Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Logo depois da II Guerra, o Brasil recebeu muitos missionários, geralmente europeus. As causas dessa vinda foram basicamente duas: as crescentes migrações para o interior do país e um grande número de missionários expulsos pela ditadura comunista ou pelas nações que se tornavam independentes e não toleravam a presença de estrangeiros. Na Índia, por exemplo, era permitida a presença somente de missionários que tivessem uma especialização civil, como médicos, engenheiros ou professores universitários Após alguns anos, diminuiu o afluxo de missionários estrangeiros; muitos países, antes comunistas, pedem novamente a presença de sacerdotes; brasileiros partem para as missões no exterior... novos tempos missionários. O Pime também já vive essa nova realidade: alguns brasileiros estão em outros países e há quatro sacerdotes missionários indianos trabalhando aqui. Um deles é padre Nallamelli Prakasa Rao que nos conta sua história. Os primeiros anos Nasci em 1969, em Annadevarapeta, no Estado de Andhra Pradesh, sul da Índia. De família católica, fui batizado e, com meu irmão, educado nessa fé. Meus pais puderam nos dar estudos em escola religiosa. Na minha paróquia, onde eu era coroinha, trabalhavam os padres do Pime: foi lá que, ainda criança, conheci o Instituto. À noite, eu gostava muito de assistir a filminhos, no salão paroquial.
Minha infância foi feliz e afortunada. Éramos uma família pequena: pai, mãe e dois filhos, vivendo de forma bem tradicional, como as famílias indianas na minha região. Naqueles tempos, era forte a influência cristã. Em casa, ajudávamos nossa mãe a preparar a comida para todos. Continuei sempre estudando e obtive o grau universitário em ciências políticas. A universidade era em Eluru, a 100 quilômetros da minha cidade natal, e ali também havia uma casa dos padres do Pime que me impressionaram pelo trabalho que faziam entre os mais pobres. Eu tinha 22 anos e decidi dedicar minha vida à missão, para anunciar a palavra de Deus e partilhar a minha experiência de fé e caridade com o próximo. Entrei no Instituto, em Eluru, em 1992, e para um maior aprofundamento fui para o Pime Vidya Bhavan, em Pune, perto de Bombaim. Após terminar os cinco anos de formação espiritual e filosófica, fui para Monza Itália, para completar a teologia no seminário internacional do Instituto. A minha ordenação sacerdotal aconteceu na minha diocese, Eluru, em junho de 2001. Em seguida, fui destinado para o Brasil, aonde cheguei em janeiro de 2002 e agora estou estudando a língua portuguesa. Por que o Pime
Existem vários institutos missionários na Índia, mas escolhi o Pime porque convivi com ele, durante vários anos de minha juventude, numa maneira muito íntima e profunda. Brasil Quando fui destinado ao Brasil, fiquei feliz porque, proveniente da Ásia, desejava trabalhar com um povo de cultura, língua, tradições e costumes diferentes dos meus. Gosto dessas diferenças porque podemos ter muitos pontos de vista, porém o amor de Cristo nos une e é por isso que estou aqui. E aqui serei testemunha da minha fé, cultura e tradições, enquanto vou aprender as do povo brasileiro, tão rico nessas experiências. Acho que esse intercâmbio religioso tem uma grande importância porque há muitas coisas para aprender com a Igreja do Brasil. Da minha parte, devo contribuir com os carismas e dons que Deus me deu, para partilhá-los com os fiéis com os quais trabalharei. Eu creio nessa missão missionária e o Senhor certamente me dará a força para levar adiante esse trabalho.
Nos últimos tempos, ficamos chocados com os conflitos religiosos entre hindus e muçulmanos no noroeste da Índia. Existem, no país, muitas religiões, entre as quais predomina o hinduísmo: quase 80% da população são hindus. Esses conflitos não são normais, porque a tolerância religiosa é uma tradição na Índia e o povo é, geralmente, pacífico por natureza. Nasci num lugar muito tranqüilo e não existem conflitos religiosos.
Quando era estudante universitário, tinha muitos amigos hindus
e lembro que eu participava, muitas vezes, das festas religiosas deles. Quem quiser entrar em |
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