Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Milagre no inferno do EBOLA Irmã Dorina Tadiello Este é o relatório da morte de uma enfermeira no hospital di Lacor - Uganda, onde apareceu o vírus do ebola. A morte da enfermeira e de outro pessoal que assistiam os doente é um verdadeiro testemunho do martírio de amor ao próximo O vírus do ebola Staff Grace Akullu era uma enfermeira profissional do hospital missionário St. Mary's Lacor, em Gulu, Uganda que conseguiu o seu diploma em outubro de 1999 com 27 anos. De origem de família de cristãos, vivia profundamente a experiência religiosa participando da animação religiosa e missionária no ambiente do hospital e animando os cantos litúrgicos com sua bela voz. O que revelou em maneira dramática a presença da nova epidemia, foi a morte improvisa e misteriosa de três estudantes de enfermagem, duas enfermeiras e de alguns doentes. Grace os havia assistidos até o fim bem sabendo do perigo a que se expunha. Na semana seguinte, os exames laboratoriais dos mortos confirmavam a suspeita do ebola criando pavor e medo entre o pessoal do hospital que, inconscientemente, tinham-se expostos ao contágio e entre o povo da vizinhança Apesar porém da tensão e do medo, vários profissionais hospitalares se ofereceram de continuar a assistência aos doentes entre os quais Grace. Grace Akullu Grace fazia poucos dias que trabalhava na repartição das doenças contagiosas quando eu a conheci. Aberta e sempre risonha, falávamos a vontade durante os momentos livres do trabalho. Ela tinha porém o pressentimento de estar já contaminada pelo vírus.. e eu ouvia seus medos e, às vezes, seus profundos silêncios e procurando de aliviar sua tensão tentávamos de rir juntas,.. mas cada dia que passava, parecia que aumentasse nela a certeza de estar infectada. Se preocupava do futuro dos seus dois filhos, do pai do qual era a filha única. Um dia, enquanto visitavamos os doentes, ela me disse que não
estava passando bem. Na tarde, os exames clínicos revelaram que
estava infectada pelo ebola. À noite, devido ao agravamento da suas condições,
decidi de passá-la junto com ela. Rezamos juntos, falamos de outras
coisas, e ela que amava tanto cantar já não o conseguia
mais por falta de ar. Pedi-lhe quais eram os seus cantos preferidos que
eu os teria cantado. Ela respondeu que qualquer canto a tornaria feliz
e os acompanhava com os olhos fechados. O seu sorriso e a mão que
tentava de acompanhar o ritmo, diziam que ela estava ouvindo e gostando
de cada palavra. Grace pediu a unção dos enfermos que acompanhou com muita emoção. Tentava ler o bilhete que eu lhe havia enviado; lia uma parte e depois fechava os olhos. Quando os abria, me fixava com intensidade como se quisesse penetrar nos meus pensamentos e conhecer toda a verdade. Eu não conseguia esconder as lácrimas. Ela me olhava e, apesar das lagrimas, com a expressão do rosto parecia que ela quisesse me consolar. O seu olhar era mais convincente das palavras. À noite, dr Matthew veio para mais um controle mas era mais do que certo que nada mais podia ser feito para ela ... não havia nem esperanças de uma melhora sequer. Falou para Grace para tranqüiliza-la que tomaria conta dos seus filhos e terminava dizendo " que restava somente uma coisa: se pôr na mãos de Deus e aceitar a sua vontade, por quanto incompreensível possa ser para nos abandonarmos nele, Agora o que conta é somente a sua vontade". Grace escutava em silêncio e respondeu com sinal afirmativo da
cabeça com os olhos fechados mas um sorriso nos lábios. Sinal de doação O rosto se compôs numa extraordinária beleza e luminosidade. Nas longas horas antes de sua morte, Grace tinha realizado o seu último canto de louvor a Deus e entregue sua mensagem para os presentes. O Dr Matthew Lukwiya, comentando a morte de Grace e de outros que deram a vida ao serviços dos doentes desse inexorável vírus disse: "Diante de nós, está se descortinando um grande mistério de luz. Entre o nosso pessoal que morreu pelo vírus do ebola, nunca houve uma palavra de desespero,, raiva, arrependimento por ter aceito de trabalhar em situações tão arriscadas. Somente ações de graças e convite a continuar, como Daniel, falecido alguns dias antes de Grace morrer. O martírio e a santidade do nosso pessoal são dons para o presente que o futuro deverá valorizar. São todos jovens que terminaram os estudos e tinham sonhos e projetos de vida para o futuro, mas se dedicaram arriscando a vida e sacrificando-a para ameniz r uma grande catástrofe. A continuidade do nosso serviço ao doente enriqueceu de novas motivações e novas energias". Essas foram as palavras testemunhos de um homem que morreria do vírus do ebola somente alguns dias depois, no dia 5 de dezembro 2000. |
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