Revista "MUNDO e MISSÃO"
Teologia
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OS ROSTOS DE CRISTO Um desafio abre o terceiro milênio: como comunicar com ardor e firmeza o Evangelho de Jesus Cristo em um mundo pluralista e globalizado? Cláudio Pighin "E vós quem dizeis que eu sou?, respostas missiológicas e missionárias no contexto das religiões e das culturas" foi o tema do Congresso missiológico, que aconteceu na Pontifícia Universidade Urbaniana, única universidade pontifícia missionária no mundo, em Roma, de 17 a 20 de outubro. A participação contou com 1700 pessoas entre estudiosos de missão, estudantes universitários, autoridades eclesiásticas e missionários vindos do mundo todo. Participaram também especialistas de outras religiões. Cristo Salvador A unicidade e universalidade de Jesus Cristo para a salvação
dos seres humanos são, atualmente, objeto de novos estudos e debates,
sobretudo perante a pluralidade das religiões e das culturas, a
necessidade da inculturação da fé, as situações
de injustiça e pobreza de uma grande parte do mundo. O resultado
é o surgimento, nos vários continentes, de novas cristologias,
que têm um impacto direto sobre a missão. O Congresso, portanto,
propôs-se a estudar o papel salvífico de Jesus Cristo à
luz dos contextos socioculturais dos vários continentes. O cardeal
Jozef Tomko, prefeito da Congregação para a Evangelização
dos Povos, na abertura, defendeu a atualidade do tema do Congresso que
"nos leva ao centro das discussões não só abstratas
e puramente doutrinais, mas também existenciais". Ásia e América Latina É na Ásia que o diálogo inter-religioso mais avançou
e onde os teólogos mais estudam a questão. O indiano George
Karakunnel foi o porta-voz desta reflexão no Congresso. Ele se
perguntou: "Podemos ver os relacionamentos inter-religiosos em termos
de enriquecimento recíproco?". Isso "não significa
necessariamente a igualdade entre as religiões..., mas uma aceitação
existencial do outro". Ele explicou a idéia através
de um conceito da cultura indiana antiga, pela qual "a experiência
pessoal que cada um faz do mistério último, nos torna capazes
de compreender a experiência semelhante do outro e de respeitá-la".
Karakunnel propôs reservar a linguagem confessional (como a "unicidade"de
Cristo) para o interior de cada religião, para não ferir
a fé do outro e convidou os cristãos a manifestar a "unicidade"de
Cristo, dando testemunho dele no serviço aos pobres e excluídos.
Terminou citando Madre Teresa de Calcutá, que respondia a quem
lhe perguntava como se colocava diante das outras religiões: "Eu
amo todas as religiões, mas sou apaixonada pela minha". |
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