Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Um missionário Aviador Severino Crimella Há muitas maneiras de estar na missão. Dependendo dos contextos, alguns testemunham com uma presença silenciosa, outros anunciam explicitamente o Evangelho, outros, ainda, contribuem para a superação da pobreza. Que pensar do missionário que dirige um avião nos céus tropicais da Oceania? Com o coração despedaçado, devo informar a perda de padre José Panizzo, do Pontifício Instituto para as Missões, e de quatro professoras" - assim foi a mensagem do bispo Cezar Bonivento de Vanimo, Papua Nova Guiné. "Eu não sei exatamente o que aconteceu hoje. O dia começou muito bonito, como sempre. Tomamos o café pela manhã e partilhamos os compromissos do dia. Os dias têm sido bem cheios. As professoras deviam retornar para as aldeias e o padre José iria levá-las com o pequeno avião. Às 18h15 a notícia que chega afirma que se perdeu o contato com o avião do padre, o qual não tinha chegado ao aeroporto na hora combinada. Eu continuava esperando contra qualquer esperança. Finalmente, o avião tinha sido visto a 60 km de Vanimo. Estava caído e a fumaça continuava a subir para o céu. A última notícia dizia que não havia sobreviventes. Tentamos entender o porquê da queda. Padre José era um experiente piloto. Repentinamente o mau tempo surgiu. Procurando escapar, o avião foi absorvido no turbilhão. O padre perdeu o controle da aeronave e, assim, aconteceu o desastre". Era o dia 20 de abril de 1994. Mais tarde, o mesmo bispo enviou uma carta à mãe do missionário. "Querida mãe Teresa, em lágrimas eu a abraço. Beijo-a com o beijo que seu querido filho lhe teria enviado na ocorrência de seus 80 anos. Agora ele está no Paraíso - lá bem no alto - porque ele era um grande piloto, também na vida espiritual. Ele sempre quis voar para o alto, sempre mais para o alto. Ele era um santo missionário. Todos os que o conheciam o amavam por causa disso (...) Eu gostaria de estar perto da senhora, querida mãe, e partilhar de sua dor. José não quer que a senhora chore. Do céu continua sorrindo, como sempre fez". Sempre voando - Em sua infância, padre José, ainda na Itália, tinha um desejo que o acompanhava. "Quando criança, eu tive um sonho: ser capaz de voar. Tudo que tinha asas me empolgava: pássaros, aviões e helicópteros, etc. Eu gostava de ir ao aeroporto de Veneza para ver os aviões decolarem e descerem". Foi enviado para os Estados Unidos e lá aprendeu a dirigir os aviões. Obteve a licença de piloto. A verdadeira razão para voar era para servir melhor aos outros. A solidariedade com os pobres estava no mesmo nível que a paixão de voar. Entre 1983 e 1993, teve uma presença missionária significativa na Amazônia, sempre de avião. Muitos ribeirinhos sabiam reconhecer o barulho do pequeno avião e o esperavam para algumas situações de emergência, como uma ferida com o machado, uma mordida de cobra ou, ainda por um parto. O missionário piloto ajudava qualquer um que precisasse. Padre José, numa carta escrita em 1993, fala da nova missão e do sacrifício para deixar a Amazônia. "O meu superior me escreveu uma carta pedindo-me para ir à Papua Nova Guiné. O que posso dizer? Sou missionário a serviço da Igreja universal. Eu aceitei e estou bem feliz de fazer o que estava fazendo na Amazônia. Eu gosto de Barreirinha e das localidades vizinhas. Gosto também do povo, das crianças, da água, dos pássaros, dos rios, das lagoas e florestas... Eu deixo tudo isso e digo "sim" a Deus". Eu sei que a mudança de missão não vai ser fácil. Nova língua, novas culturas, novas tradições. A mudança, certamente, contribuirá em manter-me jovem. O que Deus quer eu faço". Papua Nova Guiné - Num domingo, dia 2 de maio de 1993, começa a longa viagem que da Amazônia levará padre José à Papua Nova Guiné. Alguns amigos norte-americanos tinham colaborado para a compra de um pequeno avião, padre José quer voltar para os Estados Unidos para substituir peças desgastadas e aprimorar o bom funcionamento do avião. "No dia 2 de maio, às 3 da tarde, deixei Barreirinha, no coração da Amazônia, e voei para Manaus. A um certo ponto me apercebi que o piloto mecânico deslocava o avião para a esquerda. Pressionei o meu pé direto até chegarmos em Manaus. O estabilizador estava quebrado. Demorei dois dias antes do conserto. No dia 4 de maio estava de novo voando. Desta vez para a Florida. A duração do vôo foi de 27 horas, percorrendo quase 5.250 km. Eu estava só, voando. Aliás, o céu, Deus, eu e o avião estávamos voando. Entrando e saindo das nuvens. Parando algumas vezes para abastecer e voar de novo. A maior parte do tempo estava imerso no azul do céu. Que aventura esplêndida". Mais tarde, o avião é levado para a Papua Nova Guiné,
e o missionário voador socorre e ajuda em todos os sentidos. A Oceania é semeada de testemunhos como este. A paixão pelo infinito e pelo vôo, o verde das florestas, os rios intermináveis com sua água azul cristalina continuam abastecendo os sonhos de muitos missionários. Não se pode esquecer de que, no fundo do coração de um missionário, há uma paixão sem limites. |
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