Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Um povo em missão Alberto Garuti Em muitos lugares do Brasil estão se realizando as "missões populares". Em Londrina, PR, por exemplo, a diocese organizou e preparou tudo, com perfeição. Pe. Antônio Palermo, pároco de Ibiporã, nos mostra como essas missões conseguiram envolver toda a comunidade M.M.: Em que consiste a missão popular? P.A.: Em Londrina foi preparado o material (distintivos, "folders", cartazes, apostilas) e foi organizado um curso para a preparação dos palestristas que seriam encarregados da formação dos evangelizadores em cada paróquia. Queria salientar o grande estímulo que nos foi dado pelo bispo, dom Albano Cavallin, e o trabalho do frei Adelino Frigo, capuchinho, responsável pela organização e confecção de todo o material. M.M.: Como a paróquia entrou na preparação das missões populares? P.A.: Inicialmente, pensamos que, para chegar a todas as casas, precisaríamos
de cerca de 400 evangelizadores. Fizemos questão de que eles atuassem
sempre em duplas, como fez Jesus quando enviou os 72 discípulos.
Para este ano, de março a novembro, estão previstas 9 visitas
a cada família e em cada visita um tema diferente será anunciado,
conforme planejado pela diocese. Organizamos uma primeira série
de encontros com os evangelizadores para lhes explicar o conteúdo
da apostila enviada pela diocese. Mas constatamos que 400 evangelizadores
seriam poucos e não dariam conta do trabalho. Convidamos então
mais 200. Agora estamos com perto de 500 para visitar todas as famílias
de uma cidade que tem 40 mil habitantes. M.M.: Como foi possível coordenar o trabalho de tantas pessoas? P.A.: Formamos uma coordenação geral e uma secretaria, encarregadas de dividir a cidade em setores (17), preparar mapas de cada setor e distribuir o material aos evangelizadores. Escolhemos também coordenadores para cada setor, encarregados de reunir os evangelizadores, de determinar em que ruas e casas cada um iria e de ouvir eventuais dificuldades para depois relatá-las à coordenação geral. M.M.: Depois de tudo preparado, como começou a evangelização? P.A.: Uma semana antes de iniciarmos as visitas às casas, quisemos
ter um momento comum de oração. Foi num sábado de
manhã, às 5 horas: uma ora e meia de adoração
seguida de missa. Mais de 300 evangelizadores estavam presentes. Não
esperávamos tanto, visto que a hora escolhida obrigou muitas pessoas
a se levantarem muito cedo, justo num sábado. Em qualquer outra
hora, contudo, teria sido impossível reunir tantas pessoas. Quisemos
ensinar que só ficando unidos a Deus, os frutos do nosso trabalho
podem aparecer. M.M.: Que orientações foram dadas aos evangelizadores? P. A.: A diocese nos ajudou através do "folder" "Passos para evangelizar de casa em casa",que orientava sobre como se apresentar, o que dizer, expunha possíveis dificuldades que iriam surgir no desenrolar da visita, dava sugestões e orientações sobre como resolvê-las, insistindo muito na atitude de "ouvir", "escutar", "deixar falar". A orientação que demos foi de manter uma atitude humilde, evitar polêmicas, especialmente com pessoas de outras religiões, de ir sempre de 2 em 2 e de se identificar, vestindo sempre a camiseta das missões populares, usando cada um o distintivo com o nome próprio, carregando bíblia e terço juntos, para não ser confundidos com os crentes e pedir que cada casa visitada afixasse o pequeno cartaz das missões, como acontece quando se faz a novena de Natal nas casas. M.M.: O que acontece durante as visitas? P.A.: A visita na casa começa com uma oração. A
diocese aconselhou que os visitantes levassem água benta para a
benção das casas, pois muitas pessoas querem e é
muito bom que sejam os próprios evangelizadores que a façam.
M.M.: Como é que você se comunica com os evangelizadores para estar por dentro do andamento das visitas? P.A.: Eu me encontro todo mês com os coordenadores da comissão central que vão trazer todos os problemas surgidos. E tenho também um encontro, no final do mês, com todos os evangelizadores, para uma revisão do que foi feito e uma programação para o mês seguinte. Nessa reunião, é estudado e aprofundado o tema a ser proposto na próxima visita. Cada mês repetimos o momento de oração comunitária: uma hora de oração às cinco e meia da manhã seguida pela missa. M.M.: As missões populares, que envolvem a atuação de muitas pessoas, não interferem nas atividades normais da paróquia? P.A.: Durante a semana em que se efetuam as visitas às famílias, estão suspensas todas as demais atividades paroquiais, como reuniões de grupos, movimentos, encontros. A prioridade absoluta é dada às missões populares. Às vezes, uma semana não é suficiente para visitar todas as famílias. Alguns evangelizadores têm até 30-40 famílias para visitar. Por isso permitimos que, a partir da segunda visita, duas ou três famílias se juntem numa casa só. Isso nos permite de reservar uma semana só por mês para a evangelização e, nas outras semanas, continuar com nossas atividades. M.M.: Que orientações são dadas aos evangelizadores para enfrentarem situações irregulares ou dificuldades que surgirem durante as visitas? P.A.: Os evangelizadores já conhecem os problemas de cada família
pois fizeram o recenseamento. Quando eles encontram casais em situações
irregulares, apresentem o caso ao pároco, que vai tentar dar uma
solução. Nos casos em que não há uma solução
à vista (casais de divorciados, por exemplo), orientamos os evangelizadores
a estimular as pessoas para que não desanimem. Praticamente, a
mensagem que eles transmitem é esta: "se algo não pode
ser consertado, não estrague o resto de sua vida", isto é,
participe da missa, viva bem com sua atual esposa, eduque bem os filhos.
Não se sinta discriminado, esquecido, abandonado ou "chutado"
por Deus. M.M.: Encontrou sinais de cansaço ou desânimo nos evangelizadores? P.A.: Mais do que cansaço, encontrei medo, no começo, de não ser recebidos, de não conseguir dar conta do recado, medo por causa de uma tarefa totalmente nova para eles. Mas agora, quem começou está contando maravilhas, até mesmo quem estava com medo antes de começar. Eles perceberam que estão sendo muito bem acolhidos, que há muita fome e sede de Deus nas pessoas. M.M.: O que vocês esperam em termos de resultados, de frutos das missões populares? P.A.: Por parte dos padres, dos catequistas, dos ministros, do pessoal
mais engajado, enfim, esperamos uma presença maior, uma penetração
maior em todos os setores da paróquia. Esperamos poder descobrir
as famílias que mais precisam de apoio material ou espiritual para
que a paróquia possa atuar também entre os mais afastados
ou excluídos. Existe um livro: "Evangelização
para toda a diocese" do qual já distribuímos cerca
de 700 exemplares. Esperamos poder usá-lo em todas as famílias
distribuindo milhares de exemplares. Pe. Antônio Palermo |
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