Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Um hospital para curar, estudar e trabalhar

Pedro Roberto

Todo missionário que ia ser enviado para as missões nos paises pobres, especialmente do Oriente, logo se defrontava com o flagelo da lepra. Nos anos 50/65, os institutos missionários até convidavam seus estudantes de teologia a freqüentar curso de medicina preventiva em escolas anexas às faculdades de medicina. Os que eram enviados no Oriente, podiam freqüentar ainda um curso de quatro anos de leprologia, na Espanha, da qual saiam com um titulo que os habilitava a exercer a medicina em terra de missão.

No Pontifício Instituto das Missões - P.I.M.E., vários membros se destacaram pela luta contra esse flagelo e criaram hospitais e centros de reabilitação para hanseníases. Recordamos aqui em particular alguns padres como pe Carlos Torriani que criou um ashram ou uma organização entre hospital e lugar de meditação e de recuperação para acolher leprosos de qualquer religião e criar uma comunidade de recuperação através da trabalho e da oração ecumênica. Pe. Cesare Colombo na Birmânia e pe Luiz Pezzoni na India.

No Brasil, o P.I.M.E. assumiu uma presença na colônia de Marituba no Pará onde se destacaram duas grande figuras, o dr. Marcelo Cândia do qual já iniciou-se a causa de beatificação e Dom Aristides Piróvano, figura singular de partisão durante a guerra, missionário e bispo de Macapá, superior geral do P.I.M.E. e, depois, foi viver em Marituba com os hanseníases que muito ajudou financiariamente com seus contatos com o mundo internacional das finanças.

Um plano inovador na Índia

Padre Luiz Pezzoni foi ordenado em 1959. Durante a teologia como seus colegas, cursou medicina no policlínico de Milão, fez o seu aperfeiçoamento na Espanha e depois enviado na India em 1966.
Foi destinado na missão de Nalgonda, capital do estado de Entra Pradesh, e após o devido reconhecimento por parte do autoridade local, começou exercer sua missão de sacerdote e medico. O território de sua missão tinha mais de um milhão de moradores.
Todas as manhãs, pe Luiz chegava numa aldeia com um velho jipe e, antes de iniciar a parte médica de consultas e distribuição dos remédios, celebrava a Missas. Isso era bem aceito pelos indianos até os não católicos, um povo fortemente imbuído de grande senso religioso.

Ao longo de 20 anos, perdeu a conta dos milhares de hansenianos que curou, salvou com a ajuda de um grupo de mais de 70 para-médicos que ele mesmo tinha preparado e espalhado em dispensários periféricos de sua missão.
Mas a lepra na India, que atinge vários milhões numa população de mais de um bilhão de pessoas, era também um mal social contra o qual somente nos últimos anos os governos intentaram uma verdadeira guerra para amenizar a situação.

Pe. Luiz colaborou com os governos com o plano chamado survey ou seja, um trabalho capilar de monitoramento e analises das condições da população. Numa entrevista, Ele dizia que "sarar da lepra é possível mas para isso o importante é assumir com regularidade os remédios".
O sonho porém de pe. Luiz era fundar um leprosário para curar os doentes como também reintegra-los na sociedade após a fase de contágio conforme o exemplo de outro padre do P.I.M.E. pe. César Colombo na Birmânia.. E o seu sonho se realizou em 1978, quando, após vários anos de trabalho e de preparação, conseguiu construir o hospital leprosário de Nalgonda.
O hospital pode acolher até 200 hansenianos que são acompanhados por três médicos e sessenta para-médicos.
Mas o hospital tem uma característica própria: não se trata somente de um hospital para curar mas de uma pequena cidade porque, em anexo, existem escolas, oficina mecânica e marcenaria onde se constroem próteses para os que a lepra tornou inválidos. Quem trabalha são hansenianos que moram nessa cidade e ali encontram escolas para seus filhos e os daqueles que ainda estão hospitalizados. Dez professoras cuidam dessas escolas enquanto outros educadores percorrem as aldeias para levar o ensino, a educação e normas de higiene para prevenir a doença.
Gestir uma estrutura desse tipo custa ao padre Luiz um milhão de dólares ao ano que ele consegue arrecadar através de amigos europeus e americanos, da associação alemã Dhaw e da "Os Amigos de Raoul Follerau".
Dia 2 de outubro do ano passado, foi inaugurado um salão de encontro onde os moradores podem encontrar o lazer, dançar, ouvir música, fazer teatro e celebrar as missas e os cultos religiosos. O lema do padre Luiz não é somente "curar-se da lepra mas estar juntos e viver a solidariedade acima de tudo".

