Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

Eduardo Carvalho

o ano de 2003, Martha Patrícia, uma religiosa carmelita do Sagrado Coração, de nacionalidade mexicana, sentiu a necessidade “de dar um tempo em sua vida” e, durante seis meses, fazer um retiro em um centro de espiritualidade e vida natural em Itajubá – MG.

Durante aquele período, Martha resolveu perguntar a Deus o que Ele queria dela naquela etapa da sua existência. Depois de três meses de recolhimento, quando já se sentia com maior desapego e liberdade para escutar e acolher a voz de Deus, chegaram às suas mãos dois livros que, mais tarde, modificariam por completo sua história.

As obras, chamadas “Onde a esperança tem nome” e “Tabebuias”, trazem aos leitores relatos e experiências reais de jovens que, através do amor, recuperam-se ou se recuperaram da dependência química nas Fazendas da Esperança. À medida em que as páginas se sucediam, o coração de Martha foi-se incendiando e gritava em uma linguagem silenciosa: - “Aqui está o que sempre tenho buscado! Quero ver isso com meus próprios olhos!”.

Uma decisão corajosa

No dia seguinte, Martha viajou para a Fazenda da Esperança, que fica no município de Guaratinguetá – SP, uma das dezenas existentes atualmente. Os últimos cinco quilômetros, a carmelita os percorreu abaixo de chuva torrencial. Ao chegar, recebeu roupa seca e quente, alimentação farta e muito carinho. O maior impacto foi ter encontrado dezenas de pessoas sorridentes, cantando e colaborando com seu serviço.

Nelson, um dos fundadores da Fazenda, de imediato acolheu-a e a convidou para conhecer toda a obra. Martha visitou a propriedade e participou, durante alguns dias, das atividades e dinâmicas com os rapazes e moças que estavam em recuperação. Ouviu muitas de suas experiências, dramas e exercícios. Também esteve presente em várias atividades de planejamento, discutidas e definidas pelos responsáveis pelas demais fazendas, reunidos em Guaratinguetá naqueles dias.

Antes de regressar a Minas, ainda sem planos para o futuro, Martha partilhou com Nelson e com Lucy, a jovem que ajudou a fundar a obra, a maravilhosa estadia usufruída durante aqueles meses. Naquele momento de despedida, Nelson contou-lhes um antigo sonho. Confessou que, há tempos, sentia, enquanto rezava, que a Virgem de Guadalupe clamava por um ambiente e uma obra como aquela também para seus pobres mexicanos. Os três, então, perceberam que era chegada a hora em que tais vítimas deveriam ser amadas por alguém, acolhidas e com direito à saúde física e espiritual.

México

Três meses mais tarde, depois de um período de profundo discernimento, e contando com o apoio da sua congregação para iniciar a aventura, irmã Martha finalmente viajou ao México. Seis meses depois, retornou ao Brasil com outros dezoito mexicanos. Era um grupo de drogados, alcoólatras, religiosas de outras congregações, voluntários e voluntárias. Todos almejavam viver, durante um ano inteiro, “a experiência da Fazenda”, uma experiência de recuperação através do amor. Tal bagagem de conhecimentos e de vivências haveria de lhes dar elementos para, posteriormente, fundar a primeira Fazenda da Esperança em solo mexicano.

Ao término daquele ano, o grupo retornou a seu país de origem, acompanhado por mais oito missionários brasileiros e dois dos fundadores da obra. Um mês depois, eles já tinham claro a missão: fundar uma fazenda não somente no México, mas também na Guatemala. Como em todo início, também naquele os mexicanos não dispunham de nenhum recurso, a não ser a fé na Providência. Nem terreno tinham para levantar qualquer casa. Mas, como acontece em toda obra que é de Deus, a Providência abriu-lhes as portas: receberam a doação de uma bela fazenda na cidade de Guadalajara, no estado de Jalisco.

Não só, mas também uma caminhonete para o transporte de materiais e mercadorias. Assim, hoje já se está estruturando mais essa obra da Providência. Delineiam-se os contornos das construções e dos espaços agrícolas para a ocupação e o trabalho dos jovens que participam de seu processo de recuperação. A fazenda já começa a se sustentar por si própria. Ela também está se constituindo legalmente como uma obra social.

