Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Maria Auxiliadora Queiroz Motta Breve visão histórica do país... Possui cerca de 40 etnias. É um mosaico de povos e culturas. Cultos tradicionais predominam 45,2%; islamismo 39,9%; cristãos 13,2% (católicos 11,6%; outros 3,8%; dupla filiação 2,2%); sem religião e ateísmo 1,6% (2000). Mesmo após a independência, o povo guineense ainda é dependente, política e economicamente, de países estrangeiros. Vive basicamente do que produz na agricultura (80% da força de trabalho têm como principais produtos o arroz, a castanha de caju, o algodão e a manga). Possui pequena atividade pesqueira. Apesar de também dispor de reservas de bauxita e fosfato, é um dos países mais pobres do mundo. A saúde do guineense é precária. Muitos, principalmente crianças, morrem de malária ou de tuberculose. Falta saneamento básico e os recursos médicos são escassos. O setor da educação, marcado por longas greves desde a guerra de 1998 e o golpe de estado de 2003, mostra o descaso do poder político: - falta salário e formação no quadro de professores; os jovens vivem o drama da incerteza de seu futuro. A crônica carência de estudo, de trabalho e de perspectiva de vida, favorece o vício e a prostituição, inclusive infantil. 25 anos de presença evangelizadora... São mais de 25 anos de presença das Missionárias da Imaculada em Guiné Bissau. Essa presença é, antes de tudo, evangelizadora e humanizadora. Com os guineenses “vivemos” e celebramos recentemente (em 2005) 25 anos de nossa vida. Nesse período, a evangelização se deu através do relacionamento que criamos com eles. Desde 1980, nossa presença sempre foi, seja nas aldeias como nas cidades, motivada pelo ensinamento de Jesus: “que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Um pouco do trabalho na missão... Nossa ação evangelizadora prioriza a formação de líderes, principalmente nas aldeias, através da catequese de jovens e adultos. Hoje, eu coordeno a Comissão Diocesana de Catequese, junto com padres e irmãs, além de alguns leigos(as), que se preparam para assumir a formação de outros catequistas. Desde 1994, na área da Educação, uma coirmã e eu iniciamos a escola de autogestão, um trabalho de sensibilização das tabancas (aldeias) a respeito da importância da escola e, sobretudo, motivando moças a participarem da aprendizagem, para que desfrutem dos mesmos direitos que os rapazes têm. Na promoção feminina, coordeno um grupo com mais de cem jovens, que recebe formação intelectual, humana e religiosa no nosso centro de costura, em Bissau. Além disso, a partir de setembro de 2004, iniciamos nova atividade: - três jovens guineenses, que sentem o desejo de evangelizar em outras terras, estão sendo acompanhadas. Assim, formamos com elas uma nova comunidade, que chamamos de “Bim Djubi”, ou seja: - “Vinde e Vede”. A finalidade do grupo é orientá-las em seu discernimento vocacional e na formação intelectual, humana e cristã. O imperativo: “Sai da tua terra...” ou “Ide e anunciai...” Hoje, mais do que nunca, sentimos a necessidade premente de missionárias corajosas, dispostas a colocarem suas vidas a serviço da missão. O imperativo: - “Sai da tua terra...” ou “Ide e anunciai...” é sempre atual! Enquanto houver pessoas nascendo, haverá necessidade de evangelização. Neste país há muitas tabancas onde ainda não chegamos, por absoluta falta de recursos humanos. Em lugares longínquos, muitas pessoas nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Atualmente, um desafio grande é formar as jovens guineenses para a verdadeira Vida, principalmente conscientizando-as a respeito da sua dignidade, do seu papel na sociedade e na Igreja, como mulheres. Um recado aos jovens... A você, jovem, que talvez nunca sentira no coração o toque do chamado de Deus, ou que até então nunca recebera de alguém o convite para fazer da vida dom e entrega radical ao seguimento de Jesus Cristo, a serviço da missão além-fronteira, aí vai o meu recado: - o batismo já é, em si mesmo, um convite a sermos missionários(as), porque toda a Igreja é missionária. Devemos viver ardorosamente nosso batismo. E, portanto, engajando-nos o mais que pudermos nas atividades pastorais da comunidade à qual pertencemos: grupo de jovens, catequese, liturgia, etc. Devemos nos lembrar que não somos os únicos seres humanos do globo terrestre. Há outros povos distantes, pessoas de diferentes culturas, irmãs e irmãos que possuem os mesmos direitos que temos de conhecer o Deus único e verdadeiro, de saber que Jesus Cristo é o Filho de Deus, encarnado na natureza humana através de uma Mulher – Maria Santíssima. Foi o próprio Senhor que se tornou humano, ao habitar no nosso meio e viver a nossa penúria, a fim de resgatar toda humanidade. É preciso que essa mesma humanidade aja como filha de Deus, herdeira da salvação, para que possa receber a plenitude da Vida (cf. Jo 10, 10). Você, jovem, já parou um instante para pensar nisso? Não demore a dizer “Sim” a Deus, através de uma resposta concreta, verdadeira e pronta. O convite de Jesus: - “Ide e anunciai”, começa a ser realizado a partir do momento em que o cristão, consciente de seu compromisso de batizado, acorda para Deus, ouvindo-o e lhe falando através da meditação e da oração; abrindo os olhos para conhecer outros povos e culturas, por meio da leitura de revistas missionárias e de outros meios de comunicação; contribuindo, da melhor forma possível, na ajuda aos povos menos favorecidos, para que lhes sejam resgatadas a sua dignidade humana, seus direitos imprescindíveis de vida e de salvação. |
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