Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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- “Quero recomeçar minha vida na família, no trabalho, no estudo” ou “Quero fazer uma missão”. Mas o que significa essa missão para um jovem que, muitas vezes, tem que começar tudo do “zero”? Desde 1996, a Fazenda da Esperança tinha apenas as comunidades de Guaratinguetá, em São Paulo, onde tudo nasceu, Coroatá, no Maranhão, Casca, no Rio Grande do Sul, Garanhuns, em Pernambuco e Lagarto, em Sergipe. Eram apenas 7 fazendas, contando com a realidade feminina. Como surgiram, em apenas 10 anos, mais 31 fazendas? Além do intenso, insistente e contínuo convite de bispos, comunidades religiosas, famílias e governos, que nos ofereciam propriedades em doação e pessoas à disposição, para que abríssemos uma comunidade da Fazenda da Esperança, surgiu a idéia de convocar toda esta juventude nova, nascida do Evangelho a partir da experiência de aprender a amar, para realizar uma “missão” de abertura de novas comunidades. As primeiras convocações tiveram o objetivo de passar um tempo de férias escolares nas fazendas já existentes.
Estas aconteceram em Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Sul. Desde o princípio, o espírito era o de viver um mês de doação gratuita como voluntário numa Fazenda “lá longe”. E esta gratuidade logo se manifestou com a idéia de que cada um deveria pagar sua passagem. Logo em seguida, vieram os convites para abertura de novas fazendas no Brasil e no Exterior. Imediatamente chegou a dúvida: “Será que os jovens brasileiros terão dinheiro para fazer uma viagem, por exemplo, até a Alemanha?”. Ou, para o México, Guatemala, Paraguai, Argentina e até à Rússia e Filipinas? A generosidade mais uma vez deu o seu golpe. Dezenas de jovens brasileiros, e também de outros países, foram para a Alemanha, Filipinas, México, Paraguai, Guatemala, Argentina e alguns países da África, pagando sua passagem. Alguns ficaram um mês e outros, até um ano ou mais. Uns venderam sua moto, outros fizeram campanhas, outros deram sua poupança; outros, terrenos. Nada impedia de viver a frase: - “Dar de graça o que de graça recebeu”. Em todos, o esforço de inculturação para aprender a língua e levar a Boa-Nova da vida que vivenciada nas Fazendas do Brasil, trouxe uma alegria muito difícil de descrever. Esta experiência, feita no início da missão nas Filipinas, bem o comprova: - “Resumimos estes primeiros dias em ‘muito trabalho e pouca comida’. O sol é muito forte, exigindo muito amor. Em casa não temos energia elétrica e, à noite, o calor e os pernilongos insistem em não nos deixar dormir. Temos somente um gerador, que fica ligado poucas horas por dia. Estamos procurando oferecer tudo por amor a Jesus Crucificado e Abandonado. Levantamos às 5h30 para o café e meditação e trabalhamos nos campos de arroz das 7h. às 12h. e das 14h. às 17h. Já nasceram muitas bolhas e calos nas mãos. Nestes dias, cada um pôde experimentar seus limites, seja com a comida, com o calor, com o trabalho; não faltaram oportunidades, mas, a presença de Jesus entre nós, trouxe algo diferente que percebíamos na alegria contagiante. Podemos dizer que o alicerce espiritual da Fazenda da Esperança Siloé foi fincado no coração de cada um. Continuando assim, todos os outros alicerces que precisamos, como casa, trabalho, providências, voluntários, etc, acontecerão por acréscimo”.
Chamada à Missão Transcrevemos aqui um trecho de uma carta que significou um marco para a história das missões na Fazenda da Esperança. Fizemos uma leitura a respeito da vida do evangelista Mateus. Um pecador público chamado por Jesus a ser seu apóstolo. (...) Durante o dia, toda a passagem do chamamento de Jesus a Mateus, quando lhe disse ‘Segue-me’, bateu muito forte dentro de mim (...) Percebi muito claramente que esta voz, dita pelo Filho do Homem há 2000 anos, exatamente a um pecador que se sentia certamente rejeitado pela sociedade daquela época, estava sendo pronunciada não somente a mim mas a cada um (...), todos os que fazem a Família da Esperança. Dava-me a impressão de que nós éramos um único corpo, uma única pessoa que, mesmo se sentindo talvez indigna e até surpreendida, recebia o apelo do Mestre ‘Segue-me’, acompanhado ainda de uma missão específica: - ‘Eu vim para chamar os pecadores e não os justos’ (Mt 9,13 ) (...) E agora o que fazer? Como responder de forma concreta a esta vocação, seja qual for nossa condição? (...) Nada melhor do que perguntar ao próprio Jesus, qual seria o melhor caminho. Ele mesmo disse: - ‘Se alguém estiver para construir uma torre, faça os seus cálculos, para que não aconteça que, tendo iniciado sua construção, por falta de material não venha a terminá-la e, por isso, seja motivo de zombaria’ (cf Lc 14, 28s). Ou seja, todos aqueles que se sentem chamados a seguir Jesus, participando concretamente de uma missão de abertura de uma nova Fazenda em qualquer um desses países, deveria fazer os seguintes cálculos: - depois de completar um ano em qualquer Fazenda, deveria voltar para casa e permanecer durante um tempo estudando (quem sabe até uma língua), trabalhando e mantendo contato com o grupo Esperança Viva mais próximo. (...)
Alguns podem perguntar: - por que este retorno em casa? Faz parte deste cálculo que possamos dar testemunho, a todos aqueles que pediram nossa ajuda, de que, verdadeiramente, nós nos convertemos e demos frutos de mudança real – não só dentro da Fazenda, mas no meio do mundo, principalmente em nossa família. Neste período, percorreríamos três etapas importantes: 1.º) juntar o dinheiro da passagem, livrando-se
das garras do consumismo; (...) Não temos medo de desafios. Em todos estes anos já tivemos provas suficientes de que, no coração de todo jovem, existe um amor muito grande e não acredito que no seu seja diferente. Aliás, o mais importante é justamente a capacidade de amar, que dá a força para se reerguer, caso tenha acontecido uma recaída no meio desta preparação. Ninguém pode se sentir perdedor por uma recaída e, sim, por permanecer no chão. Então, é tempo de fazermos nossos cálculos e prepararmo-nos(...)”. Uma das coisas que mais impressionam a todos aqueles que entram em contato com estes missionários, que normalmente nem possuem preparação teológica ou até mesmo nem completaram o ensino médio, é a radicalidade, a generosidade com que se desprendem de seus bens, compram sua passagem e se dispõem a tudo para doar a alegria desta nova vida. Foi assim mesmo que ficou dom Francisco Silota, da Diocese de Chimoio, no interior de Moçambique, onde, exatamente nestes dias, estamos realizando mais uma missão da Fazenda da Esperança. |
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