Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
O médico congolês Léon Tshilolo estudou na Europa e tornou-se especialista em doenças tropicais. Renunciou ao bem-estar europeu e às benesses da carreira para se dedicar completamente a salvar milhares de vidas em perigo no continente negro
Tshilolo recebeu ofertas tentadoras, tanto científicas como econômicas, de várias instituições de saúde, para permanecer no velho continente. A primeira delas veio do Hospital Erasmo, de Anversa, cidade onde Tshilolo realizou boa parte dos estudos e onde também lhe foi oferecida a possibilidade de assumir a cidadania belga, como o fizeram tantos outros conterrâneos, e hoje cidadãos de várias nações européias. O médico de pele escura, porém, diz claramente que quer, a todo custo, voltar a ser africano e, por isso, recusou as ofertas, preferindo retornar à sua gente, tão logo terminou os estudos. “A minha gente precisa de médicos mais do que os europeus”, confidenciou a amigos italianos, justificando a escolha de voltar para a pátria, onde trabalha sem descanso, mas seu lucro é igual a menos de um terço do que recebia quando trabalhava na Europa. O doutor Tshilolo, porém, diz que está convencido de que sua escolha foi correta. Está empenhado em tratar sobretudo os mais jovens em uma terra onde a mortalidade de crianças abaixo dos cinco anos de idade é de 207 por mil. “A medicina é uma arte, uma profissão, um serviço, mas sobretudo uma vocação”, afirma o médico, hoje diretor de saúde em Monkole, a periferia mais empobrecida de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. “Voltei para cá – afirma – porque me sinto mais útil no meu país do que na Europa. Porque aqui a situação é de contínua emergência”. O centro de saúde que ele dirige atende a um grupo de duzentas mil pessoas, espalhadas à sua volta. Freqüentemente, em péssimas condições e com inúmeras dificuldades, pois seu contexto é uma área periférica, degradada, ao sul de uma capital que, por si só, é bem diferente das metrópoles européias. “É um médico predestinado a salvar muitas vidas humanas”, comenta-se dele. Suas atenções terapêuticas são dedicadas sobretudo à aids, à subnutrição, à meningite e a várias formas de anemia, bastante difundidas em seu país. “Aqui, eu ainda acredito nesta África – diz – que parece morrer sob o peso da pobreza, da miséria, da ignorância, das guerras civis, mas que é também um lugar onde, como sob o “esterco”, começa a brotar a árvore da esperança”. |
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