, quando o penitente, diante da cruz e do ícone do Salvador, confessa os pecados e pede o perdão de Deus. O sacerdote, que recebeu na ordenação o poder de perdoar, estende a estola sobre a cabeça inclinada do pecador humilhado, e com o gesto de Jesus que perdoa, antes que como juiz ou orientador psicológico, absolve o penitente, restaurando nele a imagem da glória divina. Sacerdócio Este é o sacramento da “imposição das mãos” sobre as pessoas escolhidas para o serviço litúrgico. A ordenação de diáconos, presbíteros e bispos é feita pelo bispo durante a Sagrada Liturgia (Missa). O bispo é consagrado por um grupo de bispos, na segunda parte da Liturgia, onde recebe o poder de ensinar. O presbítero é ordenado logo depois da procissão das ofertas, para receber o poder de consagrá-las. O diácono é ordenado depois da Consagração, porque não tem o poder de consagrar, mas de servir como intermediário entre o sacerdote e a assembléia. Quando o ordenando recebe os objetos e trajes de sua função, ajoelhado ao pé do altar, o bispo consagrante exclama Áxios (É digno) e o povo dá o seu assentimento, respondendo: Áxios, Áxios, Áxios. Matrimônio O rito é celebrado no meio da igreja, com dois atos de nobre simbolismo: os esponsais e a coroação dos nubentes. A coroação representa o reino familiar que os cônjuges governarão numa união indissolúvel como a de Cristo com a Igreja, que todos sabem que é um “grande mistério” (Ef 5,31). Unção dos enfermos Os cânones eclesiásticos prescrevem que este sacramento seja administrado por sete sacerdotes. Obviamente, fora dos mosteiros, é celebrado por um só sacerdote. A finalidade deste rito não é despedir um moribundo, mas confortar um enfermo, em qualquer grau de enfermidade. Ao término de cada uma das sete leituras bíblicas, a unção é como recordar, a quem está frágil de corpo e de alma, as lições de religião, avivando a esperança da saúde do corpo e a aceitação da doença. A colocação do livro do Evangelho aberto na cabeça do doente equivale a aproximá-lo do próprio autor daquelas palavras de conforto. Eucarístia Este sacramento é o centro em torno do qual gravitam todos os atos da vida cristã. Uma religião sem a Eucaristia é tão vã como o Cristianismo sem Cristo, da mesma forma que a Santa Ceia sem o mistério da presença de Cristo não passa de mera ceia. Na Igreja bizantina, a celebração eucarística não é um ato isolado, mas é a terceira parte do Ofício Divino globalmente entendido como a “obra de Deus”. O dia litúrgico inicia-se ao pôr-do-sol, quando se celebra a grande vigília:
A terceira parte começa com a recitação do Credo e continua com a Anáfora (Oração Eucarística), Consagração, Pai Nosso, Comunhão e Ação de Graças. Os fiéis se preparam para a comunhão com orações e rigoroso jejum desde a véspera. A Igreja Ortodoxa zela pela observância desta norma disciplinar, visando o respeito e a veneração do Sacramento. Os fiéis recebem a comunhão sob as espécies do pão de farinha pura (prósfora) e do vinho puro, de pé, em posição de prontidão e dignidade, e não de joelhos, porque o momento é festivo e a posição de joelhos é penitencial, só usada na Quaresma. O rito bizantino não reconhece a prática da comunhão fora da Liturgia. Não existe um culto isolado do Santíssimo Sacramento, porque no Oriente nunca foi negado o dogma eucarístico. Também não há culto ao sacramento conservado para comunhão dos enfermos, nem capela e bênção do Santíssimo. Em um mesmo domingo não são celebradas missas sucessivas, nem missas vespertinas, mas se tolera, nos dias de hoje, uma Liturgia mais cedo e outra no horário normal, para atender as necessidades dos fiéis. O calendário ortodoxo não contempla o costume de festa e procissão do Santíssimo, tão caro aos ocidentais, mas possui um culto eucarístico propriamente dito, de grande devoção, nas quartas e sextas-feiras da Quaresma, com a Liturgia dos Pré-santificados, atribuída ao Papa S. Gregório. A Missa dos Pré-santificados é um expressivo Ofício de Comunhão vespertino, conjugado com as Vésperas, nos dias em que não se celebra a Liturgia. Na Igreja Oriental, preza-se reverentemente o sentido do sagrado e, por isso, os fiéis não tocam nunca o cálice nem o pão consagrado. Apesar de relatos de antigos monges do Egito, mencionando o recebimento da comunhão na mão, este hábito sempre foi alheio aos orientais. A Liturgia, sendo uma ação pública por excelência, é celebrada no presbitério (altar), recinto separado do público pela iconostase, que possui uma porta central e duas laterais, que se abrem em alguns momentos da celebração. Com isto se mantém a dignidade do cerimonial, de modo que as pessoas não se acotovelam junto ao altar, nem dirigem a palavra aos oficiantes, nem se manifestam publicamente com preces improvisadas. Todas estas normas, sabiamente ditadas nos primeiros concílios da Igreja, criam uma profunda atmosfera de veneração das coisas sagradas, que impressiona e convida ao recolhimento e meditação. |
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