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Operários e religiosos
Jacques Loew, um advogado francês, após uma crise religiosa
decidiu se tornar sacerdote dominicano. Em 1940, enviado a fazer uma pesquisa
sobre as condições de vida dos estivadores do porto de Marselha,
descobriu uma grande miséria física e moral entre os portuários,
situação comum em todos os portos daquele tempo. Mas, o
que mais tocou o jovem Jacques foi a ausência de Deus, totalmente
ignorado pelos rudes estivadores; ausência que brutalizava ainda
mais o ambiente já pesado do porto de Marselha.
Foi, então, que decidiu compartilhar, em todos os aspectos, a vida
daqueles trabalhadores e foi viver com eles e como eles para sensibilizá-los:
tornou-se estivador assalariado e foi morar numa casa alugada. Isso suscitou
surpresa, curiosidade e espanto: em primeiro lugar porque era incomum
que um sacerdote se dedicasse à vida operária como trabalhador,
igual aos outros, sobrevivendo de salário, pagando seu aluguel,
obedecendo aos horários da empresa, ainda mais sendo um advogado.
E também porque eram tempos difíceis para a França
com a ideologia marxista infiltrada entre os trabalhadores, assumida como
revolta frente às situações desumanas dos trabalhadores.
Pe. Jacques entrou naquele mundo que lhe era hostil como evangelizador,
com sua presença e participação integral no mundo
operário: era um operário sacerdote.
Alguns portuários e sacerdotes se juntaram, formando um grupo de
evangelizadores, como preferiram ser chamados, e iniciaram a Missão
Operária São Pedro e São Paulo - Mopp. O grupo foi
se espalhando e ficou famoso, nos anos 50/60, os padres operários
que trabalhavam nas fábricas de Paris.
Houve momentos de incompreensão também por parte da Igreja
oficial, que nem sempre entendia porque precisava ser operário
para trabalhar entre operários, mas a amizade de pe. Jacques Loew
com o papa Pio XII conseguiu superar aquela fase difícil e hoje
o Mopp está presente em vários lugares do mundo, na Europa,
no Japão, na Rússia e no Brasil.
Padre Jacques faleceu em fevereiro de 1999, com noventa anos, hóspede
de um convento trapista de clausura.
A Mopp hoje
A Missão Operária é um instituto de vida religiosa
que tem peculiaridades próprias para atender a sua missão
de evangelizar no mundo operário. O instituto não tem propriedades,
a não ser algumas casas de formação, tem um responsável
geral e quatro conselheiros, aceita sacerdotes e não sacerdotes
que devem, todavia, ser operários. Faz parte do currículo
formativo, a aprendizagem de uma profissão, por um mínimo
de dois anos, numa fábrica. A profissão deve ser naturalmente
de operário e não de livre profissional, porque a Mopp escolheu
viver a fundo a realidade operária. O atual responsável
geral, que em outras instituições seria o superior geral,
trabalha como soldador numa fábrica de ônibus na França,
embora tenha formação teológica superior e seja sacerdote.
Vivem em pequenas comunidades em casas alugadas. Põem em comum
o salário que ganham e cuidam de todos os afazeres domésticos.
Antes de ir para o trabalho, fazem as orações em comum,
celebram a missa, se são padres, e semanalmente, fazem uma revisão
de vida.
Os membros da Mopp priorizam a vocação de evangelizadores:
não aceitam dirigir paróquias, embora ajudem eventualmente
em igrejas no bairro onde moram, no meio do povo.
A missão hoje, pelo menos na França onde o movimento surgiu,
mudou bastante. Se, no início, se tratava de evangelizar operários
franceses batizados, embora afastados e mergulhados na doutrina marxista
ou no ateísmo, hoje, a maioria dos operários são
estrangeiros e muçulmanos, com cultura e maneira de viver muito
diferentes.
"Antes de evangelizar pessoas estrangeiras, - esclarece pe. Nico
o responsável geral do Mopp - é preciso conquistá-las,
elas que já tem uma série de dificuldades por causa da cultura
e da religião diferentes; muitas vezes, são clandestinos,
mal-pagos e desconfiados. O primeiro passo dos evangelizadores, portanto,
é conquistar a amizade dentro e fora das fábricas, antes
de anunciar-lhes o Evangelho. Depois de tê-la conquistada, aí
pode se iniciar um contato mais evangelizador. O importante é criar
uma acolhida amigável na cultura cristã; somente quando
assumem profundamente o cristianismo, então os levamos à
paróquia onde podem se batizar. Nesses momentos, acontecem até
casos curiosos em que os evangelizadores não são chamados
para ministrar o batismo ou celebrar o matrimônio, mas para serem
padrinhos, testemunhas, amigos dos esposos e da família por conta
da amizade criada na fase de evangelização".
O trabalho é longo, mas característico da Mopp: se a conversão
acontecer, que seja profunda e sincera.
Moop no Brasil
Alguns membros da Mopp chegaram ao Brasil como operários nos anos
60. Pe. Jomar Vigneron, um dos nossos entrevistados, veio em 1971 e trabalhou
como fresador numa empresa de reforma de ônibus em Osasco. Depois
de um período numa fábrica do Canadá, voltou para
o Brasil onde foi destacado para a equipe formativa em Curitiba, junto
com mais dois membros: pe. Michel Cuenot e Cláudio Briand, um leigo
consagrado, responsável da casa de formação.
A Mopp brasileira tem vários jovens que estão se preparando
para se consagrar à missão operária. Alguns estão
ainda aprendendo uma profissão, outros, iniciando este ano os últimos
estudos teológicos, após alguns anos na Alemanha, França
e Japão.
Maiores informações:
MOPP - Missão Operária São Pedro e São Paulo
Rua Aristides de Oliveira Furmam n.º 224 - Bairro Pinheirinho
CEP 81880-420 - Curitiba - PR
mcuenot@mps.com.br
MOPP em Berlim - Alemanha
Após a Assembléia da Mopp, continuamos nossa presença
num bairro popular de Berlim. O bairro está situado na parte leste
da cidade, antigamente dependente do regime comunista. O número
de católicos aqui não ultrapassa 5% da população.
Agora que a equipe está completa, vamos poder fixar algumas prioridades
para a evangelização. Já traduzimos o texto que Renato
Corti, bispo de Novara (ltália), havia explicado durante a Assembléia,
insistindo sobre a necessidade da nova evangelização. Evidentemente,
isso se torna muito mais urgente para Berlim que sofreu tantas desilusões
com os fracassos sucessivos do nazismo e do comunismo e com as feridas
psicológicas e espirituais deixadas por estas ideologias.
Sentimo-nos insignificantes e muito limitados para enfrentar tais desafios!
Temos, porém, vários pedidos para organizar algumas coisas
do jeito como foi feito em vários lugares onde atuaram nossos irmãos
da Mopp, como no Brasil. Para nossa manutenção, por causa
da idade de Manfredo e Gaspard, sabemos que não encontraremos serviço
numa fábrica. Por isso, tentamos prestar alguns serviços
dentro do contexto da Igreja, o que nos assegura um mínimo para
não passar fome. Aqui também o desemprego faz parte da vida
do povo e não temos nenhuma garantia de que o mais jovem possa
se empregar facilmente. Esta austeridade de vida nos situa no mesmo plano
das numerosas vítimas dos sistemas que se sucederam no palco da
história. Isso é uma graça e um ponto de apoio para
uma evangelização "em espírito e verdade".
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