Pe César Colombo, o anjo dos leprosos birman

No dia 31 de dezembro 1966, pe. César Colombo foi expulso da Birmânia por uma lei que visava expulsar chineses e coreanos mas atingiu também a ele... As autoridades sabiam que haveria tumulto no aeroporto e sem preaviso, obrigaram o padre a partir com o primeiro vôo de manha embora o vôo estivesse marcados para a tardezinha. Estavam com medo da reação dos leprosos que estava chegando ao aeroporto para saudar, já que não podiam impedir sua partida, o seu anjo salvador. Eram mais de mil com 400 crianças que tinham caminhado por vinte quilômetros na floresta para chegar ao aeroporto de Kentung. Todo mundo queria abraçar o padre, tanto que algumas autoridades que vieram para também saudar o amigo não conseguiram se aproximar ou não quiseram se misturar com os leprosos.

O anjos dos hansenianos

Pe César tinha chegado na Birmânia em 1936 com a força e o entusiasmo dos seus trinta anos.
Ma logo deparou-se com a gravidade da hanseníase que dizimava as aldeias, obrigava os doentes se esconder na floresta vivendo na solidão e na miséria extrema quase ao nível dos animais.

Diante da gravidade da doença os governos, estimulado pela OMS- Organização Mundial da Saúde, começaram a construir leprosários mas, come escrevia o mesmo pe César, nesse leprosários os "hansenianos passaram da condição de condenados à morte para condenados à prisão perpétua, reclusos em campos mais parecidos com cadeias sem celas, custodiados pela polícia, abandonados pelas famílias, esquecidos pela sociedade e inúteis para se e para a sociedade".
Pe César logo se envolveu com estes doentes que precisavam não de segregação mas de curas e amor, e começou o trabalho de anjo protetor deles no leprosário mas não para prisioneiros mas pessoas que precisavam fossem tratados como seres humanos doentes.
O primeiro leprosário construído com esse intuito, somente surgiu em 1946 quando pe, César voltou dos campos de concentração onde foi internado pelos ingleses, colonizadores da Birmânia, junto com quase todos os padres porque italianos ou seja cidadões de um país em guerra contra a Inglaterra.
Após sua organização, o leprosário de Kentung ou de pe César como era reconhecido, se tornou modelo de como tratar a lepra dentro dos recursos do tempo, porque a filosofia do trabalho de pe César era diferentes daquela normalmente usada..
Em l953 pe. César volta à Itália para se formar médico e cirurgião assim ajudar os seus leproso e retorna para a Birmânia em 1961.

A filosofia inovadora

Os métodos de cura de pe César eram revolucionários naqueles anos e naqueles lugares.

No leprosário de Pe Cesar os leprosos podiam ir e vir e viver com sua mulher e filhos,
Cada família tinha sua cabana e somente eram recolhidos no hospital os mais graves.
Cada doente devia tentar de trabalhar dentro das possibilidades físicas para ajudar a comunidade.

Infelizmente em 1966, uma ordem do governo expulsava todas os estrangeiros que tinham entrado na Birmânia após a independência do País (1949). Pe César foi incluído no decreto porque ela tinha passado alguns anos fora da Birmânia quando se formou médico. E apesar que até as autoridades locais tentaram o possível porque ele não fosse deportado, ele precisou deixar a sua obra, os seus mais de 5 mil doentes e voltou para Itália, onde veio a falecer em outubro de 1980.
Em reconhecimento do trabalho realizado, pe César ganhou vários prêmios na América do Norte e o prêmio da Bondade Noite de Natal em 1967.

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