Enfim, conta com o apoio e carinho de várias comunidades que, pouco a pouco, tomam consciência de seus valores em nível de resgate pessoal e comunitário da juventude mexicana. É uma obra onde os jovens experimentam pessoalmente e descobrem o Deus-Amor. Em conseqüência, eles mesmos começam a amar concretamente os seus companheiros através de pequenos atos e, através disso, descobrem sua capacidade de se recuperar. Então seu coração se enche de amor e os vícios deixam de ser importantes ou necessários.

Estou feliz

Jorge Iván

Tenho 19 anos. Consumi drogas só por seis meses, mas como algo que realmente me fazia esquecer, fugir da realidade e da depressão, que era meu verdadeiro problema:

- tinha-me tornado uma pessoa calada, anti-social, agressiva.

Criei-me com minha mãe, enfermeira, que me levava ao trabalho às escondidas, enquanto meu irmão ficava com os tios. Quando cresci, a mãe entregou-me a eles que, por terem criado meu irmão desde pequeno, provocaram uma discriminação entre nós; isso me afastou deles e sentia certo rancor contra todos.

Quando minha mãe voltou, eu era adolescente, mau aluno, e ela me batia e xingava; comecei a ser agressivo, não com os outros e sim comigo mesmo:

- batia em mim e me feria física e moralmente.

Entrei numa das melhores escolas do México e parecia que tudo melhorava nos estudos, no respeito para com minha mãe e meu irmão. Porém, a depressão levou-me à maconha e minha mãe expulsou-me de casa aos 18 anos. O nível de meus estudos despencou. Comecei a trabalhar e fiz amigos. Eles me deram o carinho que me faltava. Depois, fui expulso da escola, os amigos não me deram mais dinheiro, estava sozinho e voltei para a maconha.

A vida ia por água abaixo, odiava minha família, odiava os outros, detestava Deus, xingava-o, achava que Ele era culpado de tudo e reclamava porque não se fazia presente. Eu queria experimentar a “pedra” e fui procurar alguns meninos que se drogavam, oferecendo-lhes dinheiro; mas eles me assaltaram, bateram em mim e se foram. Nem pude experimentar o crack. Quando a família se deu conta que eu tinha sido expulso da escola e que me drogava, levou-me a um psiquiatra. Ele disse que eu padecia de ansiedade e depressão.

Algum tempo depois, cortei meus pulsos, matei os peixes do aquário e enforquei o cachorro:

- aí fui levado a um bruxo exorcista, que não resolveu nada.

Um dia, uma tia freira, que conhecia a Fazenda, propôs-me uma experiência neste lugar. E vim. Quando cheguei, receberam-me de braços abertos. Depois de quatro meses, estou feliz, porque eliminei as coisas erradas que tinha dentro de mim e descobri capacidades e talentos que não conhecia, até então. E vivi mais intensamente do que em toda a minha vida. O trabalho é duro, mas o amor supera tudo e cresceu em mim o desejo de ajudar a outros, para que experimentem o verdadeiro amor, o amor de Deus, que se manifesta de inúmeras formas, para que possam, como eu, corrigir o coração, sorrir ao mundo e ressuscitar como pessoas novas, pessoas que encontraram o que procuravam e são felizes.

ENTRE EM CONTATO COM A
Fazenda da Esperança no México
Obra Social Hacienda de la Esperanza
A.C – Aportado Postal n.º 12 – C.P. 45.640
Lajomulco de Zúñiga – Jalisco – México
E-mail: marthapatriciaponce@yahoo.com

Ajude no desenvolvimento das Fazendas do mundo inteiro.
Encaminhe sua oferta:
Banco do Brasil
Ag: n.º 0306-9 c/c: n.º 14.816-4
Guaratinguetá – SP
Torne-se Voluntário da Esperança
através da campanha Retorno à Vida
Site: www.fazenda.org.br

Contato
Caixa Postal n.º 194 - Guaratinguetá – SP
12500-970
Tel.: (12) 3122-2055
E-mail: retornoavida@fazenda.org.br
Site: www.fazenda.org.br